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Embrapa lança novas uvas tintureiras que prometem revolucionar a produção de sucos e vinhos no Brasil

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Embrapa apresenta novas cultivares para sucos e vinhos

A Embrapa Uva e Vinho (RS) anunciou o lançamento das cultivares BRS Lis e BRS Antonella, duas uvas tintureiras (com polpa e casca pigmentadas) voltadas à produção de sucos e vinhos de mesa. O lançamento conjunto reforça a estratégia de combinar alto rendimento no campo com excelente qualidade industrial, contribuindo para o fortalecimento da cadeia produtiva e a diversificação da vitivinicultura brasileira.

Desenvolvidas dentro do programa Uvas do Brasil, as cultivares foram testadas por mais de dez anos em áreas experimentais e propriedades parceiras, mostrando desempenho consistente e adaptação às condições da Serra Gaúcha, principal polo nacional de uvas para processamento.

Complementaridade entre as cultivares eleva eficiência produtiva

A BRS Lis é uma uva de ciclo intermediário, colhida em fevereiro, que se destaca pela tolerância ao míldio e às podridões dos cachos, doenças que comprometem o rendimento dos vinhedos. Possui cachos soltos, o que reduz perdas e favorece sistemas de cultivo sustentável. O mosto apresenta acidez equilibrada, coloração intensa e alto teor de açúcares, ideais para sucos e vinhos com boa estrutura.

Já a BRS Antonella oferece alto potencial produtivo e excelente adaptação à Serra Gaúcha, sendo indicada para quem busca volume e cor nos produtos finais. Segundo o pesquisador João Dimas Garcia Maia, a cultivar “se integra com facilidade aos sistemas produtivos já consolidados e contribui com intensidade de cor nos cortes industriais”.

Quando usadas em conjunto, as duas cultivares permitem melhor equilíbrio entre produtividade e qualidade, reduzindo a dependência de variedades tradicionais mais suscetíveis a doenças.

Novo impulso para a vitivinicultura brasileira

A vitivinicultura no Brasil ainda depende fortemente de cultivares americanas como Isabel, Bordô e Concord, que embora amplamente utilizadas, apresentam limitações sanitárias e produtivas. As novas variedades da Embrapa chegam para diversificar o portfólio nacional, trazendo autonomia tecnológica e novas possibilidades de manejo.

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De acordo com Adeliano Cargnin, chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, “as cultivares BRS Lis e BRS Antonella mantêm características positivas das tradicionais, mas agregam diferenciais que aumentam a competitividade e o valor agregado da produção nacional”.

Qualidade superior no suco e no vinho

O pesquisador Mauro Zanus, especialista em enologia da Embrapa, realizou vinificações experimentais que comprovaram o potencial das novas variedades.

Os produtos elaborados com a BRS Lis apresentaram alta intensidade de cor, taninos equilibrados, acidez controlada e doçura natural, dispensando adição de açúcar na fermentação.

A BRS Antonella, por sua vez, se destaca pela intensidade de cor e excelente rendimento industrial, sendo ideal para cortes que buscam uniformidade visual e sensorial. Segundo Zanus, “os vinhos e sucos apresentam aromas marcantes, coloração viva e sabor equilibrado”.

Polifenóis garantem mais cor, estrutura e valor funcional

As duas novas cultivares possuem altos níveis de polifenóis e antocianinas, compostos responsáveis pela cor intensa, estrutura sensorial e potencial antioxidante dos sucos e vinhos.

Nos testes conduzidos pela Embrapa, a BRS Lis alcançou índices de polifenóis totais superiores aos das cultivares Bordô, Isabel e Concord, enquanto a BRS Antonella também apresentou elevado teor de antocianinas, intensificando a coloração em misturas industriais.

Essas características aumentam a estabilidade da cor, resistência à oxidação e valor tecnológico dos produtos finais.

Impacto econômico e sustentabilidade

O pesquisador José Fernando da Silva Protas, da área de socioeconomia da Embrapa, destaca que o uso combinado das cultivares representa uma alternativa estratégica para viticultores.

“A BRS Lis reduz custos por sua maior resistência a doenças, enquanto a BRS Antonella assegura previsibilidade produtiva, melhorando a rentabilidade por hectare”, afirma.

A adoção dessas variedades contribui para reduzir perdas, diminuir o uso de insumos químicos e tornar o cultivo mais sustentável, sem comprometer a qualidade industrial.

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Validação no campo e aceitação dos produtores

As novas cultivares foram testadas por produtores e cooperativas do Rio Grande do Sul, incluindo Aurora, São João e Agroindustrial Paraíso, em municípios como Bento Gonçalves, Pinto Bandeira, Farroupilha e Dois Lajeados.

René Tonello, presidente da Cooperativa Vinícola Aurora, elogia o resultado:

“As novas uvas atendem às principais demandas do setor — produtividade, cor e adaptabilidade. É um avanço importante para os produtores e para a indústria.”

O viticultor Fabiano Orsato, um dos validadores, já substitui parte da uva Isabel por BRS Lis e BRS Antonella em sua propriedade.

“A colheita é mais fácil e o valor recebido é competitivo. Estamos animados com as novas variedades e com o que ainda virá”, comenta.

Mudas licenciadas e acesso seguro

As mudas das cultivares BRS Lis e BRS Antonella são comercializadas apenas por viveiristas licenciados pela Embrapa, garantindo qualidade genética e fitossanitária.

A lista completa de fornecedores está disponível no site oficial da Embrapa Uva e Vinho.

Outras opções do portfólio da Embrapa

A Embrapa também mantém outras cultivares tintureiras para processamento:

  • BRS Magna: uva de ciclo intermediário, alto teor de açúcar e cor intensa, indicada para sucos varietais ou cortes.
  • BRS Cora: cultivar produtiva e precoce, com sabor frutado e boa adaptação em várias regiões do país.
  • BRS Carmem: variedade tardia, com cor intensa e aroma semelhante à uva Bordô, tolerante ao míldio e ideal para vinhos e sucos naturais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cachaça mineira movimenta mais de R$ 624 milhões e consolida Minas Gerais como líder nacional do setor

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Minas Gerais segue ampliando sua liderança na produção de cachaça no Brasil e reforçando a importância econômica e cultural da bebida para o agronegócio estadual. No Dia da Cachaça Mineira, celebrado nesta quinta-feira (21), a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) divulgou um panorama atualizado do setor, revelando que a cadeia produtiva movimentou R$ 624,7 milhões em 2025.

Os números consolidam a força da cachaça mineira dentro e fora do país, além de evidenciar o crescimento da atividade em geração de renda, arrecadação e empregos formais.

De acordo com a Seapa, o estudo apresenta informações estratégicas sobre produção, mercado, exportações e desempenho econômico da cadeia produtiva. O material também reforça o papel da bebida como patrimônio cultural e ativo relevante para a expansão do agronegócio mineiro no mercado internacional.

Segundo a assessora técnica da Seapa, Maíra Ferman, um dos principais destaques do levantamento é o avanço das vendas para fora de Minas Gerais. Atualmente, 54% do faturamento da cachaça mineira já vem do mercado interestadual e das exportações, demonstrando a crescente inserção do produto em novos mercados consumidores.

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Além do faturamento expressivo, o setor também tem forte impacto na arrecadação estadual. Em 2025, a cadeia produtiva gerou R$ 56,5 milhões em ICMS, fortalecendo a contribuição da atividade para a economia mineira.

Minas concentra 40% dos produtores de cachaça do Brasil

O levantamento confirma que Minas Gerais permanece como o principal polo produtor de cachaça do país. O estado reúne 501 estabelecimentos formais registrados, número que representa cerca de 40% de todas as unidades produtoras do Brasil.

A ampla presença da atividade em diferentes regiões mineiras evidencia a tradição histórica da produção artesanal e industrial da bebida, além da importância da cadeia para pequenos produtores, agroindústrias familiares e empreendimentos rurais.

A distribuição da produção também fortalece economias regionais, impulsionando o turismo rural, a gastronomia típica e a valorização de produtos de origem mineira.

Exportações avançam e ampliam presença internacional

O mercado externo também vem ganhando relevância para o setor. Segundo a Seapa, a cachaça produzida em Minas Gerais ampliou sua presença internacional em 2025, com destaque para exportações destinadas ao Uruguai, Estados Unidos e Itália.

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Os três países concentram parcela significativa das vendas externas da bebida e reforçam o potencial da cachaça como produto estratégico para a internacionalização do agro mineiro.

A expansão internacional acompanha o aumento da valorização da cachaça premium e artesanal no exterior, especialmente em mercados que buscam bebidas destiladas com identidade regional, tradição e produção diferenciada.

Setor amplia geração de empregos e fortalece produção artesanal

Outro ponto destacado no levantamento é o crescimento dos empregos formais ligados à fabricação de aguardente de cana-de-açúcar. O setor mantém trajetória positiva nos últimos anos, refletindo o aumento da produção, da formalização e da demanda por produtos de maior valor agregado.

Com dados consolidados e análise detalhada, o panorama divulgado pela Seapa reforça a importância da cadeia produtiva da cachaça para Minas Gerais, tanto na geração de renda quanto na valorização da cultura regional e no fortalecimento do agronegócio brasileiro.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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