Agro News

Cocal busca R$ 350 milhões para modernizar usina adquirida da Raízen no MS

Publicado

Compra de usinas da Raízen impulsiona expansão da Cocal

A Cocal reforça sua presença no Mato Grosso do Sul após a aquisição de duas usinas da Raízen em Rio Brilhante, em agosto do ano passado, por R$ 1,54 bilhão. Do total, R$ 1,32 bilhão foram destinados à compra dos ativos e R$ 218 milhões reservados para investimentos futuros.

A empresa já atua em São Paulo, com unidades em Paraguaçu Paulista e Narandiba, e agora busca expandir e modernizar suas operações no Centro-Oeste.

Captação de R$ 350 milhões para modernização industrial

Nesta semana, a Cocal anunciou que irá ao mercado de capitais com o objetivo de captar R$ 350 milhões em debêntures. Os recursos serão direcionados para modernizar a planta industrial, focada na produção de etanol e geração de vapor, incluindo a atualização de tecnologia das caldeiras a biomassa e melhorias na infraestrutura e nos sistemas produtivos.

Segundo a companhia, a planta possui capacidade para produzir 2,1 milhões de litros de etanol por dia, ou 766,5 milhões de litros por ano, considerando um calendário de 365 dias.

Leia mais:  Venda casada no crédito rural expõe prática ilegal no setor financeiro
Modernização prevista até 2035

O programa de atualização da usina abrangerá a safra 2025/26 até 2034/35, garantindo eficiência operacional e maior produtividade ao longo da próxima década.

No balanço da safra 2024/25, a Cocal registrou:

  • Produção total de etanol: 263 milhões de litros (169 milhões de litros anidro + 94 milhões de litros hidratado);
  • Moagem de cana: 8,2 milhões de toneladas, dentro de uma capacidade de 10 milhões;
  • Faturamento líquido: R$ 2,59 bilhões, estável em relação ao ano anterior;
  • Lucro líquido: R$ 336,2 milhões, queda de 32% em comparação à safra 2023/24.
Aquisição impacta endividamento e alavancagem

Após a compra das usinas, a dívida líquida da Cocal passou de R$ 1,6 bilhão em março de 2025 para R$ 2,1 bilhões em setembro de 2025, refletindo a expansão dos ativos. A alavancagem subiu de 1,05 vez para 1,59 vez o Ebitda, demonstrando o efeito da aquisição sobre a estrutura financeira da companhia.

Na época da compra, a Raízen informou que as duas unidades adquiridas somavam capacidade para processar 6 milhões de toneladas de cana e incluíam contratos já existentes com fornecedores locais.

Leia mais:  Agronegócio goiano registra superávit recorde de US$ 10,8 bilhões em 2025 e reforça liderança nas exportações

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

Publicado

O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

Leia mais:  Venda casada no crédito rural expõe prática ilegal no setor financeiro

Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

Leia mais:  Agronegócio goiano registra superávit recorde de US$ 10,8 bilhões em 2025 e reforça liderança nas exportações

Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana