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Especialistas do Brasil e da Europa discutem futuro dos precedentes judiciais

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O debate sobre a segurança jurídica e a modernização do Judiciário ganhou novos contornos na manhã desta terça-feira (3 de fevereiro), segundo dia do Congresso Internacional de Precedentes, realizado no Complexo dos Juizados Especiais, em Cuiabá. Promovido pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), o evento consolida o Estado como epicentro de discussões ao reunir grandes nomes do Direito do Brasil, Itália e Espanha para debater a evolução dos precedentes judiciais e os impactos da inteligência artificial no sistema de Justiça contemporâneo.
A programação matutina foi estruturada em três painéis estratégicos, que aprofundaram as discussões sobre a técnica e a aplicação prática do sistema de precedentes.
Competência e Formação do Precedente
A abertura dos trabalhos desta terça-feira ficou a cargo do Painel 4, que discutiu a “Competência para Moldar o Precedente e suas Implicações”. O tema foi explorado pelo professor Eduardo Arruda Alvim (FADISP/PUC-SP), sob a presidência do desembargador Deosdete Cruz Júnior. O debate contou com as contribuições do diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Mato Grosso, juiz-membro substituto Welder Queiroz dos Santos (TRE-MT).
Em sua exposição, Alvim defendeu a consolidação do sistema de precedentes institucionalizado pelo Código de Processo Civil de 2015, afirmando que ele deve ser encarado com “serenidade e objetividade”. Embora veja o modelo com otimismo, o professor pontuou que o sistema ainda carece de aprimoramentos, especialmente no que diz respeito à interpretação do alcance das teses fixadas pelos tribunais superiores.
Um dos pontos centrais da fala de Alvim foi a ideia de que o precedente não nasce “pronto”, mas é construído ao longo do tempo. Ele utilizou como exemplo o caso das taxas de matrícula em universidades públicas: se o Supremo Tribunal Federal (STF) proíbe tal cobrança, é legítimo que um tribunal local negue seguimento a recursos que contrariem essa tese. No entanto, o professor alertou para os riscos de uma aplicação automática e excessiva.
“Quem tem que decidir se a ratio (razão de decidir) de um primeiro julgado se aplica também a situações novas, como um curso de extensão universitária, é o tribunal do qual emanou o precedente. Cabe a ele, ao longo do tempo e conforme as situações apresentadas, moldar esse entendimento”, explicou. Para o palestrante, a negativa de seguimento de recursos especiais ou extraordinários na origem deve ser aplicada com cautela estrita ao caso concreto. Ele defende que os tribunais locais não devem impedir que o STJ ou o STF definam, eles próprios, o alcance de suas decisões.
Alvim encerrou destacando a responsabilidade social do magistrado ao fixar teses: “Quem julga um caso do qual possam emanar consequências que extravasem o interesse das partes instigantes tem que ter consciência de que o que ele está decidindo ali não afeta apenas a esfera jurídica de A ou de B, mas afeta todos os demais órgãos do Poder Judiciário e, portanto, os jurisdicionados como um todo.”
Ele ressaltou ainda não haver sentido tribunais encarregados de dizer a última palavra em matéria de lei federal — infraconstitucional, como o STJ, ou constitucional, como o Supremo — terem que dizer isso diversas, repetidas e reiteradas vezes. “Acho que também deve-se ter presente que essa negativa de seguimento ao extraordinário ou especial na estação de origem só pode se dar diante de uma hipótese que se afeiçoa estritamente ao caso concreto, porque a moldagem do precedente ao longo dos tempos deve ser sempre feita, em última análise, pelo tribunal do qual emanou o precedente.”
Experiência Europeia
Dando sequência à internacionalização do congresso, o Painel 5 trouxe o olhar estrangeiro com a palestra “Precedentes Judiciales: Perspectiva Europea”. O professor catedrático da Universidad de Salamanca, Lorenzo Mateo Bujosa Vadell, detalhou como o sistema espanhol e o bloco europeu lidam com a uniformização de decisões. O painel foi presidido pelo desembargador Gilberto Giraldelli (TJMT) e teve como debatedor o juiz auxiliar da Vice-Presidência do TJMT, Gerardo Humberto Alves Silva Junior.
Bujosa apresentou a visão europeia, sobretudo a espanhola, que, em princípio, é contrária aos precedentes como estão incorporados no Código Brasileiro de 2015. “Quero mostrar também como temos avanços de decisões de alguns tribunais nacionais e supranacionais que têm essa força normativa, como o Tribunal Constitucional, que tem um preceito que diz que os juízes, quando interpretarem as normas, devem ter em conta a interpretação do Tribunal Constitucional. Então, eu acho que temos uma convergência desses temas, não muito declarada, mas real”, complementou.
Segundo ele, o Tribunal Supremo Espanhol já não é o Tribunal Supremo. “É o Tribunal Supremo de nome, mas já não é um Tribunal Supremo. Tem outros tribunais por cima que, algumas vezes, têm alguns conflitos. Já há tempo que não temos conflitos muito visíveis, mas devemos lembrar que tivemos alguns conflitos muito grandes, da primeira página dos periódicos.”
Dentre outros tópicos abordados, Bujosa destacou ainda que o valor da jurisprudência deve levar em conta a hierarquia das fontes no Direito e afirmou que gosta de vir ao Brasil para aprender com o ordenamento jurídico brasileiro. O professor salientou que a Europa tem uma visão mais conservadora, mas que o Direito Brasileiro deve ser um modelo a ser considerado.
“Comecei a estudar Direito Processual, a minha especialidade, com os processos coletivos. Então, em 1988, 1989, e eu descobri, em 1990, o Código de Defesa do Consumidor brasileiro e as ações populares, ação civil pública, todos os instrumentos brasileiros que acolhem algumas experiências do common law e adaptam a um sistema que é diferente, um sistema de raiz romano-germânica. Nós, na Europa, não somos tão claros nos avanços da convergência e, por esse motivo, eu acho que o Brasil é um modelo a considerar — um modelo intelectual, pelo menos, e talvez um modelo também para aportar soluções jurídicas aos problemas práticos.”
Estabilidade e Confiança
Encerrando o ciclo da manhã, o Painel 6 focou na “Estabilidade dos Precedentes”, fator essencial para a previsibilidade das decisões judiciais. O palestrante foi o professor e pós-doutor pela Universidade de Lisboa Rennan Faria Krüger Thamay (Fadisp), acompanhado pela desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos na presidência da mesa. O juiz Antônio Veloso Peleja Júnior, coordenador pedagógico da Esmagis-MT, atuou como debatedor.
De acordo com Thamay, o Brasil possui um sistema próprio de precedentes, que não é o clássico nem o original. “O nome que se deu foi esse; parece-me que é outra coisa. Eu não tenho dúvida de que o procedimento normativo de edição do precedente é inconstitucional, eu também não tenho dúvida disso, mas eu aprendi em casa que, se há salvação, é melhor salvar. Então, a minha missão aqui é tentar salvar o sistema brasileiro de precedentes para trazer viabilidade e aplicação.”
Segundo ele, o Brasil tem um sistema absolutamente complexo de mutabilidade ou imutabilidade. “Precedente não é estabilidade, coerência, segurança jurídica? Como que existe em nosso país constitucionalidade ou inconstitucionalidade do Funrural? Vou além: aborto de anencéfalo, ficha limpa, prisão em segunda instância, Tese do Século, união homoafetiva. Se o nosso sistema de precedentes fosse verdadeiramente estável, esses casos possivelmente não existiriam. Ou, se existissem, seriam muito mais dificilmente tratados aqui no nosso país”, asseverou o professor.
Uma das teses mais contundentes de Thamay foi a desconstrução da ideia de “vinculação obrigatória”. Para o professor, o que existe é uma obrigatoriedade de observação, e não de aplicação automática. “A vinculação reside unicamente no juízo de observação do precedente. O que nos obriga é o juízo de observação, sob pena de nulidade da decisão, e é por isso que a mutação social permite uma reconstrução da decisão judicial”, explicou.
Neste cenário, Thamay defendeu o protagonismo das instâncias inferiores. “Nosso país é altamente complexo. O nosso sistema de precedentes é bastante complexo, pelo menos a meu juízo. Não é só chegar e aplicar. Os tribunais locais têm papel fundamental na formação de precedentes no processo subjetivo”, complementou.
Homenagens
Finalizadas as palestras da manhã, a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso Desembargador João Antônio Neto conferiu e certificou os três palestrantes — Eduardo Alvim, Lorenzo Bujosa e Rennan Thamay — com o título de Professores Notáveis.
A honraria é concedida em reconhecimento aos relevantes trabalhos científicos e acadêmicos prestados à Esmagis-MT, ao Poder Judiciário de Mato Grosso e à comunidade jurídica. A contribuição dos homenageados para a difusão do conhecimento técnico e aplicado os consolida como referências no cenário jurídico e tecnológico, tanto nacional quanto internacional.
Todos eles e também o coordenador-geral de eventos da Escola de Direito FADISP-Unialfa, professor Lauro Ishikawa, receberam a Comenda Desembargador João Antônio Neto, honraria destinada a reconhecer personalidades que tenham prestado serviços de relevante valor acadêmico, institucional ou profissional à magistratura estadual e ao Poder Judiciário de Mato Grosso.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
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Autor: Lígia Saito

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Fotografo: Josi Dias

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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TJMT celebra 152 anos de história na defesa de direitos, inovação e compromisso com a sociedade

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Vista aérea do Palácio da Justiça do TJMT, prédio moderno de fachada clara, cercado por árvores, estacionamento com veículos, vias asfaltadas e paisagem urbana ao fundo, sob céu parcialmente nublado.Hoje, aos 34 anos, Karine Gabriela conhece, em dimensão concreta, a importância do Poder Judiciário em sua trajetória de vida. Com apenas 44 dias de nascida, precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Cuiabá, e recebeu encaminhamento para um tratamento que, à época, era considerado experimental em São Paulo.

Filha de uma educadora da rede pública de Várzea Grande, que não dispunha de recursos financeiros para custear o procedimento, Karine teve assegurado o direito ao tratamento por meio de decisão judicial. O acesso à saúde, garantido pela atuação da Justiça, transformou-se em esperança para a família, que todo dia 8 de abril, celebra a vida de Karine.

A história de Karine simboliza a missão institucional do Poder Judiciário de Mato Grosso, que neste 1º de maio celebra 152 anos de instalação. Ao longo dessa trajetória, a instituição tem sido instrumento de promoção da cidadania, defesa de direitos e proteção da dignidade humana abarcando 79 Comarcas.

Atualmente, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso conta com mais de nove mil servidores e servidoras, entre eles 351 magistrados e magistradas, que diariamente contribuem para uma prestação jurisdicional cada vez mais célere, eficiente e humanizada. Cada processo analisado, cada decisão proferida e cada atendimento realizado refletem o compromisso de homens e mulheres que fazem do Judiciário uma instituição próxima da sociedade.

Em 1º de maio de 1874, data da instalação do então Tribunal da Relação da Província de Mato Grosso, a realidade era marcada por limitações estruturais e tecnológicas. Não havia critérios objetivos para medir produtividade, tampouco os recursos modernos hoje disponíveis. Os atos processuais eram manuscritos e a comunicação ocorria de forma lenta e restrita.

Passados mais de um século e meio, o cenário é outro. Em sintonia com as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os tribunais brasileiros passaram a adotar indicadores de desempenho, metas de gestão e políticas permanentes de modernização. Nesse contexto, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso tem se destacado nacionalmente pela excelência dos serviços prestados.

A imagem mostra o selo “Prêmio CNJ de Qualidade 2025 – Diamante”. O emblema circular em tons de azul possui estrelas na borda e duas fitas na parte inferior, simbolizando alto reconhecimento do CNJ.O esforço institucional foi reconhecido com a conquista do Selo Diamante pelo Poder Judiciário de Mato Grosso (TJMT), uma das mais altas premiações concedidas pelo CNJ aos tribunais que se sobressaem em critérios como produtividade, governança, transparência e inovação. O desempenho reflete o cumprimento rigoroso dos critérios de transparência, mas também o avanço consistente da produtividade judicial no primeiro e no segundo graus, com aumento no volume de julgamentos, maior celeridade na tramitação processual e redução de acervo processual.

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Esses resultados foram construídos ao longo desses 152 anos e estão associados à modernização de rotinas, à adoção de soluções tecnológicas e à padronização de fluxos, que vêm permitindo ao TJMT ampliar a eficiência na prestação de serviços da Justiça. O conjunto desses fatores mostra a evolução institucional do Tribunal, que alia transparência, governança e desempenho para entregar respostas mais rápidas e efetivas à sociedade. Além disso, o reconhecimento demonstra o compromisso do TJMT com a entrega de resultados concretos à população.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alcançou, no ciclo 2025 do Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP), a mais alta classificação ao conquistar o Selo Diamante de Transparência Pública, reconhecimento concedido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil. Ainda em 2025, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso recebeu também o Selo Diamante, entregue pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso.

Retrato institucional do desembargador José Zuquim Nogueira usando medalha oficial. A imagem destaca o traje formal e fundo neutro, voltada à divulgação institucional.Para o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira, a trajetória da instituição é marcada por evolução contínua e fidelidade à sua missão constitucional. Segundo ele, desde os tempos do antigo Tribunal da Relação, quando os atos eram lavrados à mão e a comunicação dependia de recursos limitados, até a atual era digital, em que processos podem ser acessados de qualquer lugar do mundo, o Judiciário mato-grossense tem avançado sem perder sua essência: servir à sociedade com responsabilidade e eficiência.

O presidente também destaca que “a transformação tecnológica ampliou o acesso à Justiça e fortaleceu o trabalho realizado em todas as comarcas do Estado, especialmente no primeiro grau de jurisdição, porta de entrada da maior parte das demandas da população”.

José Zuquim ressalta que os avanços alcançados são resultado do empenho coletivo de magistrados, servidores e colaboradores que, com dedicação diária, constroem uma Justiça mais moderna, acessível e eficiente. Entre as soluções de inteligência artificial já em funcionamento no Tribunal de Justiça de Mato Grosso estão os sistemas LexIA, Hannah e OmnIA, ferramentas desenvolvidas pelo próprio Poder Judiciário, a partir de sua vivência institucional e do profundo conhecimento da realidade forense.

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Foto horizontal colorida da vice-presidente Nilza Pôssas de Carvalho. El é uma mulher loira, de cabelos lisos abaixo dos ombros. Usa toga de gala preta com babados brancos na frente e medalha envolta do pescoçoA desembargadora e vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho reiterou o compromisso institucional do Tribunal de Justiça de Mato Grosso com a promoção de soluções eficazes para os conflitos sociais e com a entrega de uma prestação jurisdicional célere, transparente, inclusiva e verdadeiramente conectada às necessidades da população. “Em consonância com a missão de fortalecer a pacificação social e resguardar os pilares do Estado Democrático de Direito, seguimos avançando na construção de uma Justiça moderna, resolutiva e amplamente acessível, capaz de responder aos desafios do presente com responsabilidade e sensibilidade. Esse propósito se sustenta em valores inegociáveis, como o respeito ao cidadão, a imparcialidade, a integridade, a efetividade, a sustentabilidade e a cultura permanente de inovação, princípios que orientam ações transformadoras e consolidam a confiança da sociedade no Poder Judiciário”, declarou.

Foto horizontal colorida do corregedor José Lindote. Ele é um homem branco, de c abelos curtos grisalhos. Usa toga de gala preta com babados brancos na frente e medalha envolta do pescoçoO corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote, destaca que “o Poder Judiciário de Mato Grosso completa 152 anos com uma trajetória moldada pelo compromisso de servir à população. “Com respeito à lei e às instituições, e sempre com a missão de promover a pacificação social. Sabemos que os tempos são de desafios e de crescente cobrança social. Para atender a essa demanda, servidores e magistrados não têm medido esforços. Não por acaso, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso conquistou o Selo Diamante do Conselho Nacional de Justiça, reconhecimento da dedicação coletiva do nosso Judiciário na busca por melhorias contínuas dos serviços prestados.

Seguiremos firmes nesse propósito, com responsabilidade, equilíbrio e respeito às atribuições institucionais, honrando a história construída ao longo desses 152 anos”, finalizou.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro e Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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