Tribunal de Justiça de MT

Mais de quatro mil atendimentos e projetos inovadores elevam qualidade do acolhimento no CEAV Cuiabá

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O Centro Especializado de Atenção às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (Ceav) do Tribunal de Justiça Mato Grosso (TJMT), em Cuiabá, divulgou resultados expressivos em seu relatório publicado em 31 de julho. Entre agosto de 2024 e julho de 2025 foram realizados 4.099 atendimentos, somente na capital.

O Centro foi criado para prestar apoio e atenção a pessoas que sofreram danos físicos, morais, patrimoniais ou psicológicos em decorrência de crimes ou atos infracionais e funciona de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h, no Fórum de Cuiabá.

Durante o período analisado, o Ceav realizou 1.932 atendimentos em 2025, e 2.167 em 2024, entre encaminhamentos para a rede pública, atendimentos em ambiente de espera e orientações processuais. Apesar de atender todos os públicos, cerca de 90% dos atendimentos ainda são relacionados à violência doméstica e familiar contra mulheres.

A coordenadora do Ceav Cuiabá e juíza titular da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, explica que as vítimas de violência doméstica e familiar demandam atenção especial, pois frequentemente conhecem seus agressores e sofrem violências reiteradas, às vezes por anos, o que torna o processo de recuperação mais complexo.

“Nossa equipe é composta por pessoas sensíveis à causa da violência doméstica e familiar e é muito qualificada, mas é importante ressaltar que atendemos a todos os públicos que tenham sofrido algum tipo de violência. Homens, mulheres, adolescentes, todas as pessoas podem usufruir dos nossos serviços”, explica a magistrada.

A magistrada enfatiza o atendimento psicológico do Ceav Cuiabá como um diferencial, destacando que não há limite de sessões. O acompanhamento se estende até que a pessoa esteja pronta para a alta definitiva. Ela ressalta que o serviço também oferece atendimento virtual, o que o torna ainda mais completo. “Posso dizer com toda a certeza que Mato Grosso tem o Ceav mais especializado do Brasil. Somos referência no país, recebemos visitas de outras unidades e nossas ações estão sendo replicadas em outras unidades federativas.”

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A unidade oferece diversos serviços gratuitos, como atendimento psicológico, cursos de capacitação, oficinas para currículo, feiras para artesãs e empreendedoras e o projeto “Cartório Inclusivo”, que encaminha mulheres para o mercado de trabalho.

A gestora administrativa do Psicossocial do Ceav Cuiabá, Isabela Mattoso, diz que a equipe multidisciplinar trabalha para fortalecer a rede de amparo às mulheres, para que consigam romper o ciclo da violência. “Nosso trabalho vai além da prestação de serviços e representa um gesto genuíno de acolhimento, que contribui para o resgate da força e da esperança das vítimas.”

Serviços

O local oferece uma série de serviços diariamente. Entre eles estão a recepção em sala de espera para audiência ou outras atividades no recinto forense; acolhimento de crianças e adolescentes em espaço lúdico e adequado às faixas etárias; escuta psicossocial em sala individualizada; acompanhamento de vítimas em audiências, com a articulação necessária para que elas não se encontrem com os acusados; e orientações processuais e de direitos.

A equipe psicossocial também realiza encaminhamentos à rede pública para assistência jurídica, médica, odontológica, psicológica, social e previdenciária; além de manter um grupo de WhatsApp para as vítimas com divulgação de vagas de emprego e cursos.

Os atendimentos do Centro são realizados por meio de parcerias com instituições públicas e privadas, ONGs e instituições religiosas, secretarias municipais e estaduais e delegacias para orientar e encaminhar os assistidos a serviços e cursos de capacitação.

Projeto inovadores

O Ceav também se destaca por seus projetos inovadores, que ampliam o suporte oferecido. O “Projeto Hora da Oportunidade” atendeu 502 pessoas entre agosto de 2024 e julho de 2025, oferecendo serviços jurídicos, policiais e de saúde em parceria com órgãos públicos e instituições privadas. Já o “Projeto Virando a Página” forneceu 256 atendimentos psicológicos no mesmo período, em colaboração com a Faculdade Fasipe de Cuiabá, garantindo apoio terapêutico rápido para as vítimas.

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Outras iniciativas incluem o “Projeto Mulheres em Defesa”, que ofereceu 122 atendimentos com aulas de defesa pessoal teóricas e práticas, em parceria com o instrutor de Krav Magá, Leonardo Bocchese. Por fim, o “Projeto Ceav Empodera Mulher” buscou a independência financeira, pessoal e emocional de 73 participantes por meio de feiras gastronômicas, oficinas de currículo e cursos de capacitação profissional.

Iniciativa modelo

A iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso é modelo para outros tribunais e está de acordo com o Projeto de Lei nº 1813/2022, que tramita na Câmara de Deputados Federal. A proposta é melhorar a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) para que a União, estados, Distrito Federal (DF) e municípios ofereçam cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

O relatório foi elaborado como evidência ao Prêmio CNJ de Qualidade e demonstra o compromisso do TJMT com a Resolução CNJ nº 253/2018, que define a política institucional do Poder Judiciário brasileiro de atenção e apoio às pessoas que tenham sofrido dano físico, moral, patrimonial ou psicológico em razão de crime ou ato infracional cometido por terceiro.

CEAV

O Ceav Cuiabá oferece atendimento multidisciplinar que inclui psicólogos e assistentes sociais para dar suporte integral à vítima. As assistidas recebem orientações relacionadas ao trâmite processual e atendimento e acolhimento de familiares.

Cuiabá

Telefone: 65 3648-6898

Whatsapp: 65 9 99247-1462

E-mail: [email protected]

Endereço (Fórum de Cuiabá, Av. Milton Figueiredo Ferreira Mendes, s/nº Centro Político e Administrativo).

Várzea Grande

Telefone e Whatsapp: 65 3688-8404

E-mail: [email protected]

Endereço (Fórum de Várzea Grande, Av. Chapéu do Sol, bairro Guarita II, Várzea Grande).

Autor: Marcia Marafon

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Plano deve pagar congelamento de óvulos para evitar infertilidade

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A imagem apresenta uma balança dourada, símbolo da justiça, centralizada em um fundo branco. À direita da base da balança, as letras "TJMT" em dourado. No lado direito, a frase "2ª INSTÂNCIA" em azul e "DECISÃO DO DIA" em azul escuro e negrito. No lado esquerdo, três linhas horizontais azul-marinho.Resumo:

  • Plano de saúde deverá custear congelamento de óvulos para evitar infertilidade causada por tratamento médico, mas não pagará despesas futuras.

  • A decisão diferenciou prevenção de infertilidade de reprodução assistida.

Uma operadora de plano de saúde deverá custear parte do procedimento de congelamento de óvulos de uma paciente diagnosticada com endometriose profunda, diante do risco de infertilidade decorrente de tratamento cirúrgico. A decisão, porém, limitou a cobertura apenas às etapas iniciais do procedimento, excluindo despesas futuras.

O caso foi analisado pela Quarta Câmara de Direito Privado, sob relatoria do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho. A paciente relatou que precisava passar por cirurgia para tratar a doença e que, por orientação médica, deveria realizar a criopreservação de óvulos como forma de preservar a fertilidade.

A operadora negou o custeio sob o argumento de que o procedimento estaria relacionado à reprodução assistida, o que não é de cobertura obrigatória. No entanto, ao julgar o recurso, o relator destacou que a situação não se confunde com fertilização in vitro, mas sim com uma medida preventiva para evitar um dano decorrente do próprio tratamento de saúde.

Segundo o entendimento adotado, quando o plano cobre a doença, também deve arcar com medidas necessárias para evitar efeitos colaterais previsíveis, como a infertilidade. O magistrado ressaltou que a criopreservação, nesse contexto, tem caráter preventivo e está ligada diretamente ao tratamento médico indicado.

Por outro lado, a decisão estabeleceu limites para essa obrigação. Ficou definido que a operadora deve custear apenas as fases iniciais do procedimento, como a estimulação ovariana, a coleta e o congelamento dos óvulos.

Já os custos posteriores, como taxas de armazenamento do material genético e eventual utilização futura em fertilização assistida, não deverão ser arcados pelo plano, por se tratarem de medidas relacionadas ao planejamento familiar.

Processo nº 1004443-86.2026.8.11.0000

Autor: Flávia Borges

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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