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Milho de segunda safra reduz impacto ambiental e reforça sustentabilidade do etanol no Brasil, aponta estudo da Nature

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Um estudo publicado na revista científica npj Sustainable Agriculture, do grupo editorial Nature, aponta que o milho de segunda safra apresenta baixo impacto na mudança de uso da terra no Brasil e contribui para a redução da pegada de carbono associada à produção agrícola e ao etanol de milho.

A pesquisa demonstra que o sistema produtivo brasileiro — baseado no cultivo do milho após a soja na mesma área e ano agrícola — vem se consolidando como um modelo mais eficiente, capaz de ampliar a produção sem necessidade de expansão significativa de novas áreas agrícolas.

Sistema de segunda safra reduz pressão por abertura de novas áreas

De acordo com o estudo, o avanço do milho safrinha nas últimas duas décadas quebrou o paradigma de que o aumento da produção agrícola depende da expansão da fronteira agrícola. O modelo contribui para a segurança alimentar, a redução de emissões de gases de efeito estufa e a preservação ambiental.

A análise reforça que a maior parte da expansão ocorreu sobre áreas já consolidadas para a agricultura, o que reduz a pressão por conversão de vegetação nativa e, consequentemente, o desmatamento.

Mapeamento inédito identifica 17,1 milhões de hectares em 2023

O trabalho, conduzido por pesquisadores da Agroicone, Embrapa Meio Ambiente, Canopy, Serasa Experian e Epagri/SC, utilizou imagens de satélite e dados do MapBiomas para mapear áreas de milho de segunda safra no Brasil entre 2003 e 2023.

O levantamento identificou 17,1 milhões de hectares destinados ao cultivo em 2023, um crescimento de 14,4 milhões de hectares em 20 anos, consolidando o sistema de cultivo duplo como um dos principais diferenciais da produção de grãos no país.

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Emissões ligadas ao uso da terra são inferiores a estimativas globais

Com base no método BRLUC2, o estudo estimou emissões entre 0,6 e 0,9 tonelada de CO₂ por hectare ao ano relacionadas à mudança direta de uso da terra (dLUC).

Os valores são de 40% a 57% inferiores às estimativas de metodologias nacionais e até 80% menores do que referências internacionais que não distinguem sistemas de primeira e segunda safra.

Segundo os pesquisadores, a incorporação de mapeamentos mais precisos é essencial para aprimorar os modelos de cálculo de emissões no Brasil e no exterior.

Manejo do solo compensa parte das emissões

O estudo também aponta que práticas de manejo sustentável contribuem para o aumento do armazenamento de carbono no solo, compensando cerca de 20% das emissões associadas à mudança de uso da terra.

Esse fator reforça o papel da agricultura tropical brasileira na mitigação de impactos ambientais e no avanço de sistemas produtivos mais sustentáveis.

Etanol de milho ganha competitividade com menor pegada de carbono

Um dos principais impactos do modelo é observado no setor de biocombustíveis. O etanol produzido a partir do milho de segunda safra apresenta menor intensidade de carbono, sem necessidade de expansão adicional de áreas agrícolas.

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As emissões líquidas associadas ao produto variam entre 2,3 e 5,3 g CO₂ MJ⁻¹ em um horizonte de 20 anos, e entre 0,8 e 1,5 g CO₂ MJ⁻¹ em períodos mais recentes — abaixo dos níveis frequentemente reportados na literatura, que podem chegar a 30 g CO₂ MJ⁻¹.

Para os pesquisadores, os dados reforçam a competitividade ambiental do etanol de milho brasileiro e seu potencial estratégico na agenda global de descarbonização.

Segunda safra reduz pressão sobre desmatamento

Outro resultado relevante do estudo é a redução da necessidade de expansão de fronteiras agrícolas associada ao crescimento da produção de milho.

Entre 2013 e 2023, houve queda de 73% nas emissões anuais líquidas de CO₂ relacionadas à mudança direta de uso da terra, refletindo menor pressão sobre áreas de vegetação nativa.

Agricultura tropical como referência em eficiência produtiva

Os pesquisadores destacam que o sistema de segunda safra reúne dois fatores determinantes para sua baixa pegada de carbono: a ausência de necessidade de abertura de novas áreas e o aumento do sequestro de carbono no solo devido ao cultivo sucessivo.

O estudo conclui que o modelo brasileiro de produção de milho contribui de forma significativa para a integração entre produtividade agrícola, eficiência ambiental e redução de emissões, reforçando o papel do país como referência em agricultura tropical sustentável.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercados globais despencam com tensão geopolítica e apostas no Fed; Ibovespa recua e dólar sobe no Brasil

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Mercados globais operam em forte aversão ao risco nesta terça-feira

Os mercados financeiros internacionais iniciam a terça-feira em clima de forte instabilidade, com queda generalizada nas bolsas da Europa e da Ásia, refletindo o aumento da aversão ao risco global, pressões ligadas às expectativas de política monetária dos Estados Unidos e incertezas geopolíticas no Oriente Médio.

Na Europa, os principais índices operam em baixa nas primeiras horas do pregão. O DAX, da Alemanha, recua cerca de 0,99%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, cai 0,48%. O CAC-40, da França, também apresenta queda de 0,62%, acompanhando o movimento global de correção.

Ásia registra queda forte liderada por tecnologia e temores sobre juros nos EUA

Na Ásia, o pregão foi marcado por perdas mais intensas, com destaque para ações de tecnologia e crescimento das apostas de que o Federal Reserve pode manter juros elevados por mais tempo.

Entre os principais índices:

  • Nikkei (Japão): -3,6%
  • Kospi (Coreia do Sul): -9,99%
  • Hang Seng (Hong Kong): -1,82%
  • SSE Composite (Xangai): -1,4%
  • CSI 300 (China): -2,77%
  • Taiwan Taiex: -1,34%
  • S&P/ASX 200 (Austrália): -0,33%
  • Straits Times (Cingapura): estável

A forte pressão vendedora foi intensificada pela reprecificação de juros nos Estados Unidos. Os rendimentos dos Treasuries voltaram a subir, com o título de 2 anos atingindo o maior nível em 16 meses, reforçando a percepção de manutenção de política monetária restritiva.

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Além disso, a valorização do dólar pressionou commodities e ativos ligados a metais, com queda relevante em setores sensíveis ao ciclo econômico global.

China e Hong Kong seguem tendência global de baixa com foco no Fed e petróleo

As bolsas da China continental e de Hong Kong também encerraram o dia em queda, acompanhando o movimento global.

  • SSE Composite (Xangai): -1,4%
  • CSI 300: -2,8%
  • Hang Seng: -1,8%

O mercado reagiu principalmente às expectativas de elevação ou manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve, além da oscilação dos preços do petróleo após mudanças nas sanções dos Estados Unidos relacionadas ao Irã.

O ambiente de maior aversão ao risco reduziu o apetite por ativos emergentes e pressionou moedas e bolsas asiáticas, ampliando o movimento de realização de lucros.

Ibovespa recua no Brasil com pressão externa e cautela fiscal e monetária

No Brasil, o Ibovespa iniciou o pregão em queda de aproximadamente 1%, operando na faixa de 168,6 mil pontos, acompanhando o cenário negativo das bolsas globais e o movimento de aversão ao risco em tecnologia e commodities.

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O mercado doméstico também reage à divulgação recente da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que reforçou a percepção de juros elevados por um período prolongado.

Indicadores do mercado brasileiro (abertura)
    • Ibovespa: -0,99% (~168.679 pontos)
    • Dólar comercial: +0,66%, em torno de R$ 5,17
    • Juros futuros (DIs): em alta em toda a curva
Destaques corporativos

Petrobras (PETR3/PETR4): oscila com a queda do petróleo no mercado internacional

Vale (VALE3): acompanha volatilidade do minério de ferro na Ásia e fluxo global de investidores

Raízen (RAIZ4): segue entre os papéis mais negociados do setor de energia

Panorama geral dos mercados

O cenário global desta terça-feira é marcado por três vetores principais: aversão ao risco internacional, expectativa de política monetária mais dura nos EUA e volatilidade em commodities estratégicas. Esses fatores combinados pressionam simultaneamente bolsas desenvolvidas e emergentes, com reflexos diretos sobre o desempenho do Ibovespa e do câmbio no Brasil.

A tendência segue sensível a novos sinais do Federal Reserve, aos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio e ao comportamento dos preços de energia e metais ao longo do dia.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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