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MCTI e Finep anunciam investimento de R$ 3,3 bilhões em projetos alinhados à Nova Indústria Brasil

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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram, nesta sexta-feira (6), a segunda rodada de seleção pública de ações para o Programa Mais Inovação. Serão 13 editais e uma chamada para o Programa Conhecimento Brasil que, juntos, somam R$ 3,3 bilhões de investimentos em iniciativas estruturantes e mobilizadoras capazes de promover a reindustrialização nacional com foco em sustentabilidade, autonomia tecnológica e diminuição da dependência externa, com geração de empregos e renda. 

Podem participar empresas brasileiras de todos os portes que tenham propostas de desenvolvimento tecnológico alinhadas às linhas temáticas definidas para os seis setores estratégicos da Nova Indústria Brasil (NIB). São eles: cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa nacional. Os itens financiáveis são gastos de pessoal, serviços de consultoria, equipamentos e material de consumo. O anúncio do lançamento dos editais foi feito durante a reunião presencial do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), em São Paulo (SP). 

“Este governo tem um compromisso inegociável com a inovação, com a igualdade de oportunidades entre as diferentes realidades do nosso Brasil continental, com o fortalecimento da indústria nacional e com a soberania que eleva o País a patamares superiores frente ao mundo. Temos a vocação de impulsionar a produção nacional e seguiremos essa receita que tem gerado frutos substanciais para o desenvolvimento da nossa capacidade produtiva e tecnológica”, afirmou a ministra Luciana Santos.  

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Essas chamadas buscam apoiar projetos de elevado grau de inovação, risco tecnológico e relevância econômico-social para o País, com foco em desafios tecnológicos considerados prioritários pela NIB, a exemplo de tecnologias para insumos farmacêuticos, fertilizantes, inteligência artificial, baterias, transição energética e minerais críticos. 

Para submissão de propostas, é requisito obrigatório que as empresas tenham parceria com Instituições Cientificas e Tecnológicas (ICTs). O objetivo é estimular a mobilização do sistema de inovação nacional que promove a integração entre atores, facilitar a transferência de tecnologia, fortalecer a competitividade das empresas e impulsionar o desenvolvimento regional por meio da geração e difusão de conhecimento. 

“O propósito desta rodada de oferta de recursos de subvenção econômica às empresas é contribuir para fomentar a inovação, reduzir assimetrias regionais, promover a transferência de tecnologia e fortalecer a competitividade nacional, de forma que a política pública da NIB alcance os resultados esperados”, disse o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias. 

No ciclo anterior (2024/2025), o MCTI e a Finep lançaram 13 editais de subvenção econômica, com R$ 2,5 bilhões em recursos não reembolsáveis para impulsionar projetos inovadores e de alto risco tecnológico. “Foram mais de 200 projetos contratados em todo o País, que estão gerando soluções promissoras que fortalecem a competitividade nacional e aceleram a transformação tecnológica”, contou o presidente da Finep. Os projetos envolveram ainda mais de 400 empresas parceiras, cerca de 2,8 mil pesquisadores — dos quais mais de 900 eram mestres ou doutores — e mais de 140 instituições científicas e tecnológicas. 

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Durante o evento, a ministra também anunciou a abertura de uma nova rodada da seleção pública Conhecimento Brasil, que passa a contemplar não apenas a repatriação, mas também a fixação e a atração de pesquisadores de excelência no País. A iniciativa da Finep reforça o compromisso com a valorização do capital humano e a consolidação da base científica nacional. O novo edital disponibilizará R$ 500 milhões para impulsionar a geração de conhecimento e inovação.  

Divisão dos recursos 

Total: R$ 3,3 bilhões 

– R$ 500 milhões 
Programa Conhecimento Brasil 

– R$ 500 milhões 
Transição energética 

– R$ 300 milhões 
Cadeias agroindustriais 

– R$ 300 milhões 
Saúde e a chamada regional 

– R$ 300 milhões 
Tecnologias digitais 

– R$ 300 milhões 
Base industrial de defesa 

– R$ 300 milhões 
Chamadas regionais (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) 

– R$ 200 milhões 
Transformação mineral 

– R$ 150 milhões 
Economia circular e cidades sustentáveis 

R$ 150 milhões 
Eletrolisador nacional 

– R$ 120 milhões 
Mobilidade sustentável 

– R$ 100 milhões 
Semicondutores 

– R$ 60 milhões 
Desenvolvimento de trator para agricultura familiar 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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