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Comarca de Juína recebe o Programa Corregedoria Participativa e passa por correição

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A Comarca de Juína recebeu nesta quarta-feira (31) a comitiva da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-TJMT) com o programa Corregedoria Participativa. A iniciativa visa aprimorar a Primeira Instância e aproximar ainda mais o Poder Judiciário de Mato Grosso da sociedade civil e servidores, fortalecendo vínculos com a comunidade local. De forma paralela, também foram realizadas as correições.
 
A equipe é liderada pelo corregedor-geral da Justiça, desembargador Juvenal Pereira da Silva, que deu início às atividades desta semana na segunda-feira (29), na Comarca de Juara, passando também por Porto dos Gaúchos. Ele destacou a importância da aproximação com as comarcas mais distantes da Capital. “Agora chegamos a Juína para promover essa aproximação com os servidores e toda a sociedade, um momento para ouvir, conhecer e entender as demandas locais, a realidade da comarca e suas particularidades, visando à melhoria da prestação jurisdicional”, disse o corregedor.
 
A comitiva do Programa que acompanha o corregedor é composta pelos juízes auxiliares Christiane da Costa Marques Neves, Emerson Cajango e Cristiane Padim da Silva e assessores.
 
Programação – A agenda começou com uma foto oficial em frente ao Fórum com os servidores da comarca, corregedor e magistrados. Na sequência, o juiz auxiliar Emerson Cajango ministrou uma palestra sobre boas práticas e gestão de gabinete e secretaria. Os servidores das comarcas de Colíder, Terra Nova do Norte e Itaúba acompanharam virtualmente.
 
Posteriormente, a equipe realizou um bate-papo com os servidores e magistrados sanando dúvidas e abordando metas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No período da tarde, a equipe realizou visitas institucionais ao prefeito, Ministério Público, e casas de acolhimento.
 
Sustentabilidade – Aproveitando a visita na região, na tarde dessa terça-feira (30), o corregedor esteve no Fórum da Comarca de Porto dos Gaúchos e conheceu algumas ações voltadas à sustentabilidade e à melhoria da qualidade de vida dos servidores que atuam nessa unidade, assim como à população do município.
 
A unidade conta com uma horta e um pomar construído em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que ofereceu cursos de horticultura e fruticultura a servidores, colaboradores e aposentados. Os locais também reaproveitam materiais recicláveis, como pneus que são utilizados como “vasos”.
 
Segundo o juiz da Comarca, Fabrício Savazzi Bertoncini, todos seguem empenhados em manter e conservar as áreas verdes da unidade. “Foi algo que veio da consciência ambiental dos próprios servidores e terceirizados antes mesmo de qualquer sugestão trazida pelo Conselho Nacional de Justiça ou pelo Poder Judiciário de Mato Grosso”, explicou.
 
Para o corregedor, ações como essa devem ser multiplicadas pelas comarcas, pois demonstram a preocupação com a sustentabilidade, meio ambiente, ao mesmo tempo, em unir os servidores. “Essa é sem dúvida uma boa prática que transforma o ambiente de trabalho, além do conforto térmico em razão da conservação das áreas verdes, há ainda a questão da produção de alimentos para o consumo diário. Quem não gostaria de ter uma fruta fresca do pé ou hortifrútis dos quais todos sabem a procedência e auxiliam no cultivo. Fiquei feliz em ver essa iniciativa, todos estão de parabéns”, finalizou o corregedor.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem: Foto 1 – Comitiva da CGJ com servidores e magistrados posam em frente ao Fórum de Juína. Todos estão em pé. Foto 2 – Corregedor fala aos servidores durante abertura dos trabalhos no auditório. Ele está em pé, em frente ao púlpito. Os servidores aparecem sentados.  Foto 3 – Parte da área verde cultivada por servidores de Porto dos Gaúchos.
 
Gabriele Schimanoski
Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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