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Escassez de oferta impulsiona alta dos preços do feijão carioca e preto no início de 2026

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O mercado do feijão começou 2026 em ritmo acelerado, impulsionado por uma escassez atípica para o período, segundo avaliação do analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira. A oferta física extremamente reduzida — com volumes diários variando entre apenas 750 e 4.000 sacas nas madrugadas — quebrou a tradicional sazonalidade de janeiro e desencadeou uma forte reação nos preços.

De acordo com Oliveira, a ausência de produto disponível “mudou completamente a dinâmica típica deste período do ano”. Produtores e comerciantes adotaram uma estratégia deliberada de retenção de estoques, reduzindo o volume disponível e priorizando vendas por amostras ou operações casadas, o que ajudou a sustentar médias mais altas.

A consequência foi um movimento técnico de valorização. No mercado CIF São Paulo, o feijão carioca nota 9,5 se consolidou entre R$ 255 e R$ 260 por saca, com registros pontuais chegando a R$ 265. Já o grão nota 8, mais demandado, apresentou liquidez entre R$ 215 e R$ 230 por saca, com alta movimentação de negócios.

Nos principais polos produtores, os preços também subiram. No mercado FOB, o grão alcançou R$ 245 por saca no Noroeste de Minas Gerais, R$ 238 no Leste Goiano, R$ 208 a R$ 211 em Sorriso (MT), acima de R$ 230 na Bahia e entre R$ 199 e R$ 205 no Sul do Paraná. O estado paranaense, tradicional produtor, apresentou “vazio produtivo”, sem volume suficiente para pressionar as cotações.

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Com estoques menores que o esperado e um cenário de oferta ajustada, o viés técnico segue de alta sustentada, apontando para manutenção de preços firmes nas próximas semanas.

Feijão preto reage após perdas e se valoriza com quebra de safra

O feijão preto também iniciou o ano com recuperação expressiva, após um longo período de margens negativas. A primeira safra 2025/26 enfrenta forte quebra de área e produção, o que reduziu drasticamente a disponibilidade do grão. Estimativas apontam que o Paraná, principal estado produtor, cultivou menos de 104 mil hectares, resultando em produção inferior a 190 mil toneladas — uma queda de mais de 50% em relação ao ciclo anterior.

Segundo Oliveira, os preços estavam “excessivamente comprimidos” e passaram por ajuste técnico necessário. Em dólar, o produto ainda é considerado subprecificado, com médias abaixo de US$ 30 por saca, frente à média histórica próxima de US$ 40.

No CIF São Paulo, os padrões superiores oscilaram entre R$ 165 e R$ 170 por saca, mas rapidamente evoluíram para R$ 190 a R$ 200 nos lotes beneficiados e maquinados — estes últimos negociados com prêmio adicional. O valor de R$ 200 por saca já se tornou uma referência nominal e, em alguns casos, efetiva.

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No campo, produtores recusaram ofertas de R$ 130 por saca, apostando em valorização. No mercado FOB, o feijão preto novo atingiu R$ 150 por saca no Paraná, R$ 167 no interior paulista, R$ 152 no Sul do Paraná e R$ 150 no Oeste de Santa Catarina.

A diferença entre o produto a granel e o beneficiado refletiu o fortalecimento das indústrias, e não uma fraqueza de demanda. Ainda que o consumo siga moderado, há expectativa de recuperação com o retorno das compras institucionais e o fim do período de férias.

Perspectivas: cenário de alta e oferta restrita devem continuar

Tanto para o feijão carioca quanto para o feijão preto, o cenário atual é de oferta limitada e preços firmes, com estoques abaixo do ideal e demanda gradualmente aquecida. A tendência é que os próximos meses mantenham viés de alta, principalmente se as condições climáticas seguirem impactando o ritmo das colheitas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação cresce, mas excesso de carne derruba renda

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O Brasil nunca vendeu tanta carne suína, mas o avanço dos embarques não chegou ao bolso do produtor. A produção cresceu mais do que a capacidade de consumo dos mercados interno e externo, derrubou as cotações e levou o suíno vivo ao menor preço real em 24 anos na principal referência paulista.

Entre janeiro e julho, o país exportou 925,6 mil toneladas de carne suína, aumento de 9,1% em relação ao mesmo período de 2025. A receita também cresceu, mas apenas 5,8%, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A diferença mostra que o valor recebido por tonelada já vinha diminuindo.

Os dados parciais de agosto aprofundaram esse movimento. Nos primeiros 15 dias úteis do mês, o volume médio embarcado por dia aumentou 2,4% na comparação anual. O preço médio da carne exportada, entretanto, caiu 9,2%, provocando uma redução de 7% na receita diária.

Isso significa que o mercado internacional está retirando mais carne do Brasil, mas pagando menos pelo produto. As exportações ajudam a escoar parte da produção, porém perderam capacidade de sustentar os preços pagos pelos frigoríficos aos criadores.

Dentro do país, o aumento da oferta foi ainda mais intenso. O abate chegou a 15,58 milhões de suínos no segundo trimestre, alta de 3,2% sobre o mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ritmo continuou elevado em julho e agosto, enquanto o consumo doméstico não avançou na mesma proporção.

Com mais animais disponíveis, os frigoríficos conseguiram preencher as escalas sem disputar lotes. A indústria reduziu as propostas de compra, e o efeito chegou rapidamente ao produtor independente, que negocia diretamente o suíno terminado e está mais exposto às oscilações do mercado.

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Na região paulista conhecida como SP-5, o animal posto na indústria foi negociado por uma média de R$ 4,97 por quilo em agosto. Depois de descontada a inflação, esse foi o menor preço da série do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), iniciada em março de 2002.

Até então, a menor média real havia sido registrada em julho de 2006, quando o quilo equivalia, em valores atualizados, a R$ 5,06. Em julho deste ano, o suíno paulista valia R$ 5,18 por quilo.

A diferença de R$ 0,21 por quilo entre julho e agosto parece pequena, mas representa uma perda de R$ 25,20 na comercialização de um animal de 120 quilos. Em uma carga com 100 suínos desse peso, a redução da receita chega a R$ 2.520 em apenas um mês, antes do desconto de transporte, impostos e demais despesas.

Outro levantamento, realizado pela consultoria Safras & Mercado, mostra que o preço médio do suíno vivo no Centro-Sul caiu de R$ 5 para R$ 4,77 por quilo em agosto. Para um animal de 120 quilos, a retração representa R$ 27,60 a menos na receita bruta do produtor.

A queda do animal vivo foi mais intensa que a desvalorização da carne. A carcaça recuou 2,91% no mês, para R$ 7,50 por quilo, enquanto o pernil perdeu 1,19% no atacado e terminou agosto cotado a R$ 9,49. Essa diferença indica que uma parcela maior do ajuste recaiu sobre o criador.

No Rio Grande do Sul, representantes da suinocultura afirmam que produtores já estão vendendo abaixo do custo de produção. O problema não teria sido provocado por uma disparada das despesas com ração, uma vez que milho e farelo de soja permaneceram relativamente estáveis, mas pela forte queda no valor pago pelo suíno a partir do segundo trimestre.

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A situação também mostra que crescimento da produção não significa necessariamente aumento da renda. Quando o número de animais avança mais depressa que o consumo, o resultado pode ser uma disputa entre produtores para colocar o suíno no frigorífico, com transferência de renda do campo para as etapas seguintes da cadeia.

O ajuste não acontece rapidamente. Os animais que já estão nas granjas continuarão chegando ao peso de abate, mesmo que os produtores reduzam agora o alojamento ou interrompam planos de expansão. Essa característica biológica prolonga os períodos de excesso de oferta.

O último trimestre costuma trazer alguma recuperação do consumo, favorecida pelas festas de fim de ano. Uma reação também poderá ocorrer se as exportações mantiverem o crescimento e recuperarem valor. Ainda assim, representantes do setor avaliam que uma eventual alta pode não ser suficiente para devolver imediatamente a rentabilidade às propriedades.

O desafio da suinocultura, portanto, deixou de ser apenas produzir e exportar mais. Para que o crescimento seja sustentável, a expansão dos plantéis precisa acompanhar a capacidade real de consumo e a disposição dos compradores de pagar pela carne. Sem esse equilíbrio, o recorde de produção aparece nas estatísticas, enquanto o prejuízo permanece na granja.

Fonte: Pensar Agro

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