Tribunal de Justiça de MT

Cidadania Digital: TJMT leva consulta de processos e certidões ao aplicativo MT Cidadão

Publicado

O acesso à Justiça em Mato Grosso agora está na palma da mão do cidadão. Por meio do projeto Cidadania Digital Integrada, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e o Governo do Estado firmaram uma parceria que disponibiliza diversos serviços judiciais no aplicativo MT Cidadão, utilizado atualmente por mais de 1,3 milhão de usuários em todo o estado.

A iniciativa faz parte das ações de transformação digital do Poder Judiciário, que buscam garantir mais praticidade, transparência e agilidade no atendimento à população.

Agora, o cidadão pode acessar diretamente pelo celular uma série de serviços do Judiciário mato-grossense, sem precisar se deslocar até o fórum.

No aplicativo MT Cidadão — disponível gratuitamente para Android e iOS — e no Portal de Serviços do Governo de Mato Grosso (www.mt.gov.br) é possível:

Consultar processos judiciais

Emitir certidões judiciais e guias de custas

Entrar com novos processos nos Juizados Especiais

Participar de audiências virtuais

Leia mais:  Poder Judiciário funciona em regime de plantão no aniversário de Cuiabá (8 de abril)

Falar diretamente com o Poder Judiciário via Balcão Virtual.

Além disso, o aplicativo já oferece a notificação do Diário da Justiça e a emissão de certidão negativa de antecedentes judiciais, duas funcionalidades desenvolvidas pelo TJMT que ampliam a interação entre cidadão e Justiça.

Inovação com propósito social

Segundo a juíza Joseane Quinto Antunes, coordenadora do Laboratório de Inovação do TJMT (InovaJusMT), o Cidadania Digital Integrada é um marco de inclusão tecnológica.

Ela explica que o projeto foi selecionado como uma das metas de inovação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e tem como foco integrar os serviços do Judiciário e do Governo Estadual em um único ambiente digital, tornando o acesso mais intuitivo e abrangente.

“A ideia é que o cidadão encontre em um só portal tudo o que precisa, desde serviços públicos estaduais até os serviços judiciais. É uma forma de unir forças e simplificar a vida de quem busca a Justiça”, destacou a magistrada.

Mais um canal de acesso à Justiça

O diretor do Departamento de Sistemas e Aplicações do TJMT, Danilo Pereira da Silva, explica que a integração tecnológica amplia as opções de contato entre a população e o Judiciário:

Leia mais:  Banco é condenado após idosa perder R$ 68 mil em golpe da falsa central

“Conseguimos colocar já a notificação do Diário da Justiça e a emissão de certidão de nada consta dentro do aplicativo. É mais uma porta de acesso à Justiça. O cidadão que já usa o MT Cidadão agora tem também essa possibilidade de acessar os serviços judiciais de forma rápida e segura”, ressaltou.

O projeto é fruto da cooperação entre o TJMT e o Laboratório Central de Inovação da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (LabSin/SEPLAG-MT), reforçando a importância da colaboração entre os poderes para a construção de um Governo Digital mais eficiente e cidadão.

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
publicidade

Tribunal de Justiça de MT

Palestra alerta sobre cooptação de jovens por facções em MT

Publicado

O recrutamento de crianças e adolescentes por facções criminosas, com foco nos mecanismos de cooptação e nos desafios de prevenção e enfrentamento, foi o eixo central da palestra ministrada pelo promotor de Justiça João Batista de Oliveira, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), nesta terça-feira (19), durante o 1º Encontro dos Direitos e Garantias Fundamentais e o 5º Encontro Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso.
A mesa de debates foi presidida pelo juiz de Direito da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jean Garcia de Freitas Bezerra, e contou como debatedoras com a juíza da Vara da Infância e Juventude de Sinop, Melissa de Lima Araújo, e a promotora de Justiça Laís Liane Resende, coordenadora adjunta do Centro de Apoio Operacional de Atos Infracionais.
Logo no início, o palestrante alertou para a fragilidade da rede de proteção e suas consequências diretas. “Quando a rede de proteção falha, as facções se apoderam de nossas crianças e adolescentes. Isso é um problema grave que nós temos e que precisa ser enfrentado com prioridade”, afirmou.
Durante a exposição, João Batista detalhou os fatores que facilitam o aliciamento de jovens por organizações criminosas, destacando vulnerabilidades sociais, familiares e educacionais. Ele apontou que a pobreza extrema, a fragilidade dos vínculos afetivos e o uso de drogas no ambiente familiar contribuem diretamente para esse processo.
“Famílias desestruturadas, com fragilidade de vínculos e problemas de adição, acabam deixando essas crianças expostas. A rede de proteção não consegue acolher de maneira adequada e as facções passam a ocupar esse espaço”, explicou.
No campo educacional, o promotor ressaltou a evasão escolar como um dos principais vetores de risco. Segundo ele, há grande diferença entre classes sociais, com índices muito mais elevados entre populações vulneráveis. “Nós temos uma evasão escolar absurda nas classes C, D e E, e isso contribui efetivamente para o aliciamento”, pontuou.
O contexto comunitário também foi abordado como elemento determinante para o fortalecimento das facções, que passam a ocupar lacunas deixadas pelo poder público. Essas organizações oferecem benefícios imediatos, como assistência e lazer, criando um sentimento de pertencimento. “Eles promovem uma falsa ideia de acolhimento, oferecendo segurança e atividades que o Estado não entrega, o que facilita a cooptação desses jovens”, destacou o palestrante.
Para dimensionar a gravidade do problema, foram apresentados dados nacionais do Atlas da Violência. Em 2023, o Brasil registrou 45.747 homicídios, sendo que 47,8% envolveram jovens entre 15 e 29 anos. No mesmo período, 21.856 jovens foram mortos, o que corresponde a uma média de 60 vítimas por dia.
O promotor também destacou o perfil das vítimas da violência letal, evidenciando desigualdades estruturais. Dados mostram que 82,9% das vítimas entre 0 e 19 anos são negras, com predominância de adolescentes do sexo masculino entre 15 e 19 anos. Sobre esse cenário, ele enfatizou: “O dado que mais assombra é justamente esse recorte racial. Nós temos uma juventude negra sendo muito mais atingida pela violência, em um índice muito superior ao da população branca”.
Em Mato Grosso, o cenário também preocupa. O palestrante mencionou crescimento de quase 39% nas mortes de jovens entre 15 e 25 anos, com média de 22 óbitos por mês. Para ele, o dado reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas e integradas. “Quando a gente insiste na atuação da rede e nas políticas públicas, é justamente para que isso não aconteça. Sem essa atuação, nós vamos perder nossos jovens para a criminalidade”, alertou.
A palestra ainda evidenciou a evolução das estratégias criminosas envolvendo adolescentes. Entre 2020 e 2026, houve aumento da utilização das redes sociais para recrutamento e controle, formalização de “batismos” em facções e expansão do chamado “tribunal do crime”.
Outro ponto de destaque foi a influência das facções no sistema socioeducativo. Dados apresentados indicam que, em Mato Grosso, dos 240 adolescentes em cumprimento de medidas, 132 possuem indícios de vínculo com organizações criminosas. Para o promotor, isso demonstra a necessidade de atuação mais efetiva dentro e fora das unidades. “Precisamos de estratégias para romper esse vínculo e oferecer alternativas reais de reintegração social”, disse.
Durante o debate, a promotora Laís Liane Resende enfatizou a gravidade do cenário e a velocidade com que o recrutamento tem ocorrido. “É um soco no estômago lidar com essa realidade. A sensação é que estamos em uma guerra e estamos perdendo, porque a cada caso solucionado, novos grupos já estão sendo formados”, afirmou.
A juíza Melissa de Lima Araújo trouxe exemplos que apontam caminhos possíveis, ainda que pontuais. “Quando um adolescente consegue se recuperar e reconstruir sua trajetória, isso já representa um avanço importante, embora saibamos que o desafio ainda é enorme”, destacou.
Ao encerrar, o presidente da mesa, juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, reforçou a importância da atuação preventiva e integrada. “As facções não recrutam esses adolescentes à força, elas os convencem, porque chegam primeiro que o Estado e preenchem lacunas deixadas pela família, pela escola e pela sociedade”, pontuou. Ele concluiu destacando que o enfrentamento passa pela atuação conjunta das instituições: “O problema está na origem, na captação, e é ali que precisamos atuar para quebrar esse ciclo”.
Saiba mais – O encontro é uma iniciativa conjunta do MPMT, por meio da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente e do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf); do Poder Judiciário, por meio da Esmagis, da Escola dos Servidores, da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) e da Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ); e da Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp), com apoio da Fundação Escola de Ensino Superior do Ministério Público (FESMP‑MT).
Texto: Julia Munhoz (MPMT) / Foto: Josi Dias (TJMT)

Autor: Assessoria

Leia mais:  Magistrados de Mato Grosso debatem impactos da nova legislação de seguros em curso na Esmagis

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana