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Carnes processadas ou artesanais? Especialista esclarece riscos e destaca importância da escolha consciente

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A recente divulgação de um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) reacendeu o debate sobre os riscos à saúde associados ao consumo de carnes processadas. Bacon, salsicha, linguiça e presunto industrializados foram incluídos no grupo 1 de substâncias carcinogênicas, segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc). Isso significa que há evidência suficiente de ligação entre o consumo frequente desses produtos e o desenvolvimento de câncer colorretal — mesma classificação dada ao tabaco, amianto e fumaça de óleo diesel.

Diferença entre o ultraprocessado e o artesanal começa nos ingredientes

Segundo a especialista em carne suína Flávia Brunelli, empresária à frente da Del Veneto, o risco apontado pela OMS está ligado principalmente à composição e ao grau de processamento dos alimentos. “O que define um ultraprocessado é a quantidade de aditivos químicos, estabilizantes, corantes artificiais e ingredientes que não existem na cozinha de casa. Quando o rótulo traz nomes que você não reconhece, provavelmente está diante de um produto ultraprocessado”, alerta.

Carne mecanicamente separada compromete qualidade nutricional

Grande parte dos embutidos industrializados utiliza carne mecanicamente separada (CMS), obtida por meio da raspagem de ossos com alta pressão. Esse processo compromete a qualidade da proteína e exige o uso de aditivos para recompor textura, sabor e aparência. Além disso, muitas dessas carnes incluem amidos modificados, conservantes sintéticos e proteínas reconstituídas, elementos ausentes nos produtos da Del Veneto.

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Produção artesanal usa carne de verdade, sem substitutos

Na Del Veneto, a produção de bacon, presunto, linguiça e salsicha é feita com carne suína da raça Duroc — conhecida como o “Angus dos suínos” — sem adição de soja ou substitutos proteicos. “A salsicha comum costuma conter sobras de cortes misturados a aditivos. Nós usamos carne suína moída, temperada com especiarias, sem corantes ou emulsificantes. Apesar de ter o mesmo nome, trata-se de um produto completamente diferente”, explica Flávia.

Consumo frequente aumenta risco de câncer, segundo OMS

De acordo com a OMS, a ingestão diária de apenas 50 gramas de carne processada — cerca de duas fatias de bacon ou uma salsicha — pode elevar em 18% o risco de câncer colorretal. O alerta se refere especialmente aos produtos com alto teor de sódio, nitritos e conservantes artificiais, elementos que não estão presentes nos embutidos artesanais produzidos pela empresa de Flávia.

Tempo e técnica de preparo influenciam na saúde

Outro fator que diferencia o artesanal do industrial é o processo de preparo. Enquanto a indústria acelera etapas com o uso de aditivos químicos, a produção artesanal respeita o tempo natural de cura, sem pressa. A defumação também segue um processo tradicional: é feita lentamente, com madeiras de árvores frutíferas, sem fumaça líquida ou compostos químicos, resultando em aroma, conservação e identidade ao produto.

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Transparência e qualidade com certificação sanitária

Os produtos da Del Veneto são certificados pelo Serviço de Inspeção de São Paulo (SISP), o que garante rastreabilidade, controle de higiene e conformidade com todas as normas sanitárias. “Trabalhamos com carnes de origem controlada, priorizamos temperos naturais e oferecemos total transparência sobre o que compõe cada alimento. O consumidor tem o direito de saber o que está comendo”, reforça Flávia.

Alerta da OMS não condena a carne, mas sim a forma como é produzida

Flávia Brunelli lembra que o alerta da OMS não é uma condenação ao consumo de carne suína ou vermelha, mas sim uma chamada de atenção sobre os processos utilizados na indústria alimentar. “A escolha por alimentos minimamente processados, com ingredientes reconhecíveis e produção responsável, é um caminho importante para quem quer preservar a saúde sem abrir mão do sabor”, finaliza.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fracassa acordo no STF e disputa sobre Moratória da Soja volta a julgamento

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O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a tentativa de construir um acordo entre produtores rurais, indústria, ambientalistas e Ministério Público sobre a Moratória da Soja. Sem consenso entre as partes, o Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) devolveu os quatro processos relacionados ao tema aos ministros relatores, abrindo caminho para a retomada do julgamento das ações, ainda sem data definida.

Em despacho assinado nesta sexta-feira (12.06), o juiz auxiliar da Presidência do STF e supervisor do Nusol, Álvaro Ricardo de Souza Cruz, afirmou que as reuniões realizadas entre abril e maio chegaram a criar um ambiente favorável à conciliação, mas houve recuo dos envolvidos, inviabilizando uma solução negociada.

“Durante as tratativas, instaurou-se amplo diálogo entre os envolvidos, tendo-se verificado, em determinado momento, ambiente propício à construção de solução consensual. Contudo, sobreveio recuo das partes, o que impossibilitou a composição”, registra o documento.

Segundo o STF, a tentativa de mediação não buscava discutir a constitucionalidade das leis estaduais questionadas, mas os efeitos práticos decorrentes de uma eventual decisão da Corte. A preocupação é evitar a multiplicação de disputas judiciais em diferentes instâncias após o julgamento das ações.

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As tratativas envolveram representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Ministério Público Federal e dos governos de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins, além de partidos políticos autores das ações.

Com o fim da mediação, o Nusol reenviou as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7774, relatada pelo ministro Flávio Dino; 7775, sob relatoria de Dias Toffoli; e 7863 e 7959, ambas sob responsabilidade do ministro Luiz Fux.

As ADIs 7774 e 7775 questionam leis aprovadas em Mato Grosso e Rondônia que retiraram benefícios fiscais de empresas participantes de acordos privados, como a Moratória da Soja.

Criada em 2006, a Moratória da Soja estabelece que empresas signatárias não adquiram grãos produzidos em áreas do bioma Amazônia desmatadas após 2008, ainda que a abertura das áreas tenha ocorrido dentro dos limites previstos pela legislação ambiental.

A disputa ganhou novo capítulo após a entrada em vigor, no início de 2026, da lei de Mato Grosso que impôs restrições às tradings participantes do acordo. A medida contribuiu para o esvaziamento da Moratória, com a saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e das empresas associadas.

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No fim do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de todas as ações judiciais e administrativas relacionadas à Moratória da Soja, incluindo processos que pedem indenizações. Em uma dessas ações, produtores rurais de Mato Grosso reivindicam ressarcimento superior a R$ 1 bilhão. O setor também acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando as tradings de formação de cartel.

A tentativa de mediação havia sido anunciada em março, durante o julgamento das ações pelo plenário do STF. Com o fracasso das negociações, caberá agora aos ministros dar prosseguimento à análise do caso.

Fonte: Pensar Agro

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