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Crise global de fertilizantes ameaça safra de verão no Brasil e pressiona custos do milho

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Fertilizantes entram em fase crítica com tensão geopolítica e oferta limitada

O mercado de fertilizantes voltou a acender sinal de alerta no Brasil diante do aumento das incertezas globais envolvendo oferta e preços dos insumos agrícolas. O cenário é influenciado pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que tem pressionado cadeias logísticas e ampliado a volatilidade no comércio internacional.

De acordo com análise de mercado da S&P Global, os produtores brasileiros enfrentam um ambiente mais desafiador justamente no período que antecede o plantio da safra de verão, previsto para outubro.

O estudo aponta que os preços dos fertilizantes nitrogenados já acumulam alta superior a 60%, enquanto os fosfatados seguem com oferta global restrita, o que dificulta a recomposição de estoques no curto prazo.

Custos em alta e margens apertadas aumentam risco para o produtor rural

O aumento dos insumos ocorre em um momento sensível para o agronegócio brasileiro, que já opera com margens pressionadas por custos elevados, juros altos e maior inadimplência em algumas regiões produtoras.

Esse cenário reduz a capacidade de expansão de área e força produtores a reavaliar o nível tecnológico aplicado nas lavouras, especialmente no uso de fertilizantes, que têm impacto direto na produtividade.

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A combinação de custos elevados e incerteza de abastecimento reforça a preocupação do setor com a viabilidade econômica da próxima safra de verão.

Milho de verão é a cultura mais exposta ao risco de redução de investimento

Entre as principais culturas, o milho de verão aparece como o mais vulnerável ao cenário atual. A possibilidade de redução na aplicação de nutrientes pode afetar tanto a área plantada quanto o potencial produtivo das lavouras.

Segundo o relatório, mesmo uma eventual normalização rápida do conflito não seria suficiente para eliminar os impactos imediatos, já que o mercado de fertilizantes depende de ciclos logísticos mais longos.

A recomposição da oferta global poderia levar cerca de quatro meses, o que coloca pressão sobre a janela crítica de importação entre abril e agosto, período decisivo para o abastecimento brasileiro.

China, Rússia e Marrocos sustentam oferta, mas logística segue limitada

No segmento de nitrogenados, a China permanece como principal fornecedora do Brasil, mas restrições às exportações impostas recentemente limitam o alívio no curto prazo.

Já no caso dos fosfatados, países como Marrocos e Rússia têm potencial para ampliar embarques, embora o mercado global de enxofre continue apertado, dificultando a expansão da produção.

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Essa limitação estrutural mantém o mercado internacional sob pressão e reduz a previsibilidade de oferta para o Brasil nos próximos meses.

Clima adiciona variável ao cenário da próxima safra

Além do fator fertilizantes, o comportamento climático também entra no radar do mercado. A possível consolidação do fenômeno El Niño pode gerar efeitos distintos sobre as regiões produtoras.

Enquanto o Sul do Brasil poderia se beneficiar de menor risco de perdas por seca em determinados períodos, estados do Norte e Nordeste tendem a enfrentar maior irregularidade de chuvas, o que pode agravar o risco produtivo.

Conclusão: janela de importação será decisiva para safra 2026/27

O mercado de fertilizantes entra em um dos momentos mais sensíveis dos últimos anos, com custos elevados, oferta global restrita e risco logístico crescente.

Os próximos meses serão determinantes para o abastecimento da safra de verão, especialmente para o milho, que segue como a cultura mais exposta às variações de custo e disponibilidade de insumos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pecuária intensiva avança no Brasil e estudo da Cargill analisa recorde de 2,7 milhões de animais confinados

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A pecuária intensiva brasileira segue avançando em produtividade, tecnologia e gestão. A edição 2026 do Benchmarking Confinamento Probeef, desenvolvido pela Cargill Nutrição e Saúde Animal, registrou um novo recorde ao analisar 2,7 milhões de animais confinados, reforçando a dimensão e a tecnificação do setor no Brasil.

O levantamento representa cerca de 27% de todo o mercado nacional de confinamento bovino e consolida a maior base de dados sobre pecuária intensiva da América Latina.

Ao longo dos últimos dez anos, o estudo acumulou números expressivos:

  • mais de 11,7 milhões de cabeças avaliadas;
  • cerca de 110 mil lotes monitorados;
  • participação de 300 confinamentos no Brasil, Bolívia e Paraguai.

A maior concentração dos rebanhos avaliados permanece nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, principais polos da pecuária de corte intensiva.

Brasil fortalece liderança global na produção de carne bovina

O avanço do confinamento acompanha a expansão da produção nacional de carne bovina.

Segundo os dados apresentados no estudo, o Brasil alcançou no último ano a posição de maior produtor mundial de carne bovina, com produção estimada em 12,35 milhões de toneladas.

No mesmo período, o confinamento brasileiro praticamente dobrou de tamanho, atingindo aproximadamente 10 milhões de cabeças terminadas em sistema intensivo.

De acordo com Felipe Bortolotto, gerente de Tecnologia para Gado de Corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal, a transformação da atividade nos últimos anos foi marcada pela adoção crescente de ciência, dados e tecnologia no manejo pecuário.

Pecuária intensiva ganha escala e eficiência operacional

A edição de 2026, baseada em dados consolidados de 2025, revela a diversidade do confinamento brasileiro, abrangendo desde estruturas com mil animais até operações superiores a 90 mil cabeças.

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Entre os principais indicadores observados no levantamento estão:

  • 89,75% dos animais confinados são machos;
  • peso médio de entrada de 377 quilos;
  • permanência média de 112 dias no cocho.
  • As raças predominantes seguem sendo:
  • Nelore;
  • cruzamentos industriais;
  • F1 Angus.
Tecnologia e gestão impulsionam produtividade no confinamento

O estudo mostra avanço significativo da profissionalização da pecuária intensiva brasileira, especialmente na gestão operacional e no uso de tecnologia.

Entre os destaques do Benchmarking Probeef estão:

  • Uso de softwares de gestão cresce no confinamento

Atualmente, 95% dos confinamentos analisados utilizam softwares de gestão operacional.

Nos sistemas mais eficientes do país, classificados entre os Top 10%, o índice de adoção tecnológica chega a 100%.

Produtividade da mão de obra aumenta 25%

A eficiência operacional também avançou nos últimos cinco anos.

A produtividade média por colaborador passou de 425 animais por funcionário em 2021 para 529 animais em 2025, crescimento de aproximadamente 25%.

Bem-estar animal ganha espaço nas propriedades

O levantamento aponta ainda maior preocupação dos confinamentos com infraestrutura voltada ao bem-estar animal.

Entre os sistemas avaliados:

  • 55% possuem irrigação nos currais;
  • 54% dos confinamentos Top 10 utilizam automação de trato e controle operacional.
Dietas de alta energia avançam na pecuária intensiva

Outro destaque é o crescimento do uso de dietas de alta densidade energética.

Segundo o estudo, 25% das operações já utilizam a chamada Dieta Fast, estratégia nutricional sem uso de volumoso, focada em maior eficiência produtiva.

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Confinamentos mais eficientes reduzem custos e aumentam desempenho

Os sistemas classificados entre os 10% mais eficientes apresentam indicadores superiores em diferentes áreas da operação.

Entre os diferenciais observados estão:

  • maior espaço por animal nos currais;
  • protocolos mais longos de adaptação alimentar;
  • uso de leitura noturna de cocho;
  • maior controle operacional.

Segundo o levantamento, 77,3% dos confinamentos Top 10 utilizam 21 dias de adaptação alimentar, enquanto metade das operações adota leitura noturna de cocho para ajuste das dietas.

Como resultado, esses sistemas alcançam eficiência biológica 8% superior à média geral do estudo.

Além disso, a economia chega a 11,66 quilos de matéria seca por arroba produzida, o que representa redução aproximada de R$ 120 por cabeça nas condições atuais de mercado.

Inteligência de dados deve transformar ainda mais a pecuária brasileira

Para a Cargill, o futuro do confinamento brasileiro passa pela integração entre nutrição de precisão, inteligência de dados e inovação tecnológica.

A expectativa é de ampliação da base de informações do Benchmarking Probeef nos próximos anos, aprofundando análises que auxiliem produtores na tomada de decisões mais eficientes e sustentáveis.

O avanço da tecnificação reforça o movimento de modernização da pecuária brasileira, que busca aumentar produtividade, reduzir custos e ampliar competitividade no mercado global de carne bovina.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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