Agro News

Excedente global de açúcar limita altas nos preços, mesmo com corte na safra brasileira, aponta StoneX

Publicado

Produção global elevada mantém cenário de oferta confortável

O mercado internacional de açúcar segue apresentando ampla disponibilidade na safra 2025/26, apesar das recentes revisões negativas nas projeções brasileiras.

Segundo a StoneX, o ciclo deve encerrar com superávit de 2,9 milhões de toneladas, volume menor que o estimado anteriormente, mas ainda suficiente para sustentar a oferta global e conter novas valorizações nos preços.

A consultoria aponta que, mesmo com a redução de mais de 1 milhão de toneladas na produção nacional — somando as regiões Centro-Sul e Norte-Nordeste —, o impacto foi limitado. Os estoques mundiais devem crescer cerca de 4%, alcançando 76,7 milhões de toneladas, o que eleva a relação estoque/uso para 39,6%, acima da média dos últimos cinco anos.

Desempenho regional: contrastes entre os principais produtores

A produção global mostra descompassos regionais. Enquanto Tailândia e China enfrentam atrasos na colheita, a Europa surpreende com bons resultados, liderada pela União Europeia e pela Ucrânia.

Na Índia, a colheita avança de forma acelerada, especialmente em Maharashtra, mantendo a produção dentro do esperado.

No Brasil, líder mundial do setor, o Centro-Sul já processou mais de 600 milhões de toneladas de cana, superando o volume da temporada anterior. Já no Norte-Nordeste, o aumento da atratividade do etanol reduziu o direcionamento da cana para açúcar, diminuindo o mix açucareiro da região.

Leia mais:  Oferta global robusta pesa sobre o açúcar em Nova York, enquanto Londres registra alta semanal

De acordo com a StoneX, o equilíbrio entre forças altistas e baixistas deve manter os preços estáveis, sem fundamentos para altas expressivas. O foco do mercado, nos próximos meses, recai sobre as condições climáticas no Centro-Sul brasileiro e as atualizações de safra em Índia, Tailândia e China.

Etanol ganha força e reduz produção açucareira nas Américas

Nas Américas, a produção total de açúcar deve cair 1,3% em 2025/26, puxada principalmente pelo Brasil. A maior rentabilidade do etanol tem influenciado o direcionamento das usinas.

No Nordeste, o mix açucareiro caiu para 45%, limitando a produção a cerca de 3 milhões de toneladas. Já no Centro-Sul, o etanol hidratado passou a oferecer melhor remuneração desde agosto, levando à reversão parcial do mix e à revisão da produção para 40,7 milhões de toneladas.

Outros países da região seguem estáveis: o México mantém previsão de 5,1 milhões de toneladas, apesar das chuvas em Veracruz, enquanto os Estados Unidos compensaram perdas na beterraba com recorde na colheita de cana-de-açúcar.

Índia amplia oferta, enquanto Tailândia revisa para baixo

A Índia segue como um dos principais motores de crescimento da produção global. Até meados de janeiro, o país já havia processado 176 milhões de toneladas de cana, um aumento de 19% sobre o ciclo anterior. A produção acumulada chegou a 15,9 milhões de toneladas, e a safra deve encerrar em 32,3 milhões, mesmo com parte da cana destinada ao etanol.

Leia mais:  Mercado de trigo segue lento e com negócios restritos diante da cautela dos agentes e problemas de qualidade

Já a Tailândia enfrenta um cenário mais desafiador. O excesso de chuvas no início da colheita e as restrições à moagem de cana queimada atrasaram o processamento, levando à revisão da produção para 10,5 milhões de toneladas.

Próxima safra no Brasil sinaliza mudança estrutural no setor

As primeiras estimativas para a safra 2026/27 apontam para uma mudança estrutural no setor sucroenergético brasileiro. Com os preços do açúcar menos competitivos e o etanol em valorização, as usinas devem ampliar o direcionamento ao biocombustível.

Mesmo com maior disponibilidade de cana, o mix açucareiro no Centro-Sul deve recuar para 49,6%, o que pode reduzir a produção em cerca de 800 mil toneladas. A moagem está estimada em 620,5 milhões de toneladas, com área colhida de 8,17 milhões de hectares.

No Nordeste, a expectativa é de nova queda na produção de açúcar, devido ao menor ATR e ao recuo no mix. Em contrapartida, os investimentos em etanol de milho — especialmente nas regiões do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) — devem impulsionar a produção regional de biocombustíveis a partir da safra 2025/26.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Exportações de café do Brasil devem bater recorde em 2026/27, projeta Eisa

Publicado

As exportações brasileiras de café devem atingir um novo recorde na safra 2026/27 (julho a junho), impulsionadas pela expectativa de uma colheita considerada a maior da história do país. A projeção é do diretor comercial da exportadora Eisa, uma das maiores do setor global.

O cenário positivo é sustentado pelo avanço da colheita atual e pela perspectiva de forte disponibilidade de grãos nos próximos meses, o que deve ampliar os embarques e reforçar a posição do Brasil como líder mundial na produção e exportação de café.

Safra recorde deve impulsionar volume exportado

Segundo o diretor comercial da Eisa, Carlos Santana, o país vive um momento de forte otimismo no setor.

“Estamos bastante otimistas. Muito provavelmente o Brasil vai ter a maior safra da história. E isso rapidamente a gente vai começar a ver nos embarques, talvez em julho ou agosto”, afirmou durante o Seminário Internacional do Café, em Santos.

A avaliação é de que o aumento da oferta deve se refletir de forma mais intensa ao longo da safra 2026/27, com potencial de recorde nas exportações brasileiras.

Leia mais:  Cientista brasileira recebe o Nobel da Agricultura por pesquisas
Colheita avança e já sinaliza safra robusta

O Brasil, maior produtor e exportador global de café, já iniciou a colheita da safra 2026/27, com cerca de 5% da produção colhida até o momento.

O destaque inicial fica para o café canéfora (robusta e conilon), com avanço dos trabalhos principalmente em Rondônia e no Espírito Santo, regiões que tradicionalmente antecipam a colheita em relação ao café arábica.

Estoques globais baixos podem ampliar demanda por café brasileiro

De acordo com o setor exportador, a entrada da nova safra brasileira deve contribuir para a recomposição dos estoques globais, que atualmente se encontram em níveis reduzidos.

Esse movimento tende a favorecer a demanda pelo café brasileiro nos próximos meses, com expectativa de embarques mais fortes especialmente no segundo semestre de 2026.

A combinação entre alta produção, recomposição de estoques e demanda internacional aquecida deve sustentar um cenário positivo para as exportações, com possibilidade de “surpresas positivas” no desempenho do país no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Leia mais:  Colheita de trigo no RS se aproxima do fim com produtividade estável, mas baixa rentabilidade preocupa produtores

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana