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Luciana Santos fala a deputados sobre a necessidade de ampliar o orçamento para a ciência, tecnologia e inovação

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A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, acompanhada de representantes de unidades de pesquisa vinculadas à pasta esteve na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação (CCTI) Câmara dos Deputados para falar sobre a necessidade de ampliar o orçamento na área. Ela destacou o caráter decisivo da transversalidade política na defesa da ciência, capaz de mobilizar e unir visões distintas em torno do futuro do Brasil.

O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) passou por um processo decisivo de descontingenciamento (bloqueio temporário de recursos públicos que já foram aprovados no orçamento, mas que o governo opta por não liberar para uso) resultado de forte articulação da atual gestão do Governo do Brasil. A liberação integral se concretizou a partir de 2023, por iniciativa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Luciana explicou que “embora seja indiscutível a retomada que tivemos do FNDCT, a gente tem uma contradição estrutural”. A lei que rege o FNDCT estabelece limites importantes: seus recursos não podem ser usados para custeio — uma medida que preserva o caráter estratégico do FNDCT, mas que deixa de fora despesas essenciais ao funcionamento cotidiano de nossas instituições e à execução de programas estruturantes.

Por isso, é tão fundamental ampliar o orçamento discricionário do MCTI. “Precisamos garantir previsibilidade e continuidade às ações que sustentam a política científica brasileira.” Segundo ela, é preciso recompor o custeio entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão. “A defesa da ciência também passa pela defesa do orçamento.”

A ministra aproveitou a oportunidade e apresentou aos parlamentares a Agenda pela Ciência, com seis eixos prioritários para a destinação de emendas parlamentares. São eles: pesquisa e inovação científica; pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias digitais; Programa Espacial Brasileiro; Tecnologia social e assistiva; Projetos e eventos de educação e popularização da ciência; Desenvolvimento científico e tecnológico em áreas estratégicas, como saúde, agricultura, biodiversidade e clima.

O diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Tiago Braga, que acompanhava a ministra, complementou que a liberação integral do FNDCT representou uma conquista decisiva, mas que o País ainda precisa enfrentar desafios estruturais para assegurar estabilidade ao sistema.

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“Esse movimento é inicial. Agora é necessário que a comunidade científica continue articulada para o Parlamento dar as condições estruturais que permitam à ciência cumprir seu papel como motor do desenvolvimento. Quando construímos infraestrutura própria, garantimos soberania, influenciamos os rumos das tecnologias e fortalecemos a capacidade do Brasil de decidir seu próprio futuro”, afirmou.

“Ciência não é gasto, é investimento”

Luciana abordou ainda avanços do ministério desde a retomada massiva de investimentos em ciência e tecnologia e em pesquisa e desenvolvimento. Segundo ela, a recuperação integral do FNDCT permitiu ampliar de dez para 12 os programas nacionais financiados, incluindo áreas estratégicas como inteligência artificial, SOS Clima e satélites.

“Em três anos, nós investimos quase seis vezes mais do que os quatro anos do governo anterior. Esse é o conceito que nos move. Ciência não é gasto, é investimento. E é o investimento mais inteligente e estratégico que um país pode fazer”, afirmou.

COP30

A ministra destacou os avanços da ciência, tecnologia e inovação nos últimos anos e que serão pilares da participação brasileira na 30º Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém (PA). Segundo ela, o País chega à conferência como anfitrião e com capacidade científica para influenciar decisões globais. “O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo e está entre os países com maior quantidade de fontes renováveis. Nós vamos chegar à COP30 com esse tipo de autoridade”, afirmou.

A ministra destacou ainda a redução do desmatamento, o fortalecimento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o avanço de pesquisas climatológicas como bases para apresentar ao mundo tecnologias brasileiras de IA aplicada ao clima, aos sistemas de alerta, às plataformas de previsão, à bioeconomia de base científica e à inovação em energias limpas.

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O deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), autor dos requerimentos que originaram a audiência e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Ciência, Tecnologia e Inovação, destacou que a pauta científica é “passaporte do desenvolvimento” e exige união em tempos de mudanças aceleradas, especialmente diante dos impactos da inteligência artificial. “É uma alegria ver esta casa cheia, com gente entusiasmada, gente que acredita na ciência e tecnologia, gente que sabe que só o conhecimento transforma. Pesquisa e inovação dão futuro, e um futuro muito bom para todos”, afirmou.

Ao explicar como esse crescimento se traduz em entregas concretas, a ministra listou projetos estruturantes e programas que reorganizam a base científica brasileira. “Nós estamos no Novo PAC com oito projetos, entre eles o reator multipropósito, que vai nos tornar autônomos em radiofármacos, essenciais no tratamento de câncer”, disse, citando também o Sirius, o laboratório de luz síncrotron, que será integrado ao novo laboratório de biossegurança nível 4.

Em tecnologia espacial, a ministra destacou o lançamento do Amazônia-1B e o desenvolvimento de novas cargas úteis meteorológicas. “A ciência está em todo lugar, enfrentando desafios do País e garantindo soberania, autonomia e perspectiva de futuro”, afirmou. Para ela, o conjunto desses investimentos coloca o Brasil em posição sólida para chegar à COP30.

Num plenário tomado por pesquisadores, dirigentes de unidades de pesquisa, representantes de universidades, estudantes e entidades setoriais, o ambiente era de convergência: ciência como política de Estado. A sessão reuniu os deputados Vitor Lippi, Maria do Rosário, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Galvão, André Figueiredo, Zacarias Calil, David Soares, Airton Faleiro, Jandira Feghali e Ricardo Abrahão, além da senadora Leila do Vôlei. Também estavam presentes, do MCTI, secretário-executivo, Luis Fernandes; o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec), Daniel de Almeida Filho; e o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), Inácio Arruda, reforçando a articulação entre Governo do Brasil, Parlamento e comunidade científica.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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