Agro News

Exportações do agronegócio batem recorde em 2025 e garantem superávit histórico de US$ 149 bilhões

Publicado

Setor agropecuário impulsiona balança comercial brasileira

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com exportações recordes de US$ 169,2 bilhões, segundo dados divulgados pela Consultoria Agro do Itaú BBA. O valor superou o recorde anterior, registrado em 2023. As importações também atingiram o maior patamar da série histórica, somando US$ 20,1 bilhões, o que resultou em superávit de US$ 149,1 bilhões — alta de 2,8% em relação a 2024.

O setor manteve relevância estratégica na economia nacional, representando 49% de todas as exportações brasileiras em 2025, consolidando-se como um dos pilares da balança comercial.

Soja lidera exportações e carne bovina ganha destaque

A soja foi novamente o carro-chefe das vendas externas, com 108 milhões de toneladas embarcadas, crescimento de 10% frente a 2024. Mesmo com a queda de 7% nos preços médios, o complexo soja (grão, farelo e óleo) gerou US$ 52,9 bilhões em receita.

As exportações de carne bovina também registraram desempenho expressivo: foram 3,1 milhões de toneladas exportadas, avanço de 21%, com preço médio de US$ 5.374/t, resultando em US$ 16,6 bilhões em faturamento.

Outras proteínas animais, como a carne suína, cresceram 12% em volume, enquanto a carne de frango in natura teve queda de 6%, reflexo da gripe aviária registrada em meados do ano, que restringiu mercados importadores.

Leia mais:  Mercados Globais e Ibovespa Recuam com Expectativas Sobre Relatório de Emprego nos EUA
Café e celulose sustentam ganhos em meio a quedas de volume

Mesmo com retração de 18% no volume exportado, o café verde alcançou recorde histórico de receita, totalizando US$ 14,9 bilhões. O resultado foi impulsionado pela valorização de 60% no preço médio do produto, que atingiu US$ 6.550/t.

A celulose também foi destaque, com crescimento de 13% no volume exportado, somando US$ 10,25 bilhões em vendas, apesar da queda de preços médios internacionais.

Açúcar e etanol enfrentam retração com mercado internacional mais competitivo

O complexo sucroenergético foi impactado pela queda nos preços globais e aumento da oferta internacional, o que reduziu os embarques brasileiros.

O açúcar bruto (VHP) teve retração de 12% em volume e 14% em preço, resultando em receita de US$ 12,08 bilhões. Já o açúcar refinado caiu 10% em volume e 16% em preço, gerando US$ 2,03 bilhões.

O etanol, por sua vez, registrou redução de 15% no volume exportado, mas com leve alta de 4% nos preços, totalizando US$ 934 milhões em receitas.

Milho e algodão mantêm crescimento constante

As exportações de milho alcançaram 41 milhões de toneladas, alta de 3%, com receita de US$ 8,47 bilhões. Já o algodão em pluma teve recorde histórico de volume exportado, somando 3 milhões de toneladas — avanço de 9% —, embora com queda de 12% nos preços médios, totalizando US$ 4,93 bilhões.

Leia mais:  Chuva atrasa safrinha no Centro-Oeste e seca derruba soja no Sul
China mantém liderança nas compras do agro brasileiro

A China continuou sendo o principal destino das exportações do agronegócio, com US$ 55,3 bilhões em compras — aumento de 11,3% em relação ao ano anterior. Os principais produtos enviados foram soja, carne bovina e celulose.

A União Europeia manteve-se como segundo maior parceiro comercial, com US$ 25,2 bilhões em importações, aumento de 8,6%, concentrando-se em café, soja e celulose.

Já os Estados Unidos responderam por US$ 11,4 bilhões em compras, retração de 5,6%, devido à manutenção de tarifas sobre parte dos produtos brasileiros.

Perspectiva: diversificação e valorização seguem como desafios

De acordo com o Itaú BBA, o agronegócio brasileiro encerra 2025 com um desempenho sólido, mas enfrenta o desafio de diversificar mercados e ampliar o valor agregado de suas exportações. A tendência para 2026 é de ajuste nos preços internacionais e disputa crescente entre açúcar e etanol, especialmente com o aumento da produção de milho e a demanda global por biocombustíveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

Publicado

A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

Leia mais:  Chuva atrasa safrinha no Centro-Oeste e seca derruba soja no Sul

A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

Leia mais:  Louveira sedia 8º Encontro Enoconexão com foco em inovação e enoturismo no setor vitivinícola

Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana