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Copom sinaliza política monetária “significativamente contracionista” por período prolongado, diz ata

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O Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou nesta terça-feira (16) a ata de sua última reunião, realizada nos dias 9 e 10 de dezembro, reforçando que a política monetária seguirá de forma “significativamente contracionista” por um período prolongado. O documento detalha a avaliação do cenário econômico doméstico e externo, bem como a estratégia adotada para garantir a convergência da inflação à meta.

Moderação da atividade econômica e inflação em queda

Segundo a ata, o Copom observa uma moderação gradual da atividade econômica, acompanhada de redução da inflação corrente e das expectativas inflacionárias. O Comitê, porém, reafirma que continuará vigilante e não hesitará em retomar o ciclo de alta da taxa de juros, caso considere necessário.

“O Comitê seguirá atento aos vetores inflacionários e ao ritmo da atividade econômica, fundamentais para o comportamento da inflação, especialmente nos serviços”, destaca a ata.

Estratégia de juros: manutenção por período prolongado

O documento explica que, ao longo do ano, o Copom ajustou sua comunicação para refletir o estágio atual da política monetária, ressaltando a elevação firme da taxa de juros no início do processo e, posteriormente, a decisão de mantê-la em patamar elevado por período prolongado.

“O Comitê conclui que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirma a ata.

A abordagem cautelosa tem mostrado resultados: ganhos desinflacionários vêm sendo observados, reforçando o compromisso do Banco Central com seu mandato.

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Cenário externo e risco geopolítico

A ata ainda destaca que o ambiente internacional permanece incerto, devido à política econômica dos Estados Unidos e às tensões geopolíticas globais. Esse cenário exige cautela, especialmente para países emergentes, impactando condições financeiras e decisões de política monetária.

Situação doméstica: crescimento moderado e mercado de trabalho resiliente

No âmbito interno, os indicadores econômicos mostram moderação do crescimento da atividade, conforme o PIB divulgado recentemente, enquanto o mercado de trabalho demonstra resiliência.

A inflação, embora em leve arrefecimento, permanece acima da meta, assim como as expectativas para 2025 e 2026, projetadas pela pesquisa Focus em 4,4% e 4,2%, respectivamente.

Política fiscal e impactos na inflação

O Copom ressalta que a política fiscal exerce impacto tanto de curto prazo — por estímulo à demanda agregada — quanto estrutural, influenciando a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e o prêmio de risco da curva de juros.

“Uma política fiscal contracíclica, que reduza o prêmio de risco, favorece a convergência da inflação à meta”, observa a ata. O Comitê alerta que fragilidades na disciplina fiscal e incertezas sobre a dívida pública podem elevar a taxa neutra de juros, afetando a eficácia da política monetária e o custo da desinflação para a economia.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra 2026/27: moagem de cana desacelera, açúcar recua e etanol ganha espaço no Centro-Sul

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A safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil segue marcada por uma mudança significativa no perfil de produção das usinas. Enquanto a moagem apresentou desaceleração na segunda quinzena de maio e a fabricação de açúcar registrou forte retração, a produção de etanol continua avançando, impulsionada pela elevada competitividade do biocombustível e pela estratégia das usinas de direcionar uma parcela maior da matéria-prima para o setor energético.

Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que as unidades produtoras da região processaram 41,55 milhões de toneladas de cana na segunda metade de maio, volume 13,08% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior, quando a moagem alcançou 47,80 milhões de toneladas.

Mesmo com o recuo recente, o acumulado da safra até 1º de junho soma 144,71 milhões de toneladas processadas, mantendo o ritmo operacional elevado em comparação aos ciclos anteriores.

Menor moagem reduz produção de açúcar

A desaceleração da colheita impactou diretamente a produção de açúcar. Na segunda quinzena de maio, as usinas do Centro-Sul produziram 2,20 milhões de toneladas do adoçante, uma queda expressiva de 25,62% frente ao mesmo período da safra 2025/26.

No acumulado da temporada, a fabricação de açúcar totaliza 6,84 milhões de toneladas.

Apesar da redução do volume produzido, a qualidade da matéria-prima apresentou melhora. O índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) atingiu 125,87 quilos por tonelada de cana na segunda metade de maio, avanço de 1,09% sobre o mesmo período do ciclo anterior. No acumulado da safra, o ATR alcança 119,73 kg por tonelada, crescimento de 2,35%.

Etanol segue em expansão

Em direção oposta ao açúcar, o etanol mantém trajetória de crescimento. A produção do biocombustível alcançou 2,13 bilhões de litros na segunda quinzena de maio, sendo 1,33 bilhão de litros de etanol hidratado e 796 milhões de litros de etanol anidro.

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Desde o início da safra, a produção acumulada soma 7,54 bilhões de litros, alta de 31,55% em relação ao mesmo período do ciclo passado. O destaque continua sendo o etanol hidratado, cuja fabricação cresceu 29%, atingindo 4,96 bilhões de litros.

O avanço do setor também é sustentado pelo aumento da produção de etanol de milho. Somente na segunda quinzena de maio foram produzidos 413,2 milhões de litros a partir do cereal, crescimento de 12,38% na comparação anual. No acumulado da safra, a produção já alcança 1,57 bilhão de litros.

Usinas priorizam biocombustível

Os dados operacionais indicam uma mudança estratégica das unidades produtoras. Ainda em abril, cerca de 59,66% da cana processada foi destinada à fabricação de etanol, percentual superior aos 54,31% observados no mesmo período da safra anterior.

No acumulado do ciclo, o mix destinado ao biocombustível alcançou 61,84%, reforçando a preferência das usinas pelo mercado energético diante das condições mais favoráveis de rentabilidade.

Essa estratégia tem contribuído para a expansão da oferta de etanol e para a redução relativa da produção de açúcar, cenário que vem sendo acompanhado de perto pelos agentes do mercado.

Consumo de etanol cresce no Brasil

A demanda pelo biocombustível também continua aquecida. Em abril, as vendas de etanol pelas unidades do Centro-Sul alcançaram 2,74 bilhões de litros, sendo 1,76 bilhão de litros de hidratado e 985,68 milhões de litros de anidro.

No mercado doméstico, o volume comercializado cresceu mais de 15% em relação ao mês anterior.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o consumo de etanol hidratado atingiu 1,83 bilhão de litros em abril, elevando a participação do combustível renovável para 24,6% do consumo total da frota leve brasileira.

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No Estado de São Paulo, principal mercado consumidor do país, a participação chegou a 44%, o maior nível desde fevereiro de 2025.

Segundo a Unica, o principal fator por trás desse crescimento é a vantagem econômica do etanol frente à gasolina. Em diversos estados produtores, o biocombustível segue abaixo da paridade técnica considerada vantajosa para o consumidor, fortalecendo as perspectivas de aumento do consumo ao longo dos próximos meses.

Mercado de CBios reforça agenda de descarbonização

Outro indicador positivo para o setor é o desempenho do mercado de Créditos de Descarbonização (CBios). Dados da B3 apontam a emissão de 16,93 milhões de créditos em 2026 pelos produtores de biocombustíveis.

Atualmente, o mercado conta com 26,79 milhões de CBios disponíveis para negociação. Somando os créditos já aposentados para cumprimento das metas do programa RenovaBio, cerca de 66% dos títulos necessários para atender integralmente as exigências de 2026 já foram disponibilizados pelo setor.

Perspectivas para a safra

A safra 2026/27 avança com um cenário de menor produção de açúcar e forte expansão do etanol. A combinação entre demanda aquecida pelo biocombustível, maior competitividade frente à gasolina e crescimento do etanol de milho deve continuar influenciando as decisões das usinas ao longo dos próximos meses.

Ao mesmo tempo, o comportamento climático e a evolução da moagem serão fatores decisivos para determinar o equilíbrio entre açúcar e etanol no restante da temporada, em um momento em que o mercado global acompanha atentamente a oferta brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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