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Dólar recua frente ao real com investidores atentos a dados econômicos e decisões de juros

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O dólar iniciou a semana em leve baixa frente ao real, acompanhando o movimento de desvalorização global da moeda norte-americana. O cenário reflete o ajuste dos investidores após recentes decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, que indicam um período de maior cautela no ritmo de juros.

Por volta das 12h30 desta segunda-feira (15), o dólar comercial era negociado a R$ 5,40, com queda de aproximadamente 0,3% em relação ao fechamento anterior, segundo dados do Investing.com.

Mercado internacional e política monetária do Fed

A moeda americana segue pressionada no mercado internacional após o Federal Reserve (Fed) anunciar um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros dos Estados Unidos na semana passada. A decisão, somada a declarações do presidente do Fed sobre uma possível flexibilização da política monetária nos próximos meses, impulsionou o apetite por risco e favoreceu moedas emergentes, como o real.

De acordo com a Reuters, o dólar apresenta perdas frente a outras moedas fortes, como o euro, a libra esterlina e o iene japonês. Essa tendência reflete a percepção de que o banco central norte-americano poderá adotar uma postura mais branda diante dos sinais de desaceleração da economia global.

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Cenário doméstico e atividade econômica

No Brasil, os investidores reagiram à divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador apresentou queda de 0,2% em outubro, na comparação com setembro, contrariando as projeções de alta.

O resultado reforça o diagnóstico de desaceleração da economia brasileira, o que aumenta as apostas de que o Banco Central poderá discutir uma redução da taxa Selic em 2026, atualmente mantida em 15% ao ano. Mesmo assim, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua atraente, mantendo o fluxo de capital estrangeiro e ajudando a conter maiores pressões sobre o câmbio.

Bolsa brasileira mantém viés positivo

Enquanto o dólar recua, o Ibovespa, principal índice da B3, opera em alta, refletindo o otimismo dos investidores com o cenário de juros mais baixos e maior liquidez global. Por volta do meio-dia, o índice subia 0,11%, aos 160.938 pontos, após ter acumulado ganho de 2,16% na semana passada, segundo informações do InfoMoney.

Expectativas para os próximos dias

O foco dos mercados nesta semana está voltado para a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada na terça-feira (16), e para o Relatório de Política Monetária do Banco Central, previsto para quinta-feira (18). Os documentos devem trazer novas sinalizações sobre o futuro da Selic e a avaliação da autoridade monetária sobre o ritmo da economia.

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Além disso, discursos de dirigentes do Federal Reserve e novos indicadores de inflação e emprego nos Estados Unidos podem influenciar novamente o comportamento do dólar frente ao real.

Panorama geral
  • Cotação do dólar: R$ 5,40 (-0,3%)
  • Ibovespa: 160.938 pontos (+0,11%)
  • IBC-Br (outubro): -0,2% frente a setembro
  • Selic: 15% ao ano
  • Juros nos EUA: entre 3,50% e 3,75% ao ano

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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