Saúde

Centro montado pelo Ministério da Saúde para monitorar e acompanhar a assistência em saúde durante a COP30 inicia suas atividades

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Localizada no coração da Amazônia, Belém (PA) está pronta para sediar, de 10 a 21 de novembro de 2025, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Primeira cidade amazônica a receber o maior evento climático do mundo, Belém consolida um legado em saúde pública, com investimentos, inovação e cooperação federativa. Para garantir a segurança sanitária de participantes e moradores, o Ministério da Saúde, em parceria com o Governo do Pará e a Prefeitura de Belém, implementou um plano integrado de preparação e resposta em saúde, com investimentos superiores a R$ 4,7 bilhões.

O ponto central da operação é o Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (CIOCS), ativado nesta segunda-feira (3) pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), em parceria com o Ministério da Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma). Inspirado em experiências exitosas, como a do Círio de Nazaré, o CIOCS será o núcleo estratégico de vigilância e coordenação das ações de saúde durante toda a COP30, operando 24 horas por dia.

“A COP30 será um marco ambiental e também no fortalecimento da infraestrutura de saúde da Amazônia, consolidando Belém como modelo de gestão integrada, vigilância ativa e capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo ele, o Brasil está construindo um legado de saúde e sustentabilidade para o povo da Amazônia. “Esse legado começa aqui, com o SUS na floresta, cuidando das pessoas e do planeta ao mesmo tempo”, destacou.

A estrutura do CIOCS reúne profissionais das três esferas de gestão do SUS, federal, estadual e municipal, e conta com tecnologia de ponta para o monitoramento em tempo real de ocorrências, análise de dados e mobilização imediata de equipes de resposta.

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Segundo o coordenador-geral do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Daniel Coradi, “o CIOCS é uma tecnologia essencial para o monitoramento contínuo e a resposta rápida a qualquer situação que exija a atuação de equipes de pronta resposta. O Ministério da Saúde apoia CIOCS de eventos de massa há mais de uma década, seguindo padrões internacionais de integração entre as áreas de assistência e vigilância”.

Rede assistencial reforçada

Outra estrutura de destaque é o Hospital de Campanha (HCamp) da Força Nacional do SUS (FN-SUS), instalado na Usina da Paz do Jurunas, uma das áreas mais populosas de Belém. A unidade funcionará 24 horas por dia, com seis módulos — de triagem e emergência a regulação e logística — e capacidade para atendimento de urgência e estabilização de pacientes.

Integrado ao CIOCS, à Sespa e à Sesma, o HCamp reforçará a rede assistencial durante o evento. Ao todo, 144 profissionais voluntários de diferentes estados, entre médicos, enfermeiros, farmacêuticos e técnicos, estarão mobilizados. A estrutura contará ainda com quatro postos avançados de atendimento na Blue Zone da COP30, garantindo cobertura médica em todas as áreas do evento.

“A COP30 é um marco global, e o SUS estará presente com sua força de resposta e solidariedade. O Hospital de Campanha simboliza a capacidade do Brasil de integrar saúde, meio ambiente e preparação para emergências”, destacou Rodrigo Stabeli, coordenador-geral da FN-SUS.

Investimentos e legado para a população

Desde 2023, o Pará recebeu R$ 4,7 bilhões em investimentos federais, sendo R$ 1,6 bilhão destinados exclusivamente a Belém para fortalecer a atenção primária e especializada, a vigilância, a assistência farmacêutica e a ampliação de cirurgias. Entre os avanços estão a construção de oito novas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a expansão de leitos e a contratação de 554 agentes comunitários, ampliando a presença do SUS nos territórios.

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Além da estrutura temporária para a COP30, o Ministério da Saúde anunciou mais R$ 53 milhões para aprimorar a rede de atendimento da capital, com melhorias permanentes, como a aquisição de aceleradores lineares para tratamento do câncer, a ampliação de cirurgias pelo programa Agora Tem Especialistas e a modernização dos serviços hospitalares.

 “Aconteça o que acontecer durante a COP30, o sistema de saúde estará preparado. Os investimentos garantirão mais estrutura, capacidade de resposta e tratamento especializado, um legado que ficará para Belém e para todo o Pará”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Planejamento para o futuro

A COP30 também será palco de lançamentos estratégicos, entre eles o Plano de Ação em Saúde de Belém, que será apresentado no Dia da Saúde da COP (13 de novembro). O documento pretende transformar a capital paraense em referência global na adaptação do setor saúde às mudanças climáticas, com foco em sistemas de alerta precoce, resposta a eventos extremos e fortalecimento da resiliência local.

Paralelamente, o Ministério da Saúde desenvolve iniciativas estruturantes, como o AdaptaSUS, plano nacional de adaptação do setor saúde, e a Agenda Estratégica Mais Saúde Amazônia Brasil, voltada à redução das desigualdades regionais e ao incentivo a tecnologias sustentáveis.

Vanessa Aquino
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Seminário Brasil Saudável reúne organizações e sociedade civil para discutir caminhos para a eliminação de doenças determinadas socialmente

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O 3º Seminário do Programa Brasil Saudável reúne, neste domingo (16), na capital federal, representantes do poder público, instituições de ensino e pesquisa, organismos internacionais, entidades da área da saúde e organizações da sociedade civil para discutir estratégias de enfrentamento dos determinantes sociais e das desigualdades que impactam as condições de saúde da população. As atividades contam com a moderação técnica do Ministério da Saúde (MS) e apresentam como eixo central o caminho para eliminação das doenças determinadas socialmente.

Os debates têm como foco aproximar diferentes perspectivas e experiências, fortalecendo a construção coletiva de estratégias para enfrentar condições sociais, econômicas, ambientais e territoriais que contribuem para a persistência de doenças e desigualdades em saúde. O evento acontece como atividade prévia do 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, o MedTrop 2026, considerado maior encontro multidisciplinar sobre doenças infecciosas, parasitárias e saúde pública da América Latina, e promove discussões em torno da integração entre ciência, políticas públicas, participação social e ações intersetoriais. São aguardadas, durante a semana, cerca de 4 mil pessoas no evento.

Em sua fala inicial, a secretária adjunta de Vigilância em Saúde e Ambiente do MS, Marília Santini, explicou que o diferencial da abordagem debatida no seminário é integrar o tema das doenças socialmente determinadas sob uma nova perspectiva. “Não o tratamos apenas como uma questão clínica, mas como um desafio social complexo, marcado pela desigualdade. Compreendemos que a solução depende de fatores estruturais, como o acesso à água potável, saneamento básico, melhoria das condições de moradia e aumento da renda. O grande desafio, é promover uma mudança de hábitos e de cultura”, declarou.

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Santini contextualizou, ainda, que as parcerias de trabalho eram focadas estritamente em doenças específicas, como a malária ou o tracoma – o que muda com um novo olhar trazido pelo Brasil Saudável. “Com o Programa Brasil Saudável ampliamos essa rede e passamos a focar na melhoria das condições do território, visando prevenir diversas enfermidades de forma integrada”, disse.

A programação, que acontece até o fim do dia, recebeu, ainda, na mesa de abertura, representantes da Rede Brasileira em Pesquisa em Tuberculose (Rede TB), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), do Coletivo da Sociedade Civil no Programa Brasil Saudável, da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Painéis temáticos

No período da manhã, o primeiro painel abordou o tema “Saúde nos Trópicos e os desafios contemporâneos para a eliminação das doenças determinadas socialmente no Sul Global”. Os expositores falaram sobre o panorama e os desafios atuais para a eliminação dessas doenças, além dos obstáculos para a implementação de programas públicos nos territórios. Também foram discutidas as relações entre mudanças climáticas, desigualdades territoriais e proteção dos territórios tradicionais, assim como a importância da participação social e da articulação intersetorial.

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O segundo painel trouxe enfoque para diferentes formas de racismo, iniquidades e direito à saúde. A mesa ampliou o debate sobre os determinantes sociais da saúde a partir das experiências de diferentes populações. Entre os temas discutidos destacam-se racismo, território e direito à saúde, violências e exclusão social da população negra, iniquidades e direitos dos povos indígenas, além de racismo estrutural.

No período da tarde, o terceiro painel debate a proteção social e convergência de políticas públicas. Em pauta serão discutidos determinantes sociais e as interseccionalidades, as vulnerabilidades que atravessam territórios e gerações, a intersetorialidade no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e o enfrentamento das iniquidades vivenciadas pela população LGBTQIAPN+. O quarto e último painel tem como objetivo amplificar o olhar a respeito de ciência, inovação e implementação territorial, e destaca, também, a contribuição da pesquisa e da produção de conhecimento para o enfrentamento dos determinantes sociais.

No encerramento será apresentada a sistematização das atividades e realizada discussão sobre perspectivas para fortalecer ações intersetoriais entre ciência, gestão e sociedade civil na eliminação das doenças determinadas socialmente. As participações destacam que o enfrentamento das doenças determinadas socialmente exige uma atuação articulada entre diferentes setores do Estado e da sociedade, com políticas públicas capazes de considerar as especificidades dos territórios e as diferentes situações de vulnerabilidade que influenciam o processo saúde-doença.

Suellen Siqueira
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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