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“Não estamos aqui apenas para decidir, mas para ajudar a sociedade”, diz vice do TJMT sobre evento

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Desembargador Nilza Pôssas de Carvalho tem cabelos loiros posa sorridente em frente a telão com arte do evento TJMT Inclusivo sobre autismo. O fundo em tons de rosa destaca a identidade visual e reforça a programação em Cáceres.“Não estamos aqui apenas para decidir, mas para ajudar a sociedade”. A afirmação da vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e presidente da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, sintetiza o propósito das ações que o Judiciário estadual vem intensificando para ampliar a conscientização e a formação técnica sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Nos dias 15 e 16 de abril, Cuiabá sediará a primeira edição de 2026 do projeto “TJMT Inclusivo: Autismo e direitos das pessoas com deficiência”. A iniciativa conta com parceria da Prefeitura de Cuiabá.

A iniciativa ganha relevo em um contexto em que uma das dúvidas mais frequentes entre educadores e famílias diz respeito à forma adequada de trabalhar o autismo no ambiente escolar. Por se tratar de um transtorno do desenvolvimento do cérebro, o TEA apresenta diferentes níveis de necessidade de suporte e múltiplas especificidades, o que exige preparo técnico, sensibilidade e informação qualificada.

“Estamos focando especialmente na área de ensino, envolvendo não apenas a rede estadual e municipal, mas também a rede particular, para capacitar os profissionais e repassar informações a respeito das pessoas com Transtorno do Espectro Autista. É fundamental que saibam como lidar com o aluno, inclusive em situações de crise”, pontuou a desembargadora.

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O desafio é amplo. Alguns estudantes com TEA podem apresentar hipersensibilidade ao toque, ao barulho ou ao excesso de luz. Em muitos casos, a comunicação e a interação social também são impactadas, o que demanda estratégias pedagógicas adaptadas, ambientes acolhedores e profissionais preparados para interpretar comportamentos que, à primeira vista, podem ser mal compreendidos.

A desembargadora pontua ainda que o processo de formação específica ainda é um obstáculo recorrente e, por isso, a ideia é promover debates entre educadores. Episódios de incompreensão quanto a reações sensoriais ou dificuldades de socialização evidenciam a necessidade de capacitação contínua, não apenas para garantir a permanência do aluno na escola, mas para assegurar seu desenvolvimento.

Nesse cenário, a desembargadora destaca que o Poder Judiciário assume papel que ultrapassa a atuação processual. “Ao promover eventos formativos e articular parcerias institucionais, o Tribunal busca fortalecer uma cultura de respeito, inclusão e efetivação de direitos. A proposta é levar informação tanto aos operadores do Direito, quanto aos profissionais da educação e à sociedade em geral, ampliando o entendimento”, informou.

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A expectativa é reunir cerca de 1,4 mil participantes nos eventos programados na Capital, entre magistrados, operadores do Direito e profissionais das redes municipal, estadual e privada de ensino nos dias 15 e 16 de março. Ainda neste primeiro semestre, a Comissão projeta a realização de capacitações também nos municípios de Nova Mutum e Tangará da Serra, ampliando o alcance das ações para o interior do estado.

Em 2025, foram realizadas seis edições do TJMT Inclusivo, na capital mato-grossense, em Cáceres, Rondonópolis, Sinop, Sorriso, e Rondonópolis. Em Cuiabá foram realizadas duas edições do evento, destinado à capacitação dos Cuidadores de Alunos com Deficiência (CAD).

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TJMT Inclusivo reunirá 1,4 mil participantes em Cuiabá para debater autismo e direitos de PcD

Autor: Patrícia Neves

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro inicia com debate sobre cuidado e garantias da infância

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A palestra inaugural do 1º Encontro dos Direitos e Garantias Fundamentais de Crianças e Adolescentes na Perspectiva Nacional e Internacional, juntamente com o 5º Encontro Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso, realizada na manhã desta segunda-feira (18), colocou em evidência a Teoria do Cuidado como eixo central para a proteção da infância, destacando o papel do afeto, da convivência familiar e da atuação responsável do sistema de Justiça na garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
Ministrada pelo procurador de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro, Sávio Renato Bittencourt Soares Silva, a conferência enfatizou a necessidade de uma atuação mais humana, ágil e efetiva das instituições na garantia dos direitos da infância e juventude, colocando o cuidado como elemento central das políticas públicas e das decisões do sistema de Justiça.
Durante sua exposição, o palestrante destacou que a proteção integral exige mais do que normas e discursos. Segundo ele, é preciso transformar o afeto em ações concretas de cuidado. “O afeto é invisível; o cuidado é visível. É aquilo que se traduz em presença, atenção e responsabilidade na vida das crianças”, afirmou.
Sávio Bittencourt também chamou a atenção para a necessidade de priorizar a criança como sujeito principal das relações jurídicas e institucionais. Para ele, ainda há uma cultura que privilegia interesses adultos em detrimento da infância. “Precisamos parar de errar a favor do adulto e passar, se for o caso, a errar a favor da criança”, pontuou.
Outro ponto de destaque foi a importância da família como núcleo de proteção e desenvolvimento. O procurador ressaltou que o Estado deve fortalecer políticas públicas voltadas não apenas ao indivíduo, mas à estrutura familiar como um todo. “Uma família que oferece cuidado e afeto garante, na prática, a maioria dos direitos fundamentais da criança”, observou.
A palestra abordou ainda a necessidade de decisões mais céleres em casos envolvendo crianças em situação de vulnerabilidade, a fim de evitar prolongamento de traumas. O palestrante reforçou que profissionais do sistema de justiça e da rede de proteção têm uma missão que vai além do exercício funcional, exigindo sensibilidade, empatia e responsabilidade ética.
Participaram como debatedores o juiz auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e coordenador da Coordenadoria da Infância e Juventude, Túlio Duailibi Alves Souza, e a juíza da 1ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá, Gleide Bispo Santos. A mesa foi presidida pelo procurador de Justiça do MPMT e coordenador do encontro, Paulo Roberto Jorge do Prado.
Durante o debate, a juíza Gleide Bispo Santos destacou a importância da escuta direta no processo de garantia de direitos. “É muito importante ouvi-las. Elas querem falar, elas têm o que dizer”, afirmou, ao defender que o Judiciário construa vínculos com crianças e adolescentes para que se sintam seguras e acolhidas.
O juiz Túlio Duailibi Alves Souza ressaltou que a experiência na área da infância transforma a atuação dos profissionais e evidencia a necessidade de empatia. Ele também enfatizou o papel da família na prevenção de novos conflitos. “Quando a gente consegue restabelecer aquele vínculo, aquele cuidado, aquele afeto, o adolescente volta melhor”.
Já o presidente da mesa, procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, ressaltou o papel das instituições na promoção de uma atuação integrada e comprometida com a efetivação dos direitos fundamentais, destacando que a proteção da infância exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade e responsabilidade social por parte de todos os envolvidos.
Encontro Estadual e Internacional – O encontro é uma iniciativa conjunta do MPMT, por meio da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente e do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf); do Poder Judiciário, por meio da Esmagis, da Escola dos Servidores, da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) e da Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ); e da Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp), com apoio da Fundação Escola de Ensino Superior do Ministério Público (FESMP MT).
Ainda nesta segunda-feira, a programação inclui debate sobre o Serviço de Família Acolhedora em Mato Grosso e palestra internacional sobre crimes digitais envolvendo crianças e adolescentes, ministrada pelo professor espanhol Enrique Jesús Martínez Pérez.
Na terça-feira (19), serão discutidos temas como proteção online e vulnerabilidade digital, o Programa Novos Caminhos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de estratégias de prevenção ao recrutamento de adolescentes por facções criminosas. O encerramento contará com palestra internacional sobre guarda e direito de visitas em contextos de violência de gênero, apresentada por professores da Universidade de Valladolid, na Espanha.
Texto: Julia Munhoz (MPMT) / Fotos: Lucas Figueiredo (TJMT)

Autor: Assessoria

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Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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