Política Nacional

Diretor da IFI defende controle da dívida, mais investimento e orçamento flexível

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O desenvolvimento sustentável da economia brasileira depende de três fatores: controle da dívida pública, elevação dos investimentos federais e flexibilização do orçamento. A avaliação é do economista Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. Ele participou de uma audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) nesta quarta-feira (10).

Pestana defendeu uma “perspectiva ousada” para que a política fiscal brasileira volte aos “trilhos do desenvolvimento sustentável”. A primeira medida seria o controle da dívida pública.

— A dívida vai fechar este ano em torno de 78% do Produto Interno Bruto (PIB), com tendência crescente de 83% no ano que vem e tendendo a 100% do PIB em 2030. Estancar o crescimento da dívida demandaria 2% de superávit primário por ano — explicou.

O segundo pilar para o desenvolvimento sustentável, de acordo com o diretor-executivo da IFI, passa pelo aumento de investimentos federais em setores como infraestrutura, habitação, saneamento e ciência e tecnologia. Pestana lembrou que, ao longo da história, a União sempre foi responsável por capitanear a aplicação de recursos nessas áreas. 

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— Tivemos no governos de Getúlio Vargas, Jusclino Kubitscheck e Ernesto Geisel — e em todo o curso da história — a liderança do governo central. Nos últimos anos, municípios e estados já investem mais que o governo federal. O PAC, que é o programa estratégico de investimento, é orçado em apenas R$ 60 bilhões, numa receita total disponível de R$ 2,5 trilhões. Para ter dimensão, os brasileiros têm apostado nas bets R$ 300 bilhões por ano, cinco vez mais que o programa estratégico do governo federal. Na China isso seria impensável — afirmou.

Marcus Pestana também criticou “a rigidez à toda prova” das leis orçamentárias aprovadas no país. Para o economista, esse fator dificulta as ações do Poder Executivo.

— Um quadro incluído no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) mostrava que despesas discricionárias seriam crescentemente negativas em 2027, 2028 e 2029. Isso quer dizer o quê? Que o presidente da República se elege, mas não tem margem nenhuma para liberdade para implantar seu programa de governo. Porque 100% do orçamento é obrigatório — afirmou.

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Segundo o diretor-executivo da IFI, o Brasil “está no vermelho desde 2014”. Para ele, cinco decisões tomadas pelo poder público nos últimos anos contribuem para pressionar os gastos públicos:

  • vinculação das despesas com saude e educação;
  • retorno da política de valorização do salário mínimo;
  • aumento da participação da União no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb);
  • manutenção do Bolsa Família em R$ 600; e
  • criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional e do Fundo de Compensação por Benefícios Fiscais, previstos na reforma tributária.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Política Nacional

Comissão aprova penas mais rígidas para exploração de recursos naturais em terras indígenas

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A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou proposta que endurece as penas para quem explorar matéria-prima em terras tradicionalmente ocupadas por povos indígenas.

O texto altera a lei de crimes contra a ordem econômica e prevê pena de reclusão, de dois a dez anos, e multa para o crime contra o patrimônio da União, em caso de exploração ilegal de matérias-primas em terras indígenas.

O texto aprovado é a versão da deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) ao Projeto de Lei 959/22, do ex-deputado Leo de Brito (AC). O projeto inicial aumenta de um a cinco anos de detenção para dois a seis anos.

Segundo Xakriabá, a aprovação representa um avanço no combate à exploração ilegal de recursos em terras indígenas, e também um ato de “justiça histórica e de reafirmação da dignidade da pessoa humana como fundamento da República”, consagrando os povos originários como sujeitos de direitos e aliados indispensáveis na preservação da vida e do meio ambiente.

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Xakriabá afirmou que a proteção das terras indígenas guarda relevância estratégica para o Brasil e para o mundo. “Nós, povos originários, desempenhamos papel essencial na preservação ambiental, utilizando conhecimentos ancestrais e práticas sustentáveis que assegurem a integridade de biomas cruciais”, disse, ao defender a defesa dos direitos indígenas como política de enfrentamento da crise climática e da perda de biodiversidade.

Crimes ambientais
A proposta também altera a Lei dos Crimes Ambientais para aplicar a mesma pena (6 meses a 1 ano de detenção) dos que extraem irregularmente recursos minerais para quem:

  • colocar em risco a vida ou saúde de pessoas;
  • causar significativo impacto ambiental;
  • utilizar máquinas ou equipamentos pesados de mineração; ou
  • realizar a atividade mediante ameaça ou com emprego de arma.

Caso o crime seja praticado em terras indígenas, a pena será aumentada até o dobro. Quem financiar esse tipo de ação poderá ter até três anos de detenção.

Próximos passos
O projeto será analisado ainda pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Depois, seguirá para o Plenário. Para virar lei, precisa ser aprovado por Câmara e Senado.

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Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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