Agro News

Milho avança na B3, mas mercado físico segue travado no Brasil e recua em Chicago

Publicado

Mercado de milho apresenta cenários distintos entre Brasil e exterior

O mercado de milho iniciou a semana com movimentos divergentes entre os ambientes interno e externo, refletindo fatores como clima, logística, demanda e expectativa por novos dados oficiais.

De acordo com análise da TF Agroeconômica, os contratos futuros avançaram na B3, enquanto o mercado físico apresentou menor dinamismo. No cenário internacional, os preços recuaram na Bolsa de Chicago, diante da cautela dos investidores.

B3 registra alta impulsionada por atraso no plantio

Na B3, os contratos futuros do milho tiveram valorização, sustentados principalmente pelos atrasos no plantio e pelas preocupações com impactos na produtividade, em um cenário de demanda aquecida.

Os principais vencimentos — maio, julho e setembro de 2026 — registraram ganhos tanto no dia quanto no acumulado da semana. Ainda assim, na abertura desta terça-feira (31), o mercado operava em campo misto, com cotações próximas da estabilidade.

Por volta das 10h (horário de Brasília), os preços variavam entre R$ 72,60 e R$ 76,98:

  • Maio/26: R$ 73,52 (-0,24%)
  • Julho/26: R$ 72,60 (+0,12%)
  • Setembro/26: R$ 72,93 (estável)
  • Janeiro/27: R$ 76,98 (+0,27%)
Mercado físico segue travado com pressão da oferta

Apesar da alta nos futuros, o mercado físico brasileiro apresentou fraqueza na semana anterior. Em Campinas (SP), referência para o indicador, os preços recuaram com o avanço da colheita da safra de verão, que elevou a oferta disponível.

Leia mais:  Confinamento bovino sob pressão: adaptação sanitária dos lotes define desempenho e custo por arroba na pecuária intensiva

Por outro lado, algumas regiões ainda registram sustentação nas cotações, influenciadas pela postura firme dos produtores e pelas incertezas logísticas, que limitam a fluidez dos negócios.

Sul enfrenta baixa liquidez e impasse nas negociações

No Rio Grande do Sul, o mercado segue com baixa liquidez e negociações pontuais, mesmo com a colheita avançando acima da média histórica.

Em Santa Catarina, o cenário é semelhante, marcado pelo impasse entre os preços pedidos pelos vendedores e os ofertados pelos compradores.

Já no Paraná, o mercado permanece travado, com diferença entre valores e pressão climática sobre a segunda safra, o que pode impactar o potencial produtivo.

Centro-Oeste enfrenta desafios climáticos e logísticos

No Mato Grosso do Sul, a semeadura perdeu ritmo devido às chuvas recentes, enquanto o mercado tenta se recuperar após quedas anteriores, ainda com negociações seletivas.

O setor de bioenergia segue como importante fator de sustentação da demanda, embora o ambiente permaneça competitivo e com baixa fluidez nas negociações.

Chicago recua com ожидativa por dados do USDA

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros do milho iniciaram a terça-feira em leve queda.

Por volta das 9h44 (horário de Brasília), os preços registravam recuos:

  • Maio/26: US$ 4,54 (-1,50 ponto)
  • Julho/26: US$ 4,65 (-2 pontos)
  • Setembro/26: US$ 4,67 (-2,50 pontos)
  • Dezembro/26: US$ 4,81 (-2,50 pontos)

O movimento reflete a postura cautelosa dos investidores, que aguardam os relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos sobre área de plantio e estoques trimestrais, considerados fundamentais para definir a direção dos preços no curto prazo.

Leia mais:  ApexBrasil aponta mercados alternativos para exportações da Região Norte frente a tarifas dos EUA
Expectativas para safra dos EUA influenciam mercado

Analistas projetam redução na área plantada de milho nos Estados Unidos em relação ao recorde do ano anterior, quando o cultivo atingiu 98,79 milhões de acres.

A estimativa média do mercado aponta para cerca de 94,371 milhões de acres, levemente acima da previsão de fevereiro do USDA, de 94 milhões de acres.

Esse cenário reforça a incerteza quanto à oferta global e mantém os investidores atentos aos próximos movimentos do mercado.

Exportações dão suporte ao equilíbrio do mercado

No cenário externo, o ritmo das exportações segue como fator positivo. Os embarques na primeira metade de março apresentaram bom desempenho, com volumes diários superiores aos registrados no mesmo período do ano passado.

Esse fator contribui para o equilíbrio do mercado, mesmo diante das oscilações recentes.

Perspectivas: mercado deve seguir sensível a clima e dados oficiais

A tendência para o mercado de milho é de continuidade da volatilidade, com os preços reagindo a fatores como clima, andamento da safra, logística e divulgação de dados oficiais.

No Brasil, o ritmo de comercialização deve seguir travado no curto prazo, enquanto produtores mantêm postura cautelosa. Já no cenário internacional, os relatórios do USDA serão decisivos para orientar o comportamento dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

Publicado

Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

Leia mais:  Boletim do Cepea aponta queda nas exportações e instabilidade nos preços do suíno em julho de 2025

Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

Leia mais:  Serpro lança ferramenta para agilizar crédito rural com foco em sustentabilidade

Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana