Agro News

Irregularidade das chuvas pressiona soja e acende alerta para segunda safra em todo País

Publicado

A irregularidade das chuvas nas últimas semanas começa a impactar o desempenho das lavouras em Mato Grosso do Sul justamente no momento mais sensível da safra de soja. O problema ocorre em meio a uma mudança no padrão climático global, marcada pelo enfraquecimento do fenômeno La Niña e pela possibilidade crescente de formação de um El Niño no segundo semestre de 2026.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que os acumulados de chuva têm sido bastante distintos entre as regiões do Estado. Enquanto algumas áreas registraram precipitações regulares, outras enfrentaram veranicos prolongados e temperaturas acima da média, combinação que afeta diretamente as lavouras de soja semeadas mais tarde.

A situação preocupa porque muitas áreas ainda se encontram em fases fenológicas decisivas da cultura, quando são definidos componentes essenciais da produtividade, como número de grãos por vagem e peso final dos grãos. Nessa etapa, mesmo períodos curtos de déficit hídrico podem reduzir significativamente o potencial produtivo.

No sul e sudeste de Mato Grosso do Sul, onde a falta de chuva tem sido mais persistente, estimativas preliminares indicam perdas que podem chegar a 35% em algumas áreas até meados de março.

Relatos de campo confirmam o impacto. Em propriedades da região de Caarapó, produtores relatam que o veranico atingiu a cultura durante a fase reprodutiva. Em algumas áreas, as perdas ultrapassaram metade do potencial produtivo, enquanto a média geral das lavouras afetadas gira em torno de 17%.

Mesmo áreas do norte do Estado — que vinham apresentando melhores condições durante o desenvolvimento inicial da cultura — já começam a registrar sinais de estresse hídrico.

De acordo com o Inmet, o aumento da frequência de déficits hídricos diários entre o final de fevereiro e o início de março elevou a expectativa de perdas também nessas regiões. Até 11 de março, a estimativa apontava redução potencial de 26,8% na produtividade das lavouras mais sensíveis.

A previsão de novas chuvas pode amenizar parcialmente o quadro, mas técnicos avaliam que parte das perdas já se consolidou, já que a soja responde rapidamente ao estresse hídrico nas fases finais do ciclo.

Leia mais:  Irrigação pós-colheita é essencial para fortalecer o cafeeiro e aumentar produtividade

Apesar das dificuldades climáticas, a produção total do Estado ainda deve crescer. Projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que Mato Grosso do Sul pode colher cerca de 15,7 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, volume 10,6% superior ao registrado no ciclo anterior. O aumento é explicado pela expansão da área plantada e pelo bom desenvolvimento inicial das lavouras antes da irregularidade das chuvas.

Mudança no padrão climático

O cenário climático global também está em transição. O atual episódio de La Niña, que influenciou o regime de chuvas no Brasil nos últimos meses, já apresenta sinais claros de enfraquecimento.

Segundo boletim do centro de previsão climática da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), as temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial ainda permanecem abaixo da média — característica típica do fenômeno. No entanto, sensores oceânicos já detectam aumento de calor nas águas abaixo da superfície.

Esse calor acumulado tende a subir nos próximos meses, favorecendo o aquecimento típico do El Niño.

Os modelos climáticos indicam que a transição para condições neutras do sistema oceano-atmosfera deve ocorrer já entre abril e maio. A probabilidade de neutralidade climática entre maio e julho é estimada em cerca de 55%.

A partir do segundo semestre, aumenta a possibilidade de formação do El Niño. Segundo as projeções da NOAA, há 62% de chance de o fenômeno se configurar entre junho e agosto. No trimestre seguinte, a probabilidade sobe para 72% e pode alcançar mais de 80% no final do ano.

Ainda não é possível determinar a intensidade do evento. As projeções indicam cerca de um terço de chance de que o fenômeno seja forte no fim de 2026, com aquecimento superior a 1,5 °C no Pacífico equatorial.

Leia mais:  Conferência internacional coloca etanol de milho no centro da estratégia do agro

Embora os efeitos mais imediatos estejam sendo observados em Mato Grosso do Sul, o comportamento do clima preocupa produtores em diversas regiões do país. A fase final da safra de soja ainda ocorre em vários estados do Centro-Oeste e do Sul, enquanto o plantio da segunda safra de milho avança em ritmo acelerado.

Qualquer irregularidade nas chuvas neste momento pode afetar tanto a produtividade da soja quanto o estabelecimento das lavouras de milho safrinha, principal responsável pela produção brasileira do cereal.

No caso de Mato Grosso do Sul, a segunda safra já começa sob influência dessa variabilidade climática. No sul do Estado, o plantio do milho está mais avançado, mas depende da volta das chuvas para garantir o desenvolvimento inicial das plantas.

Já no norte, as condições climáticas tendem a ser mais favoráveis para a implantação das lavouras.

Mesmo assim, a expectativa é de recuo na produção. A Conab estima que a segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul alcance cerca de 12 milhões de toneladas em 2025/26, volume 8,9% inferior ao da temporada passada.

Para especialistas, 2026 pode marcar um ano de transição climática relevante para o agronegócio brasileiro.

A safra atual ainda se desenvolve sob influência residual da La Niña, fenômeno que historicamente altera a distribuição das chuvas no país. Já a próxima temporada poderá ser planejada sob risco de El Niño — condição que costuma provocar efeitos opostos em várias regiões agrícolas.

Essa alternância rápida entre padrões climáticos aumenta a imprevisibilidade do tempo no campo e exige maior atenção do produtor no manejo das lavouras e no planejamento das próximas safras. Em um país que responde por grande parte da oferta mundial de soja e milho, variações climáticas desse tipo não impactam apenas a produção regional, mas também os mercados agrícolas nacionais e internacionais.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Trump adia medidas para ampliar importação de carne bovina nos EUA e mercado acompanha impacto sobre Brasil e pecuária global

Publicado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou a assinatura de decretos que poderiam ampliar temporariamente as importações de carne bovina para o mercado norte-americano e estimular a recomposição do rebanho bovino dos EUA. A informação foi divulgada pelo jornal The Wall Street Journal e movimentou o mercado internacional de proteínas animais nesta semana.

As medidas estavam previstas para serem anunciadas na segunda-feira (11), mas acabaram suspensas de última hora, segundo fontes da Casa Branca. O pacote tinha como principal objetivo conter a inflação da carne bovina nos Estados Unidos, que segue pressionando o consumidor norte-americano mesmo após desaceleração em outros alimentos.

Entre as ações em estudo estavam a suspensão temporária de contingentes tarifários para carne bovina importada, permitindo maior entrada do produto com tarifas reduzidas, além da ampliação de linhas de crédito para pecuaristas dos EUA e flexibilizações ambientais relacionadas à proteção de predadores que atacam rebanhos.

Brasil permanece no centro das atenções do mercado internacional

A possibilidade de aumento das importações norte-americanas colocou o Brasil novamente no foco do comércio global de proteínas animais. O mercado passou a especular sobre uma eventual ampliação da participação brasileira no abastecimento dos EUA, especialmente após o encontro recente entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As expectativas sobre maior entrada de carne bovina brasileira chegaram a pressionar os contratos futuros de gado nos Estados Unidos. Na Bolsa Mercantil de Chicago, os contratos de gado para agosto encerraram em queda de 0,5%, refletindo receios de aumento da oferta no mercado interno norte-americano.

Leia mais:  União Europeia reabre mercado para carne de frango brasileira, celebra ABPA

O Brasil já ocupa posição estratégica no fornecimento global de carne bovina e vem ampliando sua presença internacional diante da forte demanda externa e da competitividade do setor pecuário nacional.

Rebanho dos EUA atinge menor nível em 75 anos

O mercado pecuário norte-americano enfrenta um dos momentos mais delicados das últimas décadas. O rebanho bovino dos Estados Unidos atingiu o menor patamar em 75 anos, resultado de uma combinação entre seca prolongada, aumento dos custos de alimentação animal e descarte acelerado de matrizes.

Com preços elevados do gado, muitos produtores optaram por ampliar o abate em vez de manter animais para reprodução, reduzindo ainda mais a capacidade de recuperação do rebanho.

Diante desse cenário, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta importações recordes de carne bovina em 2026. A estimativa é que o país importe cerca de 5,8 bilhões de libras de carne bovina neste ano, avanço de aproximadamente 6% em relação a 2025 e crescimento de 25% frente a 2024.

Alta da carne bovina segue pressionando inflação nos EUA

Mesmo após medidas anteriores adotadas pela gestão Trump, os preços da carne bovina continuam em trajetória de alta no mercado norte-americano.

Leia mais:  Irrigação pós-colheita é essencial para fortalecer o cafeeiro e aumentar produtividade

Dados recentes do índice de preços ao consumidor mostram que a carne bovina ficou 12,1% mais cara em abril na comparação anual. Desde o retorno de Trump à presidência, em janeiro de 2025, o produto acumula alta superior a 16%.

No ano passado, o governo norte-americano já havia ampliado significativamente as importações de carne da Argentina e retirado tarifas adicionais aplicadas à carne bovina e ao café brasileiros. Apesar disso, o impacto sobre os preços finais ao consumidor foi considerado limitado.

Mercado avalia efeitos sobre pecuaristas e consumidores

Especialistas do setor acreditam que o aumento das importações pode ajudar parcialmente indústrias de hambúrgueres e redes de alimentação rápida, especialmente pela maior oferta de carne magra utilizada na produção de carne moída.

Ainda assim, analistas avaliam que a entrada adicional de produto importado dificilmente provocaria uma queda significativa nos preços ao consumidor final.

Entidades ligadas à pecuária norte-americana também demonstram preocupação com possíveis efeitos sobre os produtores locais. Representantes do setor afirmam que o aumento das importações pode reduzir o estímulo à recomposição do rebanho interno e pressionar pequenos pecuaristas.

O cenário mantém o mercado global de proteína animal em alerta, com impactos diretos sobre preços, exportações brasileiras, competitividade internacional e perspectivas para a cadeia pecuária nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana