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Comissão Judiciária de Adoção orienta profissionais da rede de proteção durante Ribeirinho Cidadão

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Levar informação para quem está na linha de frente do atendimento às famílias foi uma das missões da equipe da Comissão Estadual Judiciária de Adoção de Mato Grosso – Ceja-MT durante os dois primeiros dias(12 e 13 de março) da 19ª edição do Projeto Ribeirinho Cidadão – Rota das Águas, no Distrito de Caramujo, em Cáceres. A Ceja é vinculada à Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso e realiza diversas ações voltadas ao aprimoramento da política de adoção no Estado.

Na localidade, a equipe promoveu palestras e orientações voltadas principalmente a conselheiros tutelares, educadores, profissionais da saúde e integrantes da rede de proteção à infância. O objetivo foi esclarecer dúvidas sobre procedimentos relacionados à adoção, guarda de crianças e à chamada Entrega Legal, quando a mãe decide, de forma voluntária e acompanhada pela Justiça, entregar o filho para adoção.

A psicóloga da Ceja-MT, Aretusa Vanessa de Deus, explica que a proposta é oferecer informações claras para profissionais que lidam diretamente com situações delicadas envolvendo mães, gestantes e crianças. “Nosso público-alvo são educadores, profissionais da saúde e conselheiros tutelares. A proposta é levar orientação e esclarecimento jurídico para esses profissionais que lidam diretamente com mães e gestantes que, por algum motivo, decidem entregar o filho para adoção”, afirmou.

Segundo ela, quando esses profissionais recebem orientação adequada, é possível reduzir dúvidas e evitar situações que podem gerar sofrimento para as famílias. “O principal objetivo, especialmente quando se trata da entrega legal, é oferecer informação clara para que todo o processo aconteça da melhor forma possível. A ideia é evitar situações de abandono e garantir que haja o acolhimento necessário tanto para a mãe, quanto para a criança”, destacou.

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A presença da equipe da comissão nos municípios também facilita o acesso às informações. “Quando levamos essas orientações até eles, evitamos que precisem se deslocar até a capital para buscar esclarecimentos. Assim, ficam mais alinhados em relação aos procedimentos e conseguem repassar corretamente as informações para o público que atendem no dia a dia”, completou a psicóloga.

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Rede de proteção fortalecida

Para quem atua diretamente no atendimento à população, momentos de diálogo com o Judiciário ajudam a alinhar procedimentos e esclarecer dúvidas que surgem no cotidiano de trabalho.

A conselheira tutelar Isabel Santos Batista da Silva, que também é psicóloga, destaca que o trabalho do Conselho Tutelar depende da atuação integrada com diversos órgãos da rede de proteção. “O Conselho Tutelar não trabalha sozinho. Precisamos dessa atuação integrada com o Judiciário e com toda a rede de proteção. Existem muitos casos diferentes, principalmente relacionados à adoção e também à chamada entrega legal ou entrega ilegal de crianças”, explicou.

Segundo ela, uma das principais dificuldades enfrentadas no dia a dia é a falta de informação da população sobre as atribuições de cada órgão. “Muitas famílias procuram o Conselho Tutelar acreditando que podemos conceder guarda da criança, mas isso não é possível. O que podemos fazer é emitir um termo de responsabilidade para um familiar em algumas situações. Ainda assim, existe muita confusão sobre o que compete ao Conselho Tutelar e o que é atribuição do Judiciário”, relatou.

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Para a conselheira, encontros como os promovidos durante o projeto Ribeirinho Cidadão contribuem para melhorar o atendimento à população. “Recebemos muitas ligações de pais, avós e outros parentes perguntando o que fazer em determinadas situações. Por isso, momentos de diálogo e esclarecimento com o Judiciário ajudam muito a alinhar as informações”, afirmou.

O Projeto Ribeirinho Cidadão – Rota das Águas é realizado há quase duas décadas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por meio da Justiça Comunitária, em parceria com a Defensoria Pública do Estado e diversas instituições públicas e privadas. A iniciativa leva serviços essenciais a comunidades de difícil acesso, permitindo que moradores resolvam em poucas horas demandas que, em condições normais, poderiam levar dias ou meses.

Nesta edição, após os atendimentos no Distrito de Caramujo, a ação segue para os municípios de Vale de São Domingos, nos dias 15 e 16 de março, e Reserva do Cabaçal, nos dias 18 e 19 de março.

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Autor: Roberta Penha/Luiz Vieira

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Aprimoramento do suporte pedagógico e valorização de potencialidades marcam debate sobre inclusão

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A inclusão escolar ultrapassa a dimensão técnica e demanda a construção de um ambiente pautado pela empatia, pela escuta e pela compreensão das diferenças. A reflexão é do professor Agnaldo Fernandes, um dos mais de mil participantes do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Com 24 anos de atuação na rede pública de ensino em Cuiabá e Várzea Grande, o educador destacou que o processo inclusivo se consolida, sobretudo, na convivência e no envolvimento de toda a comunidade escolar. “Existe também um trabalho importante com os demais estudantes, para que compreendam as diferenças e participem, respeitem e entendam. Exige preparo, sensibilidade e tempo”, afirmou.

A vivência em sala de aula, como professor de Artes, também revela o potencial expressivo dos estudantes atípicos quando encontram estímulos adequados. Segundo o professor Agnaldo Fernandes, há um envolvimento natural dos educadores em buscar estratégias mais direcionadas, especialmente em áreas como as artes, onde muitos alunos demonstram habilidades significativas. “A gente se apega muitas vezes, quer trabalhar de uma forma mais específica, mais enfática, pra que ele consiga se desenvolver, principalmente na minha área, que tem crianças que conseguem ter um potencial incrível na área de artes. Alguns autistas, por exemplo, conseguem trabalhar pintura, o faz de conta, uma série de elementos da arte que são interessantíssimos”, relatou.

No entanto, o tempo limitado e a dinâmica da rotina escolar acabam impondo barreiras à continuidade desse trabalho mais aprofundado. “Só que você tem muito pouco tempo pra trabalhar, aí você tem a próxima turma e a próxima turma e a próxima turma”, acrescentou, ao destacar a dificuldade de conciliar a atenção individualizada com a demanda de múltiplas turmas ao longo do dia.

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Ainda assim, o compromisso dos professores se mantém como um dos pilares da inclusão. O educador enfatiza que há um esforço contínuo para oferecer o melhor atendimento possível, mesmo diante das limitações estruturais. “A gente se esforça muito, tenta fazer o máximo, mas a gente gostaria que tivesse mais um apoio, um espaço específico pra aqueles que precisam, porque são seres humanos que necessitam de um acompanhamento maior”, afirmou.

Para ele, a ampliação desse suporte pode representar um avanço significativo não apenas no processo de aprendizagem, mas também na construção de perspectivas futuras para esses estudantes. “Esse apoio mais estruturado permitiria que eles se desenvolvessem melhor e pudessem, futuramente, estar no mercado de trabalho de uma forma muito mais efetiva”, concluiu.

Promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o evento foi realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, reunindo mais de 2,1 mil participantes, entre coordenadores escolares, professores e cuidadores de alunos com deficiência. A iniciativa, conduzida pela vice-presidente do TJMT e presidente da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, reafirma o compromisso institucional do Judiciário mato-grossense com a promoção de direitos e com o fortalecimento de práticas inclusivas alinhadas às demandas sociais.

TJMT Inclusivo

O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade, e dá cumprimento à Resolução nº 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência no âmbito do Judiciário. A iniciativa também está em consonância com a Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

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Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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