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Fernanda de Araújo Moraes é a vencedora na categoria Pesca Artesanal Continental

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O Prêmio Mulheres das Águas reúne histórias de dedicação, amor e superação na pesca e na aquicultura. Mulheres fortes, que traçaram uma trajetória bem-sucedida para elas e para a comunidade em que vivem.  É o caso da Fernanda Araújo Moraes, ribeirinha de Carauari (AM), ganhadora na categoria Pesca Artesanal Continental. 

A história de Fernanda se entrelaça com a história de seu território, o Médio Juruá, e com o modo de vida das famílias que vivem das águas dos rios amazônicos. O passado familiar dela carrega as marcas da migração de seus pais, que vieram do Ceará e do Acre para o Médio Juruá durante o ciclo da borracha.  

Por muitos anos, o extrativismo da seringa sustentou a família; mais tarde, quando essa atividade perdeu força, a pesca tornou-se a principal fonte de renda e alimento. Foi por meio da pesca que seus pais criaram os 18 filhos, entre eles Fernanda, a caçula, e foi a pesca que criou uma relação de profundo respeito com os lagos, rios e florestas do território. 

A família de Fernanda é reconhecida no Médio Juruá pelo papel essencial na proteção de lagos, prática sustentada pela presença constante, pelo trabalho cotidiano e pelo compromisso intergeracional com o bem comum. A família protegeu, e ainda protege, os lagos que compõem o sistema aquático ao redor da comunidade Lago Serrado, onde Fernanda nasceu.  

Desde pequena, Fernanda acompanha as atividades de pesca e de mobilização social, aprendendo que a proteção dos lagos não é apenas um trabalho de conservação ambiental e de produção pesqueira, mas também um ato de cuidado com a vida, com a comunidade e com o futuro. Esse contexto formou sua compreensão sobre o território como um território de vida, cuja integridade depende do esforço coletivo e da coragem de resguardar aquilo que sustenta todos.  

Luta comunitária 

Em 2014, participou da fundação da Associação de Moradores Agroextrativistas do Baixo Médio Juruá (AMAB), atuando como secretária. A associação foi criada para subsidiar e fortalecer o acordo de pesca no baixo Médio Juruá e a integração das comunidades dessa região ao manejo de pirarucu. A partir de 2017, assumiu funções centrais no manejo: registros de contagem, organização administrativa, coordenação e articulação interna entre as comunidades. Seu compromisso e sua clareza de comunicação fizeram com que sua voz se tornasse uma das mais respeitadas nos debates comunitários. 

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Em 2017, depois de mais de oito anos de luta, o trabalho de mobilização social e política de sua família levou à homologação do Acordo de Pesca na área do Baixo Médio Juruá. Esse acordo garante, desde então, a realização do manejo comunitário de pirarucu na região, hoje realizado por 10 comunidades.  

Ao se fixar na comunidade Lago Serrado, em 2018, pode vivenciar um momento de grande transformação: o fortalecimento do manejo comunitário do pirarucu. Fernanda rapidamente se integrou a esse processo, unindo sua experiência prática de vida ribeirinha às demandas de organização, registro e gestão do manejo. 

Esse reconhecimento culminou, em 2021, na sua eleição como a primeira mulher presidenta da AMAB, cargo historicamente ocupado apenas por homens. Sua eleição representou não apenas uma mudança administrativa, mas uma ruptura simbólica profunda: pela primeira vez, uma mulher passou a conduzir a tomada de decisões coletivas em um território onde a voz feminina raramente era legitimada como autoridade pública. 

Desde então, Fernanda tem ampliado o espaço de fala das mulheres, garantindo que elas sejam escutadas nos processos de manejo, nas assembleias, nas formações e nos debates sobre o futuro das comunidades. Implementou cursos de contagem voltados exclusivamente para mulheres, criou espaços de diálogo como o Encontro de Casais e se tornou referência para jovens e adultas que passaram a se reconhecer como possíveis lideranças. 

Como presidenta da AMAB (Associação de Moradores Agroextrativistas do Baixo Médio Juruá), Fernanda transformou a dinâmica de participação nas 10 comunidades que representa. Sua capacidade de comunicação clara e sua presença segura em assembleias, num contexto historicamente dominado por homens, serviram de inspiração e reafirmação para mulheres, abrindo caminho para que outras se sintam pertencentes aos espaços coletivos e passem a falar e a ser escutadas. Esse é um dos impactos mais profundos de sua liderança: a mudança cultural na forma como a voz feminina é percebida e legitimada no território. 

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Transformação social 

Entre as iniciativas de Fernanda está sua articulação para o primeiro curso de contagem de pirarucu voltado exclusivamente para mulheres na área do baixo Médio Juruá, realizado em 2021, em parceria com o Instituto Juruá (organização do terceiro setor que atua na calha do rio Juruá).  

Em agosto de 2025, Fernanda também mobilizou, junto ao Instituto Juruá, o primeiro curso de certificação de contagem no Médio Juruá, em que três mulheres se tornaram contadoras certificadas. Os dois momentos marcaram a entrada definitiva das mulheres da comunidade em um dos processos mais estratégicos do manejo de pirarucu. 

Como porta-voz das mulheres do Médio Juruá, Fernanda representa uma ruptura histórica: levou a perspectiva feminina para espaços onde antes apenas homens falavam em nome do território. Hoje, graças à sua atuação, mais mulheres têm participado ativamente em espaços coletivos, opinando, questionando e propondo soluções. Esse impacto simbólico e estrutural é uma das maiores contribuições de Fernanda para o território. 

Fernanda expandiu a atuação da associação a AMAB cresceu de menos de 100 para mais de 200 associados sob sua gestão, resultado do fortalecimento da confiança e da transparência. Ela intensificou o diálogo com as comunidades, aproximou famílias da associação e reforçou o sentimento de pertencimento ao manejo. Seu trabalho não só qualifica processos técnicos, como também fortalece a governança comunitária e a proteção dos lagos e o entendimento desses ambientes como territórios essenciais para a reprodução da vida ribeirinha. 

Sobre o Mulheres das Águas – O prêmio foi criado em 2023 para reconhecer o trabalho de mulheres que se destacam na pesca e aquicultura, promovendo práticas sustentáveis e, principalmente, o empoderamento das mulheres que vivem das águas. Esta edição será realizada no dia 18 de março, no Teatro Nacional, em Brasília. 

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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Governo do Brasil celebra a Pesca Artesanal

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Ao celebrar nesta quarta-feira (01) os avanços da Pesca Artesanal, em Brasília, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reuniu trabalhadores e trabalhadoras de diversas regiões, mestres das comunidades pesqueiras, assim como representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Fórum Nacional da Pesca Artesanal (FNPA) e da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA).

“Hoje é um dia de muita alegria pois estou tendo a chance de falar para um grupo tão diverso que representa a pesca artesanal do nosso país, reunindo grandes lideranças aqui. Estamos celebrando a Semana Nacional da Pesca Artesanal, sancionada em maio deste ano, pelo presidente Lula, que percebeu que 1,7 milhão de pescadores precisavam ter mais visibilidade”, ressaltou o ministro Edipo Araujo.

Com apresentações artísticas culturais potiguara e paraense, no evento foram entregues certificados e anunciadas políticas públicas. Foi um momento de reconhecer homens e mulheres que mantêm viva essa tradição e reafirmar o compromisso do governo federal com o fortalecimento da pesca artesanal.

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“É muito bom estar em um momento tão importante como este, que celebra a Semana Nacional de Promoção da Pesca Artesanal, e poder ver aqui tantos representantes beneficiados por programas que foram construídos com muito carinho e competência pelos amigos que trabalham na Secretaria Nacional da Pesca Artesanal”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

Pesca Artesanal
Pesca Artesanal

O edital Culturas Pesqueiras Artesanais do Brasil, realizado em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), selecionou para premiação 60 projetos culturais, 4 intelectuais da pesca e 50 mestres e mestras. Entre eles, estava Kivia Lima, premiada na categoria “Gastronomia e culturas alimentares vinculadas ao mundo da pesca artesanal”, que relatou estar muito feliz com este reconhecimento “é a realização de um sonho, estar aqui e ver que somos reconhecidas pela nossa dedicação e saber que com este prêmio poderemos ampliar o alcance das nossas oficinas nas aldeias”.

Além das entregas do Programa Jovem Cientista da Pesca Artesanal, Programa Mais Saúde para os Povos das Águas, edital do Fortalecimento Produtivo, Projeto Ângelas Pescadores, Projeto de Assentamento Agroextrativista Pesqueiro (PAE – Pesqueiro), Programa Nacional de Regularização de Embarcações de Pesca (PROPESC), Selo da Pesca Artesanal, Novo Acordo do Rio Doce, também foi realizada a assinatura da portaria que institui o Plano Nacional da Pesca Artesanal.

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Valorização dos trabalhadores

A Semana Nacional de Promoção da Pesca Artesanal foi instituída pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio da Lei nº 15.414, de 21 de maio de 2026. A data será celebrada, anualmente, na semana em que recair o dia 29 de junho. A lei visa valorizar o trabalho de pescadores e pescadoras da pesca artesanal no país.

Élen Gorski

Ministério da Pesca e Aquicultura

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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