Política Nacional

Especialistas cobram política permanente para expansão da educação profissional

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Especialistas em educação defenderam nesta terça-feira (15) políticas permanentes de Estado para estimular o ensino profissionalizante no Brasil. O tema foi debatido em uma audiência pública da Frente Parlamentar em Favor da Educação Profissional e Tecnológica (FPEpTec).

O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), presidente da frente e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, relacionou a educação profissional à transformação social. Para ele, os cursos profissionalizantes podem ajudar a revelar talentos entre os jovens e afastá-los da criminalidade e das drogas.

— Todo jovem tem talentos, só precisamos descobrir em que área. Se eles ficam com uma influência ruim, podem se tornar um problema sério. Portanto, é importante que nós tenhamos cursos profissionalizantes que consigam trazer para esses jovens oportunidades de crescimento e desenvolvimento — afirmou.

Pontes destacou ainda que apenas entre 11% e 14% dos jovens brasileiros fazem algum curso profissionalizante atualmente. Ele defende que o país precisa de políticas de Estado permanentes para atingir índices próximos aos observados em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como a Coreia do Sul, onde a formação técnica possui maior alcance.

Fortalecimento

O tema da audiência pública foi “Governança, Gestão, Qualidade e Avaliação na Educação Profissional e Tecnológica”. O encontro reuniu especialistas, representantes do Sistema S e gestores da área para discutir desafios e propostas voltadas à ampliação e ao fortalecimento do ensino técnico no Brasil.

Para Almério Melquíades de Araújo, coordenador do Ensino Médio e Técnico do Centro Paula Souza, o principal desafio é integrar o ensino técnico ao ensino médio regular. Ele afirmou que o país já possui infraestrutura escolar e demanda estudantil suficientes, mas ainda faltam políticas estaduais mais estruturadas.

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— No Brasil, tem estado que tem mais de 50% dos estudantes do ensino médio, de 14 a 17 anos, fazendo o ensino médio e o técnico, e tem estado que não chega a 10%, porque não há uma política de incentivo, controle e avaliação dessa oferta — completou.

Gestão e governança

O professor Alaor Mousa Saccomano, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), defendeu mais eficiência na gestão dos recursos públicos destinados ao setor e afirmou que os principais problemas estão relacionados à governança, qualidade e execução das políticas.

— O motor econômico principal é a educação profissional de excelência, que gera recursos para todos os atores da cadeia social, do indivíduo à nação — declarou.

Saccomano citou a Lei da Aprendizagem (Lei 10.097, de 2000), atualmente em nova análise no Senado, e afirmou que parte das vagas previstas para aprendizes permanece desocupada. Pela legislação, empresas de médio e grande porte devem reservar entre 5% e 15% de suas vagas para aprendizes. Segundo o professor, apenas 52,9% dessas vagas estão preenchidas atualmente, devido a falhas de execução, desconhecimento da legislação e baixa articulação institucional.

Entre as propostas apresentadas, ele sugeriu a criação de conselhos técnicos consultivos regionais nas escolas, com participação de empresários e profissionais experientes, para identificar demandas locais e atualizar currículos de acordo com as necessidades do setor produtivo.

Setor privado

Especialista em Desenvolvimento Industrial do Senai, Marilza Machado Gomes Regattieri ressaltou que o novo Plano Nacional de Educação (PNE) prevê a ampliação da educação profissional entre estudantes do ensino médio. Ela explicou que a expansão exige planejamento específico, já que a formação técnica demanda espaços e estruturas adequadas para atividades práticas.

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— Ao pensar essa expansão, é importante pensar estratégias que não sejam fechadas nas unidades escolares em si e nem nas redes — declarou.

Ela defendeu maior integração entre escolas e empresas, inclusive com utilização compartilhada de espaços produtivos como ambientes de aprendizagem e laboratórios práticos.

O diretor de Relações Institucionais do Senac Nacional, Antônio Henrique Borges Paula, apresentou o modelo de governança da instituição, baseado em diretrizes nacionais com autonomia das unidades estaduais para adaptar os cursos às demandas locais. Ele destacou a realização de fóruns setoriais periódicos para atualização curricular, seguindo metodologia da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

— Nossa maior satisfação é que, a cada 10 pessoas que formam, 7,8 já saem trabalhando — afirmou.

Encaminhamentos

Ao final da audiência, o senador Astronauta Marcos Pontes afirmou que as propostas apresentadas durante os debates serão reunidas em um relatório da frente parlamentar. O documento deverá servir de base para futuras propostas legislativas e políticas públicas voltadas ao fortalecimento da educação profissional e tecnológica no país.

Esta foi a segunda audiência de uma série de debates promovidos pela frente parlamentar ao longo da semana.

Lurya Rocha, sob supervisão de Dante Accioly.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Alan Rick alerta para avanço da violência nas escolas após ataque no Acre

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Em pronunciamento no Plenário nesta terça-feira (12), o senador Alan Rick (Republicanos-AC) prestou homenagem às duas servidoras mortas no ataque no Instituto São José, em Rio Branco, na semana passada. Ele enfatizou que as vítimas tentavam proteger os alunos durante a ação de um adolescente de 13 anos, responsável pelos disparos dentro da escola.

— Alzenir Pereira da Silva, conhecida carinhosamente como tia Zena, avó, mãe, esposa, 53 anos de idade, uma presença conhecida por toda a comunidade escolar; a Raquel Sales Feitosa tinha 36 anos, uma vida inteira pela frente, cursava enfermagem, tinha planos, sonhava em crescer profissionalmente, tinha tantos projetos que foram ceifados. As duas foram assassinadas de forma brutal por esse adolescente de 13 anos. Não estamos aqui diante de um fato isolado, mas de um assustador e silencioso, muitas vezes, aumento da violência nas nossas escolas — disse.

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O parlamentar também apresentou dados sobre o crescimento dos casos de violência escolar no Brasil. Segundo ele, os números somam mais de 13 mil ocorrências em 2023, com reflexos diretos na rotina de alunos, professores e famílias.

O senador afirmou que o enfrentamento exige medidas que vão além da estrutura física. Ele defendeu o fortalecimento do apoio psicológico, a presença das famílias nas escolas e a valorização dos educadores. Também citou projetos apresentados por ele para tratar do tema, como o projeto de lei (PL 708/2015), que avançou na Câmara dos Deputados, mas não foi concluído, e o projeto de lei (PL 2.036/2023), aprovado no Senado e ainda em tramitação.

— O Acre hoje chora por tia Zena e por tia Raquel, e essa dor não pertence apenas ao estado do Acre, mas a todo o povo brasileiro e a todos aqueles que perderam entes queridos em ataques nas escolas deste país. E é por isso que faço um apelo sincero aos colegas parlamentares desta Casa: que possamos tratar a segurança escolar como prioridade nacional. Estamos falando de 3,7 mil casos em 2013 para mais de 13 mil casos em 2023. Precisamos agir antes da próxima tragédia.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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