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Açúcar reage no mercado internacional, mas preços no Brasil seguem em queda e atingem menor média desde 2019

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Açúcar brasileiro registra menor média em mais de cinco anos

O mercado de açúcar no Brasil atravessa um período de retração. De acordo com dados do Cepea/Esalq (USP), o preço do açúcar cristal branco caiu para o menor nível desde setembro de 2019. Na parcial de fevereiro (até o dia 6), o Indicador Cepea/Esalq registrou média de R$ 103,46 por saca de 50 kg, deflacionada pelo IGP-DI. Em valores nominais, o produto chegou a ser negociado na casa dos R$ 100,00/sc, algo que não ocorria desde outubro de 2020.

Segundo os pesquisadores do Cepea, a desvalorização não está ligada à queda na demanda, mas sim à maior presença de açúcar com coloração mais elevada (até 180 Icumsa) nas negociações, o que indica variação na qualidade dos lotes comercializados.

Recuperação técnica impulsiona o açúcar nas bolsas internacionais

Após várias sessões consecutivas de baixa, o açúcar voltou a subir no mercado internacional nesta segunda-feira (9). Na ICE Futures, em Nova York, o contrato março/26 encerrou a 14,35 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,24 centavo (+1,7%). Já o maio/26 subiu 0,25 centavo (+1,8%), fechando em 13,96 cents/lbp.

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Em Londres, o açúcar branco também apresentou recuperação. O contrato março/26 fechou a US$ 405,40 por tonelada, avanço de US$ 1,00, enquanto o maio/26 subiu para US$ 414,30/t. A valorização foi motivada por movimentos técnicos de correção após quedas recentes e pela alta do petróleo, que tende a aumentar o uso de cana-de-açúcar para etanol, reduzindo a oferta do adoçante.

Pressão segue no mercado interno

Mesmo com a reação externa, o mercado doméstico manteve viés negativo. Segundo o Cepea/Esalq, a saca de 50 quilos foi negociada a R$ 100,10, queda diária de 0,53% na segunda-feira (9). No acumulado de fevereiro, a desvalorização já chega a 4,57%, refletindo o cenário de excesso de oferta e da pressão sobre os preços internos.

A análise do Notícias Agrícolas aponta que o movimento de alta nas bolsas internacionais esteve relacionado à queda do dólar, que atingiu o menor nível em uma semana, estimulando o fechamento de posições vendidas nos contratos futuros de açúcar.

Etanol hidratado também registra queda em Paulínia (SP)

O mercado de biocombustíveis segue acompanhando o comportamento do açúcar. De acordo com o Indicador Diário de Paulínia (SP), o etanol hidratado foi negociado a R$ 3.135,00 por metro cúbico na segunda-feira (9), representando recuo de 0,25% em relação ao pregão anterior. No acumulado do mês, a desvalorização chega a 0,71%.

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Perspectivas

Apesar da leve recuperação nas bolsas internacionais, o mercado global de açúcar ainda enfrenta pressão de oferta, o que limita o avanço dos preços. Analistas acreditam, no entanto, que esse excedente deve diminuir na próxima safra, podendo abrir espaço para uma recuperação mais consistente nas cotações ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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