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Justiça Restaurativa é ferramenta transformadora para alunos e professores, aponta especialista

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“Como estão nossas crianças?”. Com este questionamento, a instrutora do curso de Formação em Justiça Restaurativa, facilitadora em Círculos de Construção de Paz e estrategista em Inteligência Relacional, Katiane Boschetti da Silveira, iniciou sua palestra “Justiça Restaurativa na Educação: fundamentos e práticas transformadoras”, proferida no Seminário “Justiça Restaurativa na Educação e na Ambiência Institucional”, nesta sexta-feira (14) na sede do Tribunal de Justiça.

A resposta para a pergunta não foi positiva: conforme dados trazidos pela palestrante, de 2011 para cá, foram registrados 44 ataques em escolas brasileiras, sendo mais de 60% deles após a pandemia, ou seja, após um longo período de distanciamento social. “Nós não nascemos para viver isolados. Nós precisamos do outro para sobreviver, para se autorregular, inclusive”, disse Katiane.

Ela abordou ainda um estudo sobre o perfil dos adolescentes que se envolveram nesses ataques a escolas, que expõe como fator em comum a ausência de perspectiva de futuro. Por outro lado, Katiane Boschetti apresentou uma sugestão. “Perguntem para os nossos jovens quais são os sonhos deles porque, enquanto eles estiverem sonhando, mesmo que seja com algo distante, que pareça que não vai dar certo, enquanto eles estiverem sonhando, eles estão bem”.

Ampliando o panorama para todas as faixas etárias da população, a palestrante destacou que 75% das dores humanas são de natureza social. Katiane abordou ainda dados alarmantes sobre o aumento dos casos de suicídio entre crianças e adolescentes, além de dados relativos aos jovens em cumprimento de medida socioeducativa, cuja grande maioria sofre com a ausência física ou negligência dos pais.

Todas essas informações deixaram Maria Eduarda Pereira de Jesus, professora na Escola Estadual Antônio Ghros, em Água Boa, apavorada. “Me deu um certo medo. Eu fiquei muito preocupada, mas isso me motivou mais ainda para estar colocando em prática o círculo de construção de paz na minha unidade, para poder tentar fazer a diferença”, disse.

O círculo de construção de paz foi apresentado por Katiane como uma ferramenta de transformação social da realidade à qual muitos jovens estão expostos. Trata-se de uma prática coletiva, em que é trabalhada a escuta ativa e o poder de se expressar através da fala, de forma que todos os participantes podem ouvir e ser ouvidos, sobre temas diversos. Por meio de uma parceria entre o Poder Judiciário de Mato Grosso e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), centenas de professores da rede pública já foram capacitados para aplicar o método em suas unidades.

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Conforme abordado na palestra, o círculo de paz representa uma forma de resgatar necessidades básicas de todo ser humano, desde crianças e adolescentes, como a busca por justiça, pertencimento, poder e alegria, enquanto valores que dão sentido à vida. “Nós precisamos oportunizar aos nossos jovens um poder saudável. Quando a gente se sente escutado, a gente sente que, de alguma forma, está sendo visto, está sendo cuidado, valorizado. E se eu estou com o poder da palavra, esse é o meu momento”, exemplificou Katiane Boschetti.

Olhar para a família

Ao abordar formas de prevenir o sofrimento emocional entre crianças e adolescentes e suas consequências (como relações interpessoais violentas, evasão escolar, envolvimento com a criminalidade), Katiane Boschetti apontou a necessidade de olhar para as famílias e para os demais ambientes institucionais, como o ambiente de trabalho, pois é onde os pais desses jovens estão inseridos, na maior parte do tempo.

“As escolas são vivas! Elas são reflexo da nossa sociedade. Não tem como a gente ter uma escola 100% saudável e segura se a nossa sociedade e as nossas famílias não estão vivendo dessa forma, fora da escola. Tratam-se das mesmas pessoas”, pontuou.

Olhar para os professores

Em sua palestra, Katiane Boschetti pontuou ainda que 91% dos professores relacionam a sua profissão à felicidade, ou seja, veem a profissão como um propósito de vida. Mas esse propósito, por vezes, se choca com a exaustão encarada na sobrecarga de trabalho. Diante disso, ela ressalta a importância da realização de círculos de construção de paz não somente com os alunos, mas entre os próprios profissionais da Educação.

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“O círculo de construção de paz é um convite para que a gente encontre o nosso propósito. Quando eu escuto a história de alguém no círculo, por vezes, eu reencontro o meu propósito pela história do outro”, disse.

Angélica Bueno, mediadora escolar na Escola Estadual Salim Felício, em Cuiabá, concorda. “Se a gente não estiver bem, como vamos ajudar nossos alunos? Como vamos conviver não somente com os alunos, mas com os profissionais dentro da escola?”. Segundo ela, os profissionais da rede estadual já dispõem de cursos voltados para a saúde emocional, mas aponta o círculo de paz como um diferencial. “É uma troca mais humana, mais aquecida”.

Para a professora Maria Eduarda Pereira de Jesus, ter esse olhar voltado para o professor é muito importante porque se ele não estiver bem, não terá condições de exercer sua função. “Como vou cuidar dos meus, se eu não cuido de mim? Então, é uma construção que a gente tem que olhar tanto para os nossos educandos como para os nossos professores”.

A palestrante destacou que a escola, como política social que atinge a todas as pessoas, desde a infância, se mostra como o espaço de transformação social mais potente e promissor. “E a justiça restaurativa pode ser esse movimento de transformação social e o círculo de construção de paz pode ser a ferramenta. A gente precisa fazer ‘círculo’ porque precisa lembrar como é que a gente se relaciona”.

Katiane ressaltou ainda que, em 2023, o Ministério da Educação e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) firmaram acordo para implementar a Justiça Restaurativa no ambiente escolar brasileiro. “Isso é investir pra cuidar de vocês, profissionais da Educação. Se nós queremos comportamentos diferentes, nós podemos e precisamos ensinar que comportamento é esse porque, por vezes, ele não vem de casa”, salientou.

Autor: Celly Silva

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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2ª edição da Expedição Justiça Sem Fronteiras leva cidadania e serviços à comunidade de Palmarito

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Dezenas de pessoas estão sentadas em cadeiras plásticas sob uma grande tenda de lona. Elas olham para a câmera e acenam com uma das mãos levantadas. O chão é de terra batida.A comunidade de Palmarito, localizada no município de Vila Bela da Santíssima Trindade, na fronteira entre Brasil e Bolívia, a 594 quilômetros de Cuiabá, recebe os primeiros atendimentos da 2ª edição da Expedição Justiça Sem Fronteiras.

Promovida pelo Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT), por meio da Justiça Comunitária, a iniciativa leva cidadania, acesso à Justiça e serviços essenciais às populações que vivem em localidades remotas da região de fronteira. Palmarito marca o início da programação deste ano, com atendimentos até sexta-feira (12), na Escola Municipal Duque de Caxias.

Ao longo da expedição, os moradores terão acesso a atendimentos nas áreas de cidadania, orientação jurídica, saúde, assistência social, educação e outros serviços voltados à promoção da dignidade e da inclusão social.

Homem sorridente de barba grisalha, óculos de grau e boné bege escrito O coordenador estadual da Justiça Comunitária, juiz José Antonio Bezerra Filho, destaca que a expedição reafirma o compromisso do Poder Judiciário de levar cidadania e garantir o acesso a direitos às populações que vivem distantes dos grandes centros.

“Pelo segundo ano consecutivo, a Justiça Comunitária chega aos rincões de Mato Grosso por meio do Justiça Sem Fronteiras. Estamos na divisa entre Brasil e Bolívia levando serviços, dignidade e acolhimento à população. É uma satisfação ver o comprometimento de tantas instituições unidas para garantir que a Justiça e a cidadania alcancem quem mais precisa”, afirmou.

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O prefeito de Vila Bela da Santíssima Trindade, Jacob André Bringsken, ressalta a importância da iniciativa para as comunidades da região de fronteira.

Homem idoso, de pele clara e olhos azuis, veste uma camiseta verde-clara com o texto parcial “Quero agradecer ao Tribunal de Justiça por trazer a Justiça Comunitária para uma região que, muitas vezes, foi invisível aos olhos do poder público. Aqui vivem famílias que enfrentam dificuldades para acessar serviços básicos, e o Justiça Sem Fronteiras reúne diversas instituições em um só lugar, permitindo que muitas demandas sejam resolvidas de forma imediata. Palmarito e as demais comunidades atendidas recebem essa ação de braços abertos”, reforçou.

Próximas etapas da expedição

Após os atendimentos em Palmarito, a programação seguirá para o distrito de Santa Clara de Monte Cristo, no município de Vila Bela da Santíssima Trindade, nos dias 14 e 15 de junho. Os atendimentos serão realizados na Escola Estadual/Municipal Ponta do Aterro.

A expedição será encerrada no distrito de Vila Picada, no município de Porto Esperidião, nos dias 17 e 18 de junho. Nesta etapa, os serviços serão ofertados na Escola Municipal Dona Lila Hill de Souza.

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Em todas as localidades, os atendimentos serão realizados nos períodos matutino e vespertino, levando serviços de cidadania, orientação jurídica, saúde, assistência social e outras ações voltadas à promoção dos direitos da população.

Parceiros

A ação reúne magistrados, servidores e diversos parceiros institucionais em uma grande força-tarefa voltada ao atendimento da população. Entre os parceiros estão o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), a Defensoria Pública, a Justiça Federal, a Receita Federal, a Caixa Econômica Federal, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT), a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT), a Prefeitura de Vila Bela da Santíssima Trindade, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), a Junta Comercial do Estado de Mato Grosso (Jucemat), o Programa Imuniza Mais MT, entre outras instituições.

Autor: Emily Magalhães

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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