Tribunal de Justiça de MT

De casamento a atendimento médico: Expedição Araguaia-Xingu leva dignidade a comunidades isoladas

Publicado

No olhar alegre de Leidiane Gonçalves Corrêa, moradora de São José do Couto, distrito de Campinápolis, estava o retrato de uma conquista adiada por muito tempo. Após 14 anos de parceria, ela e o companheiro deram um passo importante para o casamento durante a 7ª Expedição Araguaia-Xingu, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), sob a coordenação da Justiça Comunitária, liderada pelo juiz José Antonio Bezerra Filho.

“Moro aqui há 10 anos e nunca tinha conseguido resolver isso (o casamento). Fiz exame de vista, trouxe meus filhos para as atividades. Aqui é longe de tudo, então foi muito bom, maravilhoso”, contou.

O casamento de Leidiane simboliza o alcance da Expedição: mais do que levar serviços, o projeto leva dignidade, facilita a vida da população e garante o acesso a direitos que muitas vezes parecem distantes da realidade das pequenas comunidades.

Justiça e serviços públicos em um só lugar

Durante a ação, centenas de pessoas da região foram atendidas por uma rede de instituições reunidas em um único espaço. A proposta é simples e poderosa: aproximar o Estado de quem mais precisa. Em um mesmo local, a população pode emitir documentos, registrar boletins de ocorrência, regularizar situações jurídicas, receber atendimentos médicos e odontológicos, além de participar de atividades educativas e culturais.

Para Leandro Henrique Souza Santana, investigador da Polícia Civil em Ribeirão Cascalheira, o modelo integrado facilita o acesso e resolve problemas que, de outro modo, levariam meses.

“Aqui, a pessoa vem tirar dúvidas, registrar boletim de ocorrência, resolver extravio de documentos e já sai com tudo encaminhado. Faz o BO, vai direto para a Defensoria. Isso facilita muito, principalmente para quem mora longe”, explicou o investigador. Ele conta que, apesar dos acessos que tem, até ele foi beneficiado pelos serviços da Expedição e resolveu uma questão que buscava solução há mais de dois anos.

Leia mais:  Psicólogo alerta para práticas capacitistas disfarçadas de boa intenção em evento do TJMT

Justiça mais próxima e humana

O promotor de justiça Marco Antônio Prado destacou que a presença das instituições no território é uma forma de efetivar direitos e aproximar a população do sistema de Justiça:

“Muitas pessoas são carentes não só de acesso à justiça, mas de informação. Aqui conseguimos orientar, esclarecer e garantir direitos, em especial nas áreas de família, como reconhecimento de paternidade e guarda. É um trabalho de afirmação cidadã”, pontuou.

Saúde e cuidado para quem mais precisa

Além dos atendimentos jurídicos e sociais, a unidade móvel do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT) ofertou exames oftalmológicos e atendimentos odontológicos gratuitos para a comunidade.

Segundo Jefferson da Silva Santos, supervisor de Promoção Social do Senar, o retorno é imediato.

“O oftalmologista atende até 100 pessoas por dia e o dentista cerca de 30. Depois de 60 dias, os óculos chegam de forma gratuita para quem fez o exame. Ver a felicidade dessas pessoas é gratificante. São atendimentos simples, mas que transformam vidas”, reforçou.

Para Leidiane e tantas outras pessoas, a Expedição Araguaia-Xingu é a prova de que a presença do Estado pode, e deve, ser transformadora.

Cada documento emitido, cada orientação jurídica e cada atendimento de saúde é uma ponte entre direitos e realidades que, muitas vezes, pareciam inalcançáveis.

“Foi muito bom, muito bom demais da conta”, resumiu Leidiane, com um sorriso que traduz o sentimento de todos que participaram da ação.

Leia mais:  XVI Consepre reforça compromisso com democracia, meio ambiente e inovação no Judiciário

Segunda etapa em novembro

A 7ª Expedição Araguaia-Xingu segue em novembro, do dia 3 ao dia 14. O mutirão levará o mesmo espírito de integração e cidadania a novas localidades.

Compõem a lista de parceiros e instituições participantes a Casa Civil, a Proteção e Defesa Civil, a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) — nas áreas de Cultura e Esporte —, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio do programa Imuniza Mais, e a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

Integram ainda o grupo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), o Juizado Especial Volante Ambiental (Juvam), o Programa Verde Novo, a Companhia de Polícia Ambiental de Tangará da Serra, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, o Detran-MT, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Polícia Judiciária Civil (PJC), o Exército Brasileiro e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Somam-se aos parceiros a Defensoria Pública de Mato Grosso, o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), o Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur) do TJMT, a Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), a Caixa Econômica Federal, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), a Receita Federal, a Aprosoja e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

A relação de colaboradores contempla também a Energisa, as Prefeituras de Campinápolis e de Bom Jesus do Araguaia, além do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Autor: Vitória Maria Sena

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
publicidade

Tribunal de Justiça de MT

TJMT e TVCA promovem fórum “Destinos Roubados: a epidemia do feminicídio”

Publicado

A imagem mostra cinco mulheres e um homem sentados em cadeiras brancas num palco. Todos vestem roupas formais e têm pele clara. O homem é o juiz Marcos Terêncio, que veste terno escuro e usa óculos de grau. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a TV Centro América (TVCA), realizou nesta sexta-feira (29), em Cuiabá, o fórum “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”. O evento ocorreu no auditório da emissora e reuniu representantes do sistema de Justiça, forças de segurança, instituições públicas e especialistas para discutir ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso.

O encontro integrou o encerramento do projeto jornalístico especial “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”, série documental composta por cinco reportagens sobre violência doméstica, feminicídio e os impactos sociais provocados por esse tipo de crime. O trabalho foi dirigido pela jornalista Ariane Locatelli.

Representando o TJMT no fórum, participaram dos debates os magistrados da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, juiz titular Marcos Agostinho Terêncio e a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa.

Rede de enfrentamento e prevenção

Durante o encontro, foram discutidos os principais desafios da rede de enfrentamento à violência doméstica, o acolhimento às vítimas, medidas de prevenção, atendimento aos órfãos do feminicídio e a integração entre as instituições.

A imagem mostra a juíza Ana Graziela falando ao microfone durante entrevista para a TV Justiça. Ela é uma mulher de pele clara, cabelos lisos e loiros e olhos escuros. Veste roupa preta. A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa destacou que o fórum reuniu toda a rede de enfrentamento para refletir e, ao final, elaborar uma carta de compromissos com o objetivo de modificar a realidade da violência contra a mulher no estado.

Para ela, o fortalecimento das redes é fundamental para ampliar a proteção às vítimas. “Sozinho ninguém consegue resolver o problema da violência doméstica. Hoje, dos 142 municípios de Mato Grosso, 123 já possuem redes de enfrentamento instaladas. Esse é um espaço para fortalecer vínculos, promover maior engajamento e qualificar o atendimento prestado às mulheres”, ressaltou.

A magistrada também enfatizou a importância de ações preventivas e do trabalho voltado aos autores de violência doméstica. “Não adianta tratar apenas das mulheres. É preciso trabalhar também com o autor da violência. O homem que participa dos grupos reflexivos dificilmente volta a delinquir”, explicou.

Leia mais:  Inscrições para capacitação sobre Ouvidoria podem ser feitas pelo portal da Escola de Contas

Ana Graziela destacou ainda iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário e parceiros, como o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, palestras sobre a Lei Maria da Penha nas escolas e capacitações realizadas com professores da rede pública. “Precisamos trabalhar desde cedo com as crianças e adolescentes para construir relações pautadas no respeito e impedir que novos casos de violência cheguem ao sistema”, concluiu.

Responsabilização e conscientização

A imagem mostra o juiz Marcos Terêncio durante sua participação no debate sobre violência doméstica. Ele é um homem de pele clara, cabelos grisalhos nas temporas, olhos escuros e usa óculos de grau. Está segurando o microfone com a mão direita. Veste terno e gravata pretos e camisa branca. O juiz Marcos Terêncio destacou que o enfrentamento à violência doméstica passa pela responsabilização dos agressores, mas também por ações de conscientização e transformação de comportamento.

O debate conduzido por ele no fórum abordou “a responsabilidade penal dos agressores, tanto pela punição propriamente dita, quanto pelos sistemas de autorresponsabilização”. Ele citou os Grupos Reflexivos para homens, desenvolvidos pelo Judiciário.

“A intenção é diminuir a reincidência, demonstrando, de um lado, que a punição é certa e célere e, de outro, fazer com que esses homens reflitam sobre a violência, o machismo enraizado e os impactos causados às vítimas e às próprias famílias”, afirmou.

O magistrado também ressaltou a importância da abordagem adotada durante a série exibida pela emissora. “As narrativas são dramáticas, mas não sensacionalistas. O protagonismo é da mulher. O agressor não deve ser o protagonista da história, mas precisa reconhecer o seu papel e compreender o que a violência causa para todos ao seu redor”, completou.

Parceria institucional

A imagem mostra o diretor de Conteúdo da TVCA, Marcello Rosa. Ele é um homem de pele clara, cabelos loiros curtos, olhos azuis e barba por fazer branca. O diretor veste camisa social azul clara. Atras dele aparece o palco do auditório da emissora. Para o diretor de Conteúdo da TVCA, Marcello Rosa, o enfrentamento à violência contra a mulher exige mobilização permanente da sociedade e atuação conjunta das instituições.

De acordo com ele, a parceria com o TJMT fortalece o debate e amplia a capacidade de mobilização social. “A Justiça é fundamental nesse processo. A melhor parceria possível é ter o TJ encabeçando a organização desse evento e trazendo outros players para essa discussão. É assim que vamos transformando a sociedade, mudando pensamentos e garantindo mais segurança para as mulheres, principalmente por meio da educação”, destacou.

Leia mais:  Confira resultado da etapa de heteroidentificação e resultado final do seletivo para juízes leigos

Do luto à luta

Alenir Gomes da Silva, mãe de uma vítima de feminicídio, participou da série documental. Aline tinha 20 anos e um filho de quatro anos quando foi morta pelo marido, em 2020.

“Ela tentava sair da relação, mas não conseguia. Muitas coisas ela não contava porque tinha medo dele. Eu tentei registrar boletim de ocorrência, mas naquela época diziam que quem precisava denunciar era a vítima”, relembrou.

Ao defender a importância de dar visibilidade aos casos de violência doméstica, Alenir explicou que decidiu participar da série para conscientizar outras mulheres e famílias. “Enquanto eu continuar falando, divulgando, alguém vai cair na real e perceber os sinais. É importante que ninguém esqueça.”

Ela também ressaltou a necessidade de investir em educação e prevenção desde a infância. “Tem que começar cedo, na escola, conscientizando meninos e meninas sobre respeito e sobre como a violência começa”, disse.

A imagem mostra o auditório da TVCA lotado com a plateia do fórum Destinos Roubados. A maioria da audiência é composta por mulheres. Carta de Compromisso Institucional

Ao final do fórum, as instituições participantes construíram uma Carta de Compromisso Institucional com propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio no estado, que somente neste ano já registrou 18 feminicídios, deixando órfãs 22 crianças e adolescentes, além de 79 tentativas de feminicídio.

Série disponível no Globoplay

Os episódios da série “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio” estão disponíveis no aplicativo Globoplay, com as edições exibidas entre os dias 25 e 29 de maio no telejornal Bom Dia MT.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana