Tribunal de Justiça de MT

Nova diretoria da Feccomat assume com desafio de fortalecer sistema prisional em MT

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A necessidade urgente de mudanças no sistema prisional de Mato Grosso marcou a posse da nova diretoria da Federação dos Conselhos da Comunidade do Estado de Mato Grosso (Feccomat), realizada na tarde desta quarta-feira (25) na sede do Tribunal de Justiça. O evento reuniu autoridades do Judiciário e representantes da sociedade civil em um momento que destacou a importância da atuação conjunta para garantir dignidade e ressocialização às pessoas privadas de liberdade.

A nova gestão assume com o desafio de ampliar a presença dos Conselhos da Comunidade em todas as comarcas do estado e contribuir diretamente com a implementação do Plano Estadual Pena Justa, voltado ao enfrentamento das condições degradantes nas unidades prisionais.

Sistema prisional em alerta

Durante a solenidade, o desembargador Orlando Perri, supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), fez um diagnóstico sobre a situação atual. Segundo ele, das 41 unidades prisionais do Estado, 20 estão interditadas e outras 10 correm risco de interdição. “O sistema vive um crescimento contínuo da população carcerária, enquanto a criação de vagas não acompanha essa demanda. A conta chegou. Não temos mais tempo para aprender, precisamos agir”, afirmou.

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O magistrado também destacou a precariedade nas condições oferecidas aos detentos e a necessidade de medidas urgentes, como a implantação de ouvidorias no sistema prisional e a realização de audiência pública para discutir soluções com a sociedade.

Fortalecimento dos conselhos

Coordenador do GMF/TJMT, o juiz Geraldo Fidelis ressaltou que a Feccomat terá papel estratégico na organização e fortalecimento dos Conselhos da Comunidade em todo o estado. “A Federação vai estruturar os conselhos onde já existem e criar onde ainda não foram implementados. Esse é um órgão essencial da execução penal, que fiscaliza unidades, promove a integração com a sociedade e contribui para que as pessoas não retornem ao sistema prisional”, explicou.

Segundo ele, a atuação conjunta com o Judiciário permitirá avanços em áreas como trabalho, educação, saúde e assistência às famílias dos detentos, fatores considerados fundamentais para a reintegração social.

Nova gestão e desafios

Ao assumir a presidência da Feccomat, Bruno de Jesus Barros destacou que o momento exige organização e planejamento para ampliar a atuação da entidade. “Nosso foco será apoiar os conselhos, fortalecer os já existentes e criar novos onde ainda não há. Vamos começar com um levantamento em todo o estado para identificar essa realidade e traçar um plano estratégico”, afirmou.

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Ele também destacou a importância da participação da Federação no debate sobre o sistema prisional brasileiro. “Vivemos um cenário desafiador, e a Federação tem papel essencial nesse processo de transformação”, completou.

Diretoria empossada

A nova diretoria da Feccomat, com mandato de um ano, é composta pelos seguintes membros:

  • Presidente: Bruno de Jesus Barros
  • Vice-presidente: Ana Lohmann (Concep Cuiabá e Várzea Grande)
  • Secretário: Maury Borges da Silva (Concep Cuiabá e Várzea Grande)
  • Tesoureiro: Luiz Camilo Nunes (Concep Cáceres)
  • Subsecretário: Agenor Sales da Silva (Pastor Júnior Carrapicho – Concep Cuiabá e Várzea Grande)

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Pai Presente: privados de liberdade reconhecem paternidade durante audiência online em Cáceres

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Dois pais privados de liberdade deram um passo decisivo, nesta terça-feira (4), para fazer parte da vida de suas filhas. Durante audiências de reconhecimento espontâneo de paternidade realizadas pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Comarca de Cáceres (218km de Cuiabá), ambos garantiram às crianças o direito de terem o nome do pai e dos avós paternos na certidão de nascimento.
As audiências integram a programação do Mutirão Pai Presente, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com os tribunais de Justiça de todo o país, entre os dias 3 e 7 de julho. As audiências foram realizadas por videoconferência com os pais, que estão custodiados na Cadeia Pública de Cáceres. A sessão foi conduzida pela mediadora Débora Ferreira da Silva Lizieri, com a participação do defensor público Antônio Góes de Araújo.
Embora compartilhem a mesma condição de privação de liberdade e de terem conhecido as filhas por meio de uma tela de computador, suas histórias têm caminhos diferentes.
Na primeira audiência, um pai já maduro, que vive em união estável com a mãe da criança desde junho de 2025, mas foi preso cerca de dois meses antes do nascimento da menina, ocorrido em 10 de julho deste ano. Não acompanhou a reta final da gestação, o parto e nem pôde segurá-la nos braços.
Logo após a assinatura do termo de reconhecimento, fez uma pergunta emocionada: “Posso ver minha filha?” Sua mulher então mostrou a bebê para ele, que chorou e fez uma oração, pedindo a Deus que cuidasse da menina e que ela nunca se esquecesse dele.
Além do reconhecimento da paternidade, o casal solicitou a formalização da união estável, existente desde junho de 2025. A medida permitirá que a mãe seja orientada pela Defensoria Pública para requerer autorização judicial para visitar o pai na unidade prisional com a criança, possibilitando o primeiro encontro presencial entre os dois.
Na segunda audiência, um jovem pai também viu pela primeira vez a filha, nascida em 10 de junho de 2026. Diferentemente do primeiro caso, os jovens pais não mantêm um relacionamento. Após o reconhecimento voluntário, a mãe foi orientada a procurar a Defensoria Pública para receber assistência jurídica quanto ao pedido de pensão alimentícia, garantindo à criança todos os direitos decorrentes da filiação.
Em ambos os casos, o reconhecimento foi consensual, dispensando a necessidade de uma ação judicial.
Com a homologação dos acordos, o Poder Judiciário de Mato Grosso encaminhará os termos aos cartórios para inclusão do nome dos pais e dos avós paternos nos registros civis das crianças.
Como os casos chegaram ao Cejusc
As duas situações tiveram origem nos próprios cartórios de registro civil. Durante o atendimento, as mães informaram o nome completo e o endereço dos supostos pais. O cartório enviou os dados para o Poder Judiciário, que viabilizou o reconhecimento da paternidade por meio do Mutirão Pai Presente.
A conciliadora Débora Ferreira da Silva Lizieri explica que esse procedimento é comum. “De 100% dos casos de investigação de paternidade, cerca de 30% terminam em reconhecimento espontâneo. Esses dois exemplos ocorreram porque os pais estavam privados de liberdade e não puderam estar presentes no momento do registro da criança no cartório.”
Tecnologia que garante direitos
O defensor público Antônio Góes de Araújo destacou que a realização das audiências por videoconferência permitiu assegurar um direito fundamental às crianças. “Graças à tecnologia conseguimos realizar as audiências de forma remota. O nome do pai no registro de nascimento é importante para as crianças, para o reconhecimento da sua origem e, em última análise, é uma situação que promove unidade familiar.”
Direito à identidade
O Mutirão Pai Presente busca ampliar o acesso ao reconhecimento voluntário de paternidade em todo o Brasil, garantindo às crianças e aos adolescentes o direito à identidade, à convivência familiar e aos direitos decorrentes da filiação, como alimentos, herança e benefícios previdenciários.
Em Mato Grosso, todas as comarcas participam da mobilização ao longo desta semana, oferecendo atendimento para reconhecimento espontâneo de paternidade, mediação e orientação às famílias.

Autor: Marcia Marafon

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Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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