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Governo Federal inicia obras de integração das infovias do Norte Conectado em Manaus

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado de uma comitiva do Governo Federal, lançou, nessa terça-feira (9), em Manaus (AM), as obras de integração das redes de fibras óticas do programa Norte Conectado. O grupo também entregou o cabo subfluvial da Infovia 04, que liga Boa Vista (RR) a Vila de Moura (AM). 

Durante o evento, o presidente ressaltou a importância da infraestrutura para a Região Norte. “Hoje damos um passo histórico para a Amazônia, levando internet e oportunidades para o nosso povo. Estamos fazendo praticamente 12 mil quilômetros de infovia e toda a Região Norte do Brasil estará conectada”, disse.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participou da cerimônia. “Essa rede vai garantir internet de alta velocidade para escolas, hospitais, universidades e comunidades da Amazônia, beneficiando milhares de pessoas. Estamos levando inclusão digital, fortalecendo serviços públicos e criando as bases para um desenvolvimento sustentável e soberano na região”, acrescentou.

Coordenado pelo Ministério das Comunicações, o programa Norte Conectado tem o objetivo de expandir a infraestrutura de comunicações na região amazônica e o uso da internet em iniciativas de inclusão digital, educação, saúde e desenvolvimento sustentável. O programa conta com oito infovias, 12 mil quilômetros de extensão e investimento de R$ 1,3 bilhão do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). A iniciativa beneficia diretamente 10 milhões de pessoas e 70 municípios no Acre (AC), Amapá (AP), Amazonas (AM), Pará (PA), Rondônia (RO) e Roraima (RR).

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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) participa da iniciativa por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). A entidade foi a executora do projeto-piloto do programa, a Infovia 00, entregue em 2022, que interliga cinco cidades: Macapá (AP), Almeirim (PA), Monte Alegre (PA), Alenquer (PA) e Santarém (PA). A organização também implementou o modelo de gestão e sustentação para a infraestrutura. 

Por meio de chamadas públicas, a RNP compôs os Consórcios Abertos de Operadores Neutros, que reúnem os entes interessados na utilização da infraestrutura, estabelecendo a gestão e a governança e rateando os custos da operação. 

Anel óptico

Com Manaus como ponto central, está em construção um anel óptico que vai interligar infovias já existentes, em recuperação e em execução, formando uma rede integrada e ininterrupta de dados. A infraestrutura permite conectar diretamente, no momento, as Infovias 01, 02 e 04, além das Infovias 05, 06 e 08, que vão ficar prontas até o fim do próximo ano. Cada infovia é composta por cabos com 24 pares de fibras ópticas, cada par capaz de transmitir até 4 Tb/s, suficiente para trafegar simultaneamente cerca de 200 mil vídeos em alta definição.

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Infovia 04

A estrutura conecta Boa Vista (RR) a Vila de Moura (AM), com 480 km de cabos subfluviais pelo Rio Branco e 130 km terrestres dutados, um total de 610 km de extensão. O investimento de R$ 118 milhões amplia a capacidade e a estabilidade do tráfego de dados, além de garantir a implementação de redes locais. A nova estrutura beneficiará cerca de 460 mil pessoas em quatro cidades, três em Roraima e uma no Amazonas, levando internet de alta qualidade a escolas públicas, universidades, hospitais, prefeituras e outros serviços essenciais.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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