Tribunal de Justiça de MT

ChatGPT: instrutor apresenta conceitos e exemplos práticos do uso da ferramenta

Publicado

Nesta quinta-feira (14 de novembro), a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e o Laboratório de Inovação, Inteligência e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Liods) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) realizaram a primeira das quatro edições da oficina ‘ChatGPT – Conceito à Prática’. A iniciativa foi ofertada via Plataforma Teams.
 
A recepção aos participantes foi feita pela juíza Viviane Brito Rebello, coordenadora do Liods/TJMT, que além de dar as boas-vindas aos magistrados(as) e servidores(as) inscritos(as), destacou a importância da adoção de cuidados ao alimentar ferramentas como o ChatGPT. “Nós temos vários dados e processos sigilosos, dados que podem ser sensíveis, que podem ferir a Lei Geral de Proteção de Dados, por isso essa preocupação em fazer essa oficina para trazer essas informações, esse conhecimento, não só com relação ao manuseio da ferramenta, mas também com os cuidados que se deve ter quando se utiliza esse tipo de ferramenta”, assinalou.
 
O formador foi o assessor de Projetos de Inovação no LIODS-TJMT, Pablo Marquesi, que possui 20 anos de experiência na área de Tecnologia da Informação. Ele é graduado em Ciência da Computação e em Direito, e possui MBA em Gestão e Implantação de Projetos. Segundo ele, o ChatGPT pode ser utilizado de incontáveis maneiras, tanto dentro do gabinete quanto fora, em N situações do dia a dia. Marquesi explicou ainda que nas oficinas serão apresentados exemplos de boas práticas a serem utilizadas na rotina cotidiana.
 
Segundo ele, utilizar a ferramenta é algo relativamente simples, mas que pode ter consequências jurídicas. Por isso, o primeiro cuidado é se atentar para a questão da confiabilidade e limitações existentes. Ele explicou que o ChatGPT auxilia na pesquisa e redação, mas não substitui a análise jurídica humana. Que o chat é treinado com grandes volumes de textos, mas não tem compreensão real, assim como não possui atualizações legais em tempo real, a menos que esteja integrado com ferramentas externas.
 
Em relação à proteção e confidencialidade, o formador salientou que, como os magistrados(as) e assessores(as) lidam com dados sensíveis, é preciso tomar cuidado para que não ocorra o compartilhamento de informações confidenciais. Destacou que a IA deve respeitar a LGPD e as políticas de segurança, assim como ter atenção redobrada ao inserir informações em ferramentas como o ChatGPT.
 
Em relação à responsabilidade e autonomia, salientou que o chat oferece suporte, mas a análise independente por parte do usuário é essencial, assim como asseverou que a inteligência artificial não deve substituir o juízo e a responsabilidade jurídica.
 
Pablo Marquesi explicou também aos participantes o que é um Large Language Model (LLM), uma tecnologia de IA treinada com vastas quantidades de texto para entender e gerar linguagem humana. Segundo ele, esses modelos identificam padrões na linguagem e conseguem responder perguntas e realizar tarefas de textos de forma parecida com um ser humano, simulando conversas e fornecendo informações de maneira clara e contextualizada.
 
Já o modelo de IA é um algoritmo ou conjunto de algoritmos treinados para realizar tarefas específicas que envolvem reconhecimento de padrões, tomada de decisões ou previsões com base em dados. O formador alertou, contudo, sobre a possiblidade de riscos, como as chamadas ‘alucinações’, que são respostas ou resultados gerados pela IA que não são baseadas em dados reais ou fatos. Elas ocorrem quando a IA “inventa” informações ou interpretações.
 
O instrutor explicou também o que é um prompt, que é uma instrução ou comando que você fornece a um sistema ou programa, como uma inteligência artificial ou um assistente virtual, para que ele realize uma tarefa ou responda a uma pergunta. Em termos simples, é o ponto de partida que direciona o que a IA deve fazer ou gerar. Para criar um bom prompt, é preciso que o usuário seja específico, defina o contexto, peça formato específicos, adicione detalhes importantes, defina o tamanho da resposta e dê um papel ao ChatGPT.
 
Na segunda parte da oficina, o instrutor apresentou exemplos práticos do uso do ChatGPT na rotina do Judiciário, com a apresentação de várias dicas para uso no dia a dia.
 
Cronograma – As demais oficinas serão realizadas nos dias 22 de novembro, 28 de novembro e 5 de dezembro, cada uma com 30 vagas. As aulas ocorrerão sempre das 8h às 12h, via Plataforma Microsoft Teams, com quatro horas de carga horária e frequência mínima exigida de 75%. As turmas são exclusivas para magistrados e assessores de gabinete.
 
No conteúdo programático constam os seguintes tópicos:
 
1. Introdução à Inteligência Artificial e ao CHATGPT – Conceitos principais de IA, breve introdução ao ChatGPT e seus usos, com exemplos de aplicação no setor jurídico.
 
2. Tour pela ferramenta CHATGPT – Demonstração das funcionalidades principais e explicação sobre como interagir com a IA para gerar resultados.
 
3. Atividades práticas com o CHATGPT – Elaboração de pareceres, relatórios técnicos, minutas de decisões e despachos. Resposta a e-mails e resolução de problemas cotidianos no Judiciário. Redação de ofícios e comunicação oficial. Simulação de casos hipotéticos com foco na otimização de documentos jurídicos e administrativos.
 
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Imagem 1: print de tela colorido onde aparece uma arte, em tons de verde, e o texto ChatGPT: Do conceito à prática. Imagem 2: print de tela colorido onde aparece o formador, Pablo Marquesi. Ele é um homem branco, de cabelos e barba grisalhos, que usa fones de ouvido. Ao fundo, uma arte abstrata em tons de azul e lilás.
 
Lígia Saito 
Assessoria de Comunicação 
Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT)
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia mais:  Servidores de Tangará da Serra participam de palestras sobre assédio moral, sexual e discriminação

Comentários Facebook
publicidade

Tribunal de Justiça de MT

Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Publicado

Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Leia mais:  TJMT celebra Acordo de Cooperação para preservação da memória institucional

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Leia mais:  Equipe do Laboratório de Inovação apresenta estrutura e disponibiliza serviços aos novos juízes

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana