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Divórcio após quase 30 anos de separação é formalizado pelo Ribeirinho Cidadão em Cáceres

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Após quase três décadas de separação, um casal finalmente conseguiu oficializar o divórcio durante a 19ª edição do Projeto Ribeirinho Cidadão – Rota das Águas, realizada nesta quinta (12) e sexta-feira (13) no Distrito de Caramujo, em Cáceres. O caso foi resolvido com o apoio do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), que promoveu uma audiência híbrida e possibilitou que o processo fosse concluído em poucos minutos, encerrando uma pendência que se arrastava há anos.

O pescador Antônio Ferreira da Silva e a ex-esposa estavam separados havia quase 30 anos, mas nunca haviam formalizado o divórcio. Apesar de cada um viver em uma cidade diferente, a ausência do documento oficial continuava gerando dificuldades na vida civil do casal.

Durante o atendimento do Cejusc no projeto, Antônio participou presencialmente da audiência, acompanhado da filha do casal, enquanto a ex-esposa participou de forma virtual, a partir de outra cidade. Com o consentimento das duas partes, foi possível redigir o termo e formalizar o divórcio.

“Agora consegui legalizar tudo. Resolvi a situação e agora vou continuar solteiro daqui para frente. Antes isso prejudicava, principalmente agora que estou numa idade em que vou me aposentar e preciso de toda a documentação regularizada. Agora é outra coisa, é outra vida. Estou tranquilo, sem esse impedimento”, relatou o pescador.

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Tecnologia e diálogo facilitam solução

A filha do casal, Elis Fernanda de Melo Silva, enfermeira e atualmente vereadora no município de Cáceres, acompanhou o pai durante o atendimento e ajudou a viabilizar a participação da mãe na audiência.

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Segundo ela, a regularização era um desejo antigo da família, mas a distância e as dificuldades para lidar com documentos em outro estado acabavam adiando a solução. “Meus pais estão separados há 28 anos e essa situação sempre incomodou os dois, porque hoje em dia tudo precisa de documento. Essa oportunidade foi muito importante para colocar tudo em dia. Foi tudo muito rápido e simples, e já estamos saindo daqui com a situação resolvida”, contou.

Ela também destacou a praticidade do atendimento híbrido. “O mais interessante é que foi possível resolver dessa forma, com atendimento presencial e virtual. Eu nem sabia que isso era possível e vimos tudo acontecer de maneira muito rápida. Hoje é um dia muito feliz para a nossa família”, afirmou.

Cejusc facilita acordos e evita conflitos judiciais

A conciliadora do Fórum de Cáceres, Marina Ciralli, explicou que o casal havia realizado apenas a separação judicial em 1997, quando o procedimento exigia uma etapa posterior para a conversão em divórcio. Com a mudança da legislação, o divórcio passou a poder ser realizado diretamente, mas a regularização do caso nunca havia sido concluída.

Durante o atendimento no projeto, a equipe do Cejusc identificou a possibilidade de resolver a situação rapidamente. Com o contato da ex-esposa, por WhatsApp foi possível realizar a audiência virtual e formalizar o acordo. “Foram cerca de 10 minutos de atendimento e mais 10 minutos de audiência. Ela confirmou que desejava o divórcio, ele também confirmou, e conseguimos redigir o termo, colher o aceite dela de forma online e formalizar o divórcio”, explicou.

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Segundo a conciliadora, após a formalização, o próprio fórum encaminhará a documentação para o cartório em Mato Grosso do Sul, responsável pela emissão da certidão atualizada.

Marina destaca que o Cejusc atua justamente para facilitar soluções consensuais em diversas áreas. Entre os atendimentos realizados estão questões de guarda de filhos, pensão alimentícia, reconhecimento de paternidade, exames de DNA, divórcios e outros tipos de acordos entre as partes. “Se as pessoas estiverem presentes, conseguimos resolver ali mesmo. Se estiverem em outro lugar, podemos fazer de forma online. O importante é que elas saiam daqui já com um encaminhamento para a solução do caso”, afirmou.

O Projeto Ribeirinho Cidadão – Rota das Águas segue agora para outras localidades. A próxima parada será no município de Vale de São Domingos, nos dias 15 e 16 de março, e depois em Reserva do Cabaçal, nos dias 18 e 19 de março, levando serviços de cidadania e acesso à Justiça a comunidades de difícil acesso da região.

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Autor: Roberta Penha/Luiz Vieira

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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