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Café tem forte queda em fevereiro com previsão de safra recorde no Brasil e no mundo

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Mercado internacional registra maiores baixas em mais de seis meses

O mês de fevereiro foi marcado por fortes quedas nos preços do café nos mercados internacionais. Os contratos de arábica na Bolsa de Nova York e de robusta em Londres recuaram para os menores níveis em mais de meio ano, refletindo expectativas de aumento na oferta mundial.

No Brasil, o cenário não foi diferente: as cotações acompanharam a tendência de baixa observada nas bolsas externas. Além disso, a desvalorização do dólar frente ao real, que caiu cerca de 2% no mês, reduziu ainda mais a competitividade dos preços internos.

Clima favorável no Brasil eleva estimativas de produção

O principal fator de pressão sobre os preços vem das melhores perspectivas para a safra brasileira 2026/27, que deve começar a ser colhida nos próximos meses.

As condições climáticas foram mais favoráveis em janeiro e fevereiro, com chuvas bem distribuídas e temperaturas mais amenas, o que tem impulsionado o desenvolvimento das lavouras — especialmente nas regiões produtoras de arábica.

Com esse cenário, consultorias e analistas passaram a revisar para cima as estimativas de produção nacional, reforçando o sentimento de ampla oferta.

Segundo Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, o mercado tem antecipado esse quadro de safra elevada, o que explica a acomodação das cotações em níveis mais baixos.

“O mercado até ensaia algumas reações, mas elas são apenas correções técnicas após quedas mais acentuadas. O clima favorável no Brasil e uma demanda mais calma acabam tirando força de recuperação dos preços”, analisa Barabach.

Rabobank prevê maior safra global da história

O sentimento de pressão sobre o mercado se intensificou após o Rabobank divulgar projeção indicando que a produção global de café na temporada 2026/27 poderá atingir 180 milhões de sacas de 60 kg — o maior volume já registrado.

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A estimativa negativa para as cotações reforçou a tendência de baixa observada nas últimas semanas, especialmente em Nova York e Londres, que reagiram com liquidações de contratos e ajustes nas posições de investidores.

Cotações internacionais acumulam queda superior a 10% em fevereiro

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato maio/2026 do café arábica caiu 10,5% no mês, passando de 315,35 para 282,30 centavos de dólar por libra-peso entre o final de janeiro e 26 de fevereiro.

Em Londres (ICE Europe), o robusta seguiu o mesmo caminho, com queda de 9,9% no contrato de maio, acompanhando o movimento global de realização de lucros e ajuste de posições.

Mercado físico brasileiro acompanha as bolsas em queda

No mercado interno, os preços seguiram a tendência internacional, pressionados também pelo câmbio mais fraco.

O café arábica bebida boa no Sul de Minas Gerais acumulou baixa de 11,5%, recuando de R$ 2.090,00 para R$ 1.850,00 por saca até o dia 26 de fevereiro.

Já o conilon tipo 7, em Vitória (ES), teve retração ainda mais intensa, de 15,7%, passando de R$ 1.210,00 para R$ 1.020,00 por saca no mesmo período.

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Segundo Barabach, a indústria doméstica está comprando apenas para repor estoques mínimos, enquanto o mercado externo segue concentrado na entrada da safra do Vietnã, principal concorrente do conilon brasileiro.

Perspectiva é de preços acomodados até a chegada da nova safra

Com uma safra robusta no horizonte e demanda ainda moderada, o mercado de café deve permanecer pressionado no curto prazo.

A expectativa é de que as novas colheitas do Brasil e do Vietnã ampliem a oferta global, mantendo as cotações em patamares mais baixos até meados do segundo semestre, quando o ritmo de exportações brasileiras pode ganhar força novamente.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

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O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

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O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

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Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

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