Tribunal de Justiça de MT
Especialistas do Brasil e da Europa discutem futuro dos precedentes judiciais
Publicado
4 de fevereiro de 2026, 12:00
O debate sobre a segurança jurídica e a modernização do Judiciário ganhou novos contornos na manhã desta terça-feira (3 de fevereiro), segundo dia do Congresso Internacional de Precedentes, realizado no Complexo dos Juizados Especiais, em Cuiabá. Promovido pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), o evento consolida o Estado como epicentro de discussões ao reunir grandes nomes do Direito do Brasil, Itália e Espanha para debater a evolução dos precedentes judiciais e os impactos da inteligência artificial no sistema de Justiça contemporâneo.
Um dos pontos centrais da fala de Alvim foi a ideia de que o precedente não nasce “pronto”, mas é construído ao longo do tempo. Ele utilizou como exemplo o caso das taxas de matrícula em universidades públicas: se o Supremo Tribunal Federal (STF) proíbe tal cobrança, é legítimo que um tribunal local negue seguimento a recursos que contrariem essa tese. No entanto, o professor alertou para os riscos de uma aplicação automática e excessiva.
Dando sequência à internacionalização do congresso, o Painel 5 trouxe o olhar estrangeiro com a palestra “Precedentes Judiciales: Perspectiva Europea”. O professor catedrático da Universidad de Salamanca, Lorenzo Mateo Bujosa Vadell, detalhou como o sistema espanhol e o bloco europeu lidam com a uniformização de decisões. O painel foi presidido pelo desembargador Gilberto Giraldelli (TJMT) e teve como debatedor o juiz auxiliar da Vice-Presidência do TJMT, Gerardo Humberto Alves Silva Junior.
Segundo ele, o Tribunal Supremo Espanhol já não é o Tribunal Supremo. “É o Tribunal Supremo de nome, mas já não é um Tribunal Supremo. Tem outros tribunais por cima que, algumas vezes, têm alguns conflitos. Já há tempo que não temos conflitos muito visíveis, mas devemos lembrar que tivemos alguns conflitos muito grandes, da primeira página dos periódicos.”
Encerrando o ciclo da manhã, o Painel 6 focou na “Estabilidade dos Precedentes”, fator essencial para a previsibilidade das decisões judiciais. O palestrante foi o professor e pós-doutor pela Universidade de Lisboa Rennan Faria Krüger Thamay (Fadisp), acompanhado pela desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos na presidência da mesa. O juiz Antônio Veloso Peleja Júnior, coordenador pedagógico da Esmagis-MT, atuou como debatedor.
Segundo ele, o Brasil tem um sistema absolutamente complexo de mutabilidade ou imutabilidade. “Precedente não é estabilidade, coerência, segurança jurídica? Como que existe em nosso país constitucionalidade ou inconstitucionalidade do Funrural? Vou além: aborto de anencéfalo, ficha limpa, prisão em segunda instância, Tese do Século, união homoafetiva. Se o nosso sistema de precedentes fosse verdadeiramente estável, esses casos possivelmente não existiriam. Ou, se existissem, seriam muito mais dificilmente tratados aqui no nosso país”, asseverou o professor.
Finalizadas as palestras da manhã, a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso Desembargador João Antônio Neto conferiu e certificou os três palestrantes — Eduardo Alvim, Lorenzo Bujosa e Rennan Thamay — com o título de Professores Notáveis.Autor: Lígia Saito
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
Curso “Pena Justa no Ciclo Penal” fortalece atuação humanizada no sistema penitenciário de MT
Publicado
30 de abril de 2026, 22:30
Magistrados(as), servidores(as) e gestores(as) judiciais concluíram nos dias 29 e 30 de abril o primeiro módulo da capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal”, promovida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso.
A formação integra a estratégia institucional voltada ao aperfeiçoamento da atuação judicial no sistema penal, com foco em práticas mais eficientes, humanizadas e alinhadas aos direitos fundamentais. Durante os dois dias de atividades presenciais, foram debatidos temas como medidas diversas da prisão, execução penal, políticas de cidadania, inspeções judiciais e atenção a populações com vulnerabilidade acrescida no ciclo penal.
O diretor da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal destacou que a Esmagis e o Poder Judiciário cumprem papel essencial na formação continuada da magistratura e no aprimoramento institucional.
“A execução penal exige uma jurisdição mais consciente e comprometida com a realidade humana do sistema prisional. A formação é o caminho para que possamos refletir sobre nossas responsabilidades e buscar alternativas que efetivamente contribuam para a recuperação das pessoas. Não basta levar ao cárcere, é preciso discutir formas verdadeiras de recuperar e reeducar. Isso exige conhecimento, consciência e responsabilidade de todos nós”, comentou
Supervisor do GMF-MT, o desembargador Orlando de Almeida Perri ressaltou que a capacitação também busca ampliar a sensibilidade dos magistrados(as) diante da realidade prisional. “É muito importante promover cursos como este para conscientizar sobre a importância do sistema prisional. Precisamos enfrentar problemas graves e depende muito das atitudes e condutas dos magistrados para que possamos promover as melhorias necessárias”.
A formadora do curso, Laryssa Angélica Copack Muniz, juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba e coordenadora Adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça do Paraná, conduziu os debates com foco na humanização da atuação judicial, no papel constitucional do sistema penal e na necessidade de construir respostas mais eficazes para a violência e a reincidência. Durante a capacitação, a magistrada abordou temas ligados à execução penal, medidas alternativas à prisão, reinserção social e o compromisso institucional de garantir direitos fundamentais também às pessoas privadas de liberdade.
“O curso propõe uma reflexão sobre como juízes e juízas podem aperfeiçoar sua atuação criminal e na execução penal, contribuindo para reverter o estado inconstitucional reconhecido nas prisões brasileiras. Não existe sociedade sem reintegração. As pessoas privadas de liberdade retornarão ao convívio social, e cabe ao Estado criar condições para que voltem melhores do que entraram. Quando falamos em trabalho, estudo e dignidade no sistema prisional, falamos em segurança pública de verdade. Ressocializar também é proteger a sociedade”, destacou.
Participação ativa
Juiz da 3ª Vara Criminal de Sinop, Walter Tomaz da Costa avaliou que o curso trouxe reflexões importantes para o enfrentamento da superlotação carcerária.
“Mato Grosso vive uma realidade de superpopulação carcerária. O Programa Pena Justa enfatiza a ressocialização e tende a melhorar esse cenário, desde que haja sensibilização de todos os poderes envolvidos. E esta capacitação chega em um momento necessário, especialmente para comarcas que convivem diretamente com a superlotação carcerária. A formação permite que os magistrados compartilhem experiências e reflitam sobre caminhos possíveis. Em Sinop, por exemplo, a superlotação é uma realidade urgente, e precisamos de medidas que envolvam não apenas o Judiciário, mas também o Executivo”, contou
Já a magistrada Edna Ederli Coutinho, integrante do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá e juíza cooperadora de Execução Penal, destacou a importância de enxergar o sistema penitenciário sob a perspectiva humana.
“Esses cursos são fundamentais porque trazem ao magistrado a reflexão de que a pessoa presa continua sendo um ser humano. A rotina do trabalho judicial muitas vezes nos aproxima da burocracia e nos distancia da dimensão humana do sistema prisional. Cursos como este ajudam a resgatar esse olhar. Precisamos ainda lembrar que toda pessoa privada de liberdade um dia retornará ao convívio social. Se o sistema não oferecer trabalho, estudo e condições de dignidade, a reincidência continuará afetando toda a sociedade”, ressaltou Edna Coutinho.
Formação alinhada às metas institucionais
A capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal” integra diretrizes estratégicas relacionadas ao Prêmio CNJ de Qualidade 2026/2027 e busca fortalecer a atuação de magistrados(as), assessores(as) e gestores(as) judiciais no ciclo penal, especialmente nas áreas de fiscalização das unidades prisionais, aplicação de medidas alternativas e garantia de direitos fundamentais.
O próximo módulo será ofertado no período de 11 a 15 de maio, na modalidade EAD, com foco na prevenção à tortura e na saúde mental, também sob a responsabilidade da magistrada Laryssa Muniz.
O terceiro e último módulo será promovido no dia 18 de maio de 2026 e tratará do tema “Audiência de Custódia”, tendo como formadores o juiz Marcos Faleiros da Silva e o servidor Marcos Eduardo Moreira Siqueri.
Autor: Ana Assumpção
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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