Saúde

Brasil apresenta à OMS as experiências nacionais no enfrentamento das leishmanioses

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Para milhares de pessoas que convivem com a leishmaniose, o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento adequado representa a possibilidade de uma vida com mais qualidade e cuidado. Essa perspectiva esteve entre os temas debatidos nesta segunda-feira (15), durante a primeira visita técnica conjunta da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) dedicada às leishmanioses no Brasil.

Realizado em Brasília, o encontro reúne, entre os dias 15 e 19 de junho, especialistas, gestores, pesquisadores e representantes da sociedade civil para conhecer as estratégias desenvolvidas pelo país no enfrentamento da doença e discutir caminhos para fortalecer as ações de prevenção, vigilância, diagnóstico e assistência às pessoas afetadas.

Para a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, a visita representa uma oportunidade de compartilhar experiências e fortalecer a cooperação internacional. “Esperamos que a experiência do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil seja útil para a luta global contra as leishmanioses, mas também que esta visita técnica nos ajude a encontrar soluções para desafios que ainda não conseguimos superar”, afirmou.

A secretária ressaltou ainda a importância da participação social na construção das políticas públicas de saúde. Segundo ela, o SUS conta com mecanismos que garantem a contribuição da sociedade civil no planejamento, na implementação e na avaliação das ações de saúde, fortalecendo a resposta às doenças tropicais negligenciadas.

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Nessa linha, o presidente da Associação Brasileira de Portadores de Leishmaniose (AbrapLEISH), Alexandre Lago, compartilhou a perspectiva sobre a doença, além de destacar a importância de ampliar o acesso à informação, ao diagnóstico oportuno e ao cuidado em saúde. “O diagnóstico oportuno faz toda a diferença na vida das pessoas. Quanto mais conseguimos ampliar o acesso à informação, aos serviços de saúde e ao cuidado adequado, maiores são as chances de reduzir os impactos da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, afirmou.

Alinhada ao Plano de Ação Regional contra a Leishmaniose e ao Roteiro da OMS para Doenças Tropicais Negligenciadas 2021-2030, a missão permitirá que representantes da OMS e da OPAS conheçam de perto as estratégias adotadas pelo Brasil para enfrentar a doença. Entre as experiências apresentadas estão a ampliação do acesso ao diagnóstico, a incorporação de novas tecnologias e o fortalecimento da assistência aos pacientes. A programação prevê ainda uma visita técnica a Montes Claros (MG), município que compartilhará experiências bem-sucedidas nas áreas de vigilância entomológica, controle vetorial, assistência e prevenção da leishmaniose. 

A representante da OPAS/OMS, Ana Lucianez, destacou a articulação entre governo, profissionais de saúde, pesquisadores e movimentos sociais como um dos diferenciais observados no Brasil. “É muito gratificante ver como todos trabalham em conjunto. A participação da sociedade civil é fundamental para enfrentar as doenças tropicais negligenciadas e garantir que elas deixem de ser invisibilizadas”, afirmou.

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O cientista do Programa de Leishmanioses da OMS, Saurabh Jain, lembrou que o Brasil reúne experiências relevantes para toda a região das Américas. Segundo ele, a visita representa uma oportunidade para conhecer iniciativas que possam contribuir para o fortalecimento das ações de enfrentamento da doença em outros países.

Avanços no enfrentamento da doença

Nas Américas, a leishmaniose permanece como um importante desafio de saúde pública, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social e de difícil acesso aos serviços de saúde. Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde tem ampliado investimentos em vigilância, assistência, prevenção e controle da doença.

Entre as estratégias adotadas estão a descentralização do teste rápido para leishmaniose visceral na Atenção Primária à Saúde, a incorporação de novos medicamentos, a implementação de abordagens inovadoras para o tratamento da leishmaniose tegumentar e o fortalecimento da vigilância epidemiológica e laboratorial.

O país também investe em medidas de prevenção, como o uso de coleiras impregnadas com inseticida em cães de áreas endêmicas, estratégia que contribui para reduzir a transmissão da leishmaniose visceral, além da avaliação de novas tecnologias voltadas à proteção individual da população.  

João Moraes
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Durante congresso em Brasília, ministro da Saúde destaca papel das instituições filantrópicas na assistência pelo SUS

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, nesta quinta-feira (20), do encerramento do 34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, em Brasília (DF). Com o tema “Saúde: a escolha que transforma o País”, o fórum reuniu gestores, especialistas, autoridades públicas e sociedade civil para tratar de estratégias de fortalecimento do SUS e da assistência hospitalar filantrópica.

Durante o congresso, Padilha apresentou a previsão de acréscimo de R$ 450 milhões no Teto MAC dessas instituições no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. Com o reforço de 45%, o valor previsto passará de R$ 1 bilhão para R$ 1,45 bilhão, contribuindo para a continuidade dos atendimentos prestados à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“As Santas Casas têm um papel decisivo na assistência à população. Elas não representam apenas o cuidado em saúde, mas também geram empregos e movimentam a economia local. Nosso desafio é construir um novo modelo de financiamento que permita que os recursos cheguem rapidamente aos hospitais filantrópicos, ajude a organizar os serviços e garanta a sustentabilidade dessas instituições, porque fortalecer as Santas Casas é fortalecer o SUS”, afirmou Padilha.

As Santas Casas e os hospitais filantrópicos estão presentes em 1.317 municípios. Ao todo, são 1.846 unidades sem fins lucrativos com produção hospitalar registrada no SUS. Essas instituições representam 25% dos hospitais do país, corresponder por 40% dos leitos do SUS e realizam cerca de 60% dos atendimentos do sistema público.

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A atuação das instituições também é expressiva em áreas de alta complexidade. Em 2025, os hospitais filantrópicos realizaram 5,1 milhões dos 14,9 milhões de procedimentos cirúrgicos eletivos registrados no SUS. Entre 2012 e maio de 2026, as entidades sem fins lucrativos também responderam por 59,7% dos transplantes realizados pelo sistema público.

34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos

Ao longo de três dias, o 34º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos promoveu a troca de experiências e a construção de soluções voltadas à qualificação da gestão, ao financiamento do setor, à inovação e à ampliação do acesso da população aos serviços de saúde.

O evento reforça que as Santas Casas e hospitais filantrópicos são responsáveis por uma grande parcela dos atendimentos prestados à população do SUS, incluindo consultas, exames, internações, cirurgias, tratamentos oncológicos e transplantes. O encontro também destaca a parceria entre o poder público e a rede filantrópica como fundamental para ampliar o acesso e qualificar a assistência em todo o país.
 
 SUS reforça apoio às Santas Casas e hospitais filantrópicos

 O fortalecimento das Santas Casas e dos hospitais filantrópicos inclui ações para apoiar o custeio da assistência, melhorar as condições de financiamento e garantir a continuidade dos atendimentos prestados à população. Entre elas está a execução da Portaria GM/MS nº 9.760/2025, que estabeleceu R$ 1 bilhão para entidades sem fins lucrativos que atendem pelo SUS, por meio do programa Agora Tem Especialistas. Desse montante, R$ 800 milhões já foram repassados, em duas parcelas de R$ 400 milhões, e outros R$ 208,4 milhões serão destinados às maternidades filantrópicas.

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O repasse às maternidades será distribuído de forma proporcional à atuação de cada estabelecimento, combinando uma parcela fixa, definida conforme o porte assistencial de cada unidade, e outra variável, calculada de acordo com o número de partos realizados. O formato contempla tanto hospitais com grande volume de atendimentos quanto maternidades menores, essenciais para garantir o acesso ao parto e ao nascimento em diferentes regiões. 

Somado a isso, foi sancionada a Lei nº 2465/2026, que prorrogou até 2030 o uso de recursos do FGTS para financiar Santas Casas, hospitais filantrópicos e instituições sem fins lucrativos que atuam no SUS. A medida também reabriu o Programa Caixa Hospitais FGTS, ampliando o acesso dessas entidades a linhas de crédito para investimentos e expansão dos serviços. 

A nova etapa do programa já contemplou importantes instituições do país, como o Instituto do Câncer do Ceará, a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia e a Santa Casa de Misericórdia de Barretos. Além disso, o Ministério da Saúde e a Caixa firmaram parceria para impulsionar a contratação dos recursos ainda disponíveis, estimados em R$ 2,1 bilhões. 

Eduarda Paixão
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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