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Brasil tem espaço para ampliar consumo de etanol em 21 estados, aponta especialista

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O Brasil, dono da maior frota de veículos flex do mundo, ainda apresenta grande concentração geográfica no consumo de etanol hidratado. Hoje, 80% do volume comercializado está restrito a apenas seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — que juntos possuem 55% da frota flex. Os outros 21 estados e o Distrito Federal, que somam 45% dos veículos bicombustíveis, respondem por apenas 20% do consumo nacional.

Segundo Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil, essa concentração representa tanto um desafio logístico quanto uma oportunidade de crescimento.

“Infraestrutura limitada, preços pouco competitivos frente à gasolina e diferenças tributárias regionais explicam boa parte dessa disparidade. Com a reforma tributária prevista para 2027 e a expansão do etanol de milho, o acesso deve melhorar em todo o país”, destaca.

O executivo participou do painel “Expansão global do etanol”, realizado em Sertãozinho (SP) durante a FenaBio, evento integrante da 31ª Fenasucro & Agrocana. O encontro reuniu líderes do setor para discutir o futuro do biocombustível no Brasil e no exterior.

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Mercado interno: grande frota, baixo consumo

De acordo com Ono, 78% da frota brasileira é formada por carros flex, mas apenas 24% abastecem com etanol. Essa diferença de 54 pontos percentuais mostra o potencial de expansão: cada 1% de aumento na participação do etanol no ciclo Otto representa 850 mil m³ adicionais de consumo.

Se a participação subisse de 24% para 30%, seriam 5 milhões de litros a mais no mercado.

Estados como São Paulo (42% de participação) e Mato Grosso (acima de 50%) provam que o aumento é possível. Já em outras regiões, o uso não chega a 8%, e muitos postos nem oferecem bombas de etanol.

Etanol de milho ganha protagonismo

A reforma tributária e a expansão do etanol de milho são vistas como estratégias-chave para reduzir desigualdades no consumo e ampliar a competitividade frente à gasolina.

“A produção de cana está estagnada há mais de dez anos, mas o milho cresce rapidamente e já chega a estados sem tradição canavieira, reduzindo custos logísticos”, afirma Ono.

Na safra 2024/25, a produção de etanol de cana caiu 2%, para 26,76 bilhões de litros, enquanto a de milho subiu 31%, atingindo 8,19 bilhões de litros, segundo a SCA Brasil. Para 2025/26, a UNEM projeta um recorde de 10 bilhões de litros.

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Perspectivas globais e oportunidades

O debate também apontou o potencial do Brasil no cenário internacional, incluindo o uso do etanol na navegação marítima, a produção de combustíveis sustentáveis para aviação (SAFs) e políticas de mistura de renováveis a combustíveis fósseis em outros países.

Para Ono, o Brasil segue como a maior fronteira de expansão do etanol no mundo, e o fortalecimento do mercado interno será essencial para absorver a produção crescente.

Desafio na comunicação com o consumidor

Apesar dos avanços regulatórios, como o aumento para 30% de mistura de etanol anidro na gasolina (E30) e a monofasia do imposto federal, Ono acredita que a comunicação com o consumidor ainda é falha.

“Falamos muito sobre os benefícios dos biocombustíveis, mas comunicamos mal. O público precisa conhecer todas as vantagens do etanol”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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ABCS propõe novas linhas de crédito e ampliação do INOVAGRO para o Plano Safra 2026/27

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A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) encaminhou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma série de propostas para o Plano Safra 2026/2027. O documento reúne sugestões voltadas à ampliação do crédito rural, modernização das granjas e fortalecimento da competitividade da suinocultura brasileira.

As medidas defendidas pela entidade buscam adequar as linhas de financiamento às necessidades do setor, que demanda investimentos constantes em tecnologia, biosseguridade, automação e bem-estar animal.

Entre os principais pontos apresentados pela ABCS está a criação permanente de uma linha de crédito específica para retenção de matrizes suínas, com prazo de carência de dois anos para pagamento.

ABCS pede crédito específico para retenção de matrizes

Segundo a entidade, a suinocultura possui um ciclo produtivo mais longo em relação a outras cadeias pecuárias. O intervalo entre a inseminação da matriz e o abate dos animais gerados no ciclo reprodutivo pode chegar a nove meses.

Além disso, cada matriz permanece em produção, em média, durante cinco ciclos, totalizando aproximadamente 24 meses de atividade.

Com base em levantamentos da Embrapa Suínos e Aves referentes aos custos médios registrados em janeiro de 2026 nos estados da Região Sul, a ABCS calculou que o custo direto por matriz ao longo de 2,5 anos chega a R$ 6.791.

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O estudo considera despesas com aquisição de matrizes, alimentação, medicamentos e vacinas.

A associação estima que seriam necessários aproximadamente R$ 239 milhões em recursos para atender cerca de 5% dos produtores independentes do país por meio da nova linha de crédito proposta.

Entidade solicita ampliação dos limites do INOVAGRO

Outro ponto defendido pela ABCS é a ampliação dos limites de financiamento do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (INOVAGRO).

A proposta prevê aumento do limite individual para R$ 4,5 milhões e do teto para operações coletivas para R$ 13,5 milhões.

Segundo a entidade, os investimentos são necessários para adequar as granjas às exigências previstas na Instrução Normativa nº 113/2020, que trata de bem-estar animal e práticas produtivas na suinocultura.

Os recursos seriam destinados principalmente para reformas em instalações de gestação, ampliação de maternidades, sistemas de climatização e automação das unidades produtivas.

A ABCS argumenta que as adequações são fundamentais para elevar a eficiência produtiva, reduzir o uso de antimicrobianos e atender exigências de mercado.

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Proposta também prevê atualização do limite do Pronamp

A associação também sugeriu mudanças no enquadramento do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).

A proposta encaminhada ao Mapa prevê elevação do limite de renda bruta anual de R$ 3,5 milhões para R$ 3,75 milhões.

De acordo com a entidade, a atualização é necessária diante do aumento dos custos de produção e das mudanças econômicas registradas nos últimos anos no setor agropecuário.

Setor cobra linhas de financiamento mais alinhadas à realidade da produção

Segundo o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, as propostas têm como objetivo aproximar os mecanismos de crédito da realidade enfrentada pelos produtores rurais.

“A atividade exige investimentos contínuos em tecnologia, biosseguridade e bem-estar animal. Por isso, defendemos que os mecanismos de crédito acompanhem a dinâmica e as necessidades do setor”, afirmou.

As sugestões apresentadas pela ABCS reforçam a mobilização do setor produtivo em torno do Plano Safra 2026/2027, considerado estratégico para garantir competitividade, expansão da produção e modernização da agropecuária brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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