Educação
MEC trabalhou por mais educação superior em 2025
Publicado
26 de dezembro de 2025, 17:00
Em 2025, a educação superior continuou sendo tratada como um direito que transforma trajetórias e fortalece o desenvolvimento do país. Ao longo do ano, o Ministério da Educação (MEC) concentrou esforços em garantir que universidades e políticas de acesso estivessem cada vez mais próximas da realidade dos estudantes brasileiros, com atenção especial à diversidade, à permanência e à qualidade da formação acadêmica.
Mais do que ampliar estruturas, a atuação do MEC buscou fortalecer o sentido público da educação superior, valorizando o ensino, a pesquisa, a extensão e a inovação como instrumentos de inclusão social e produção de conhecimento. As universidades federais seguiram sendo espaços de formação crítica, científica e cidadã, conectadas às demandas regionais e aos desafios contemporâneos do Brasil.
Ampliação – A rede federal de educação superior também avançou em sua capacidade acadêmica e científica. O país conta atualmente com 69 universidades federais, 11 novos campi em implantação e 45 hospitais universitários em funcionamento. Os investimentos para a expansão e consolidação das universidades e hospitais universitários somam R$ 5,5 bilhões pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). A previsão é de que, até 2026, o Brasil alcance 47 hospitais universitários em operação, além de outros quatro em construção.
Novas universidades – Em 2025, o MEC anunciou a proposta de criação de duas novas instituições públicas de educação superior: a Universidade Federal Indígena (Unind) e a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte). Os projetos de lei que formalizam a criação de ambas foram enviados ao Congresso Nacional, em novembro, como parte das iniciativas da pasta para ampliar a oferta e a diversidade do ensino superior público no Brasil. A criação das universidades consolidará o Brasil com uma das maiores redes de educação superior pública do mundo, que passará a ter 71 universidades federais.
A Unind será estruturada a partir de uma proposta intercultural, que reconhece e fortalece a identidade e os saberes tradicionais, as línguas e as formas de organização dos povos indígenas, articulando esses conhecimentos com a formação acadêmica e científica.
A UFEsporte, por sua vez, terá como missão a formação acadêmica do esporte brasileiro e a promoção do desenvolvimento esportivo no país. A instituição se dedicará à formação de profissionais de excelência e à produção de conhecimento na área, integrando ensino, pesquisa e inovação para subsidiar políticas públicas, fomentar a inclusão social e consolidar um centro acadêmico e esportivo de referência.
Acesso ampliado – O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) voltou a crescer em 2025 e reafirmou seu papel como a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil. O exame registrou mais de 4,8 milhões de inscritos e retomou a certificação do ensino médio, solicitada por mais de 98 mil pessoas. Esse crescimento foi possibilitado pelo recurso de pré-preenchimento do formulário de inscrição dos estudantes concluintes da rede pública na Página do Participante, com dados disponibilizados no sistema do CadÚnico e da Receita Federal. O objetivo foi facilitar o processo de inscrição dos estudantes no exame.
Como forma de apoiar a preparação dos estudantes, especialmente os da rede pública, o MEC ainda lançou o aplicativo MEC Enem, com simulados de questões alternativas por campo do conhecimento, correção automatizada de redação, materiais de reforço (vídeos e apostilas) e assistente virtual. Além disso, o aplicativo possibilita o envio de mensagens diretas aos usuários, tornando-se uma ferramenta estratégica de comunicação com os estudantes. O objetivo da ferramenta é fortalecer a equidade educacional, estimular o interesse pelo exame e oferecer oportunidades concretas para que os participantes ingressem na educação superior.
Outras duas novidades sobre o exame são que, a partir de 2026, o Enem será utilizado para a avaliação da qualidade do ensino médio no país; e estudos de viabilidade para aplicar o Enem em países do Mercosul também estão em andamento no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), para início previsto a partir do próximo ano.
Pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), foram ofertadas 261,7 mil vagas em instituições públicas de ensino superior em 2025. O processo resultou na aprovação de mais de 254 mil estudantes e alcançou uma taxa de ocupação de 97,4%, a maior dos últimos sete anos. O resultado reflete o impacto de políticas como a Lei de Cotas e a Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que contribuíram para tornar o perfil dos estudantes das universidades mais diverso e representativo, com a cara da sociedade brasileira.
Inclusão também na rede privada – As políticas de acesso à educação superior na rede privada seguiram como eixo complementar. Em 2025, o Programa Universidade para Todos (Prouni), que completou 20 anos, ofertou 559,4 mil bolsas de estudo. Desde sua criação, cerca de 3,6 milhões de estudantes já foram beneficiados com bolsas integrais ou parciais para cursar a educação superior na rede privada, sendo a maioria mulheres (56%) e estudantes negros (55%).
O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) ofertou 112,1 mil vagas em 2025. Com o Fies Social, metade das vagas foi destinada a estudantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), garantindo financiamento de 50% ou 100% da mensalidade para quem mais precisa.
ITA – Projetos voltados à excelência e à inovação também ampliaram oportunidades em áreas estratégicas. O MEC avançou na implantação do novo campus Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará e alcançou a terceira etapa das obras para implantação da instituição em Fortaleza. O investimento total previsto para as três etapas das obras soma R$ 330,4 milhões, com construções como um segundo alojamento estudantil, prédio administrativo, complexo esportivo, além de obras de urbanização, pavimentação, drenagem e reformas de estruturas já existentes, como o hangar de esportes, a garagem e o hotel de trânsito. A previsão é que a entrega da fase final da obra ocorra até 2026.
Com currículo baseado em universidades de excelência no exterior, a instituição ofertará cursos inéditos de engenharia de energia e de sistemas. As obras contemplam o bloco acadêmico para os novos cursos, além de laboratórios, salas de aula, biblioteca e alojamentos. Duas turmas já integram os novos cursos do campus em Fortaleza e estão em andamento no campus do ITA de São José dos Campos. Além disso, em 2025, também foi realizado concurso para professores e técnicos do instituto, que atuarão nas duas sedes.
Impa Tech – Com o objetivo de atrair jovens talentos para a educação de ponta em matemática, em 2024, foi lançado o Impa Tech — primeiro curso de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) em ciência, tecnologia e matemática aplicada, com sede no Rio de Janeiro (RJ). A iniciativa consolidou-se como uma nova alternativa de formação de ponta em ciência, tecnologia e matemática aplicada.
Em 2025, o MEC, junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anunciou o Impa Tech Nordeste, que terá sede em Teresina (PI), para incentivar jovens talentos e descentralizar as oportunidades educacionais no acesso à formação científica de ponta.
- Leia mais: MEC anuncia criação do Impa Tech Nordeste
A unidade do Rio de Janeiro contou com investimento do MEC e do MCTI de R$ 51 milhões. Já a unidade de Teresina receberá, a partir de 2026, R$ 17,9 milhões. O ingresso no Impa Tech é feito a partir do resultado em olimpíadas do conhecimento, como a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), e pelo Enem.
Assistência estudantil – A garantia do acesso à universidade foi acompanhada pelo fortalecimento das políticas afirmativas e de assistência estudantil. Os investimentos em assistência estudantil cresceram, passando de R$ 1,4 bilhão, em 2021, para R$ 2,7 bilhões em 2025. Em 2025, por meio do Programa de Bolsa Permanência (PBP), foram ofertadas 17,3 mil bolsas para estudantes indígenas e quilombolas, o dobro do registrado em 2022 (8,6 mil), reforçando o compromisso com a inclusão e a redução das desigualdades históricas no ensino superior.
Desse modo, as políticas afirmativas e de assistência estudantil mudaram o perfil das universidades federais e dos institutos federais desde que foram criadas e seguem avançando. Para 2026, o Governo do Brasil estuda a universalização da assistência a todos os estudantes indígenas e quilombolas.
Pós-graduação – Na área de ciência e pós-graduação, foram destinados R$ 6,59 bilhões, desde 2023, para o fomento à pesquisa e à produção acadêmico-científica. Em 2023, as bolsas de mestrado e doutorado tiveram reajuste de 40%, além da retomada de programas estratégicos de apoio à pós-graduação e à cooperação acadêmica.
Programas como Move La America — que concede bolsas para estudantes de mestrado ou doutorado vinculados a instituições de ensino e pesquisa estrangeiras da América Latina e do Caribe, nas modalidades mestrado e doutorado sanduíche no Brasil — contribuíram para a Cooperação Sul-Sul, com a participação de mais de 1,4 mil bolsistas da América Latina e do Caribe que vieram para o Brasil em estágios de curta duração.
Além disso, o MEC, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), também retomou o programa institucional de bolsas de pós-doutorado no país, com a concessão de 813 bolsas e investimento total de mais de R$ 176 milhões em bolsas e custeio para 36 meses.
Outro avanço foi a retomada, após dez anos, do Programa Pró-Equipamentos. Em 2025, a iniciativa teve investimento de R$ 139,3 milhões para aquisição de equipamentos de uso compartilhado entre os programas de pós-graduação, beneficiando mais de 207 instituições de ensino superior e mais de 4 mil programas de pós-graduação.
Com o programa Montevidéu, foi ampliada a cooperação bilateral ou multilateral entre programas de pós-graduação de Instituições de Ensino Superior do Brasil e de universidades membros da Associação de Universidades do Grupo Montevidéu (AUGM).
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Superior (Sesu)
Fonte: Ministério da Educação
Educação
Diagnóstico Equidade 2026 mostra avanço das políticas de educação étnico-racial
Publicado
28 de agosto de 2026, 22:00
Os dados do Diagnóstico Equidade 2026, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), mostram que as estratégias de equidade racial estão cada vez mais presentes nos estados e municípios brasileiros. Entre 2024 e 2026, o percentual de redes municipais que declararam contar com áreas especificas para a gestão dessas ações passou de 15% para 42%; entre as redes estaduais, o indicador chegou a 100% em 2026.
Esse diagnóstico é uma iniciativa criada em 2024 pelo MEC, pondo fim a uma lacuna de dados cuja ausência comprometia a capacidade estatal de promoção da equidade. Em sua segunda edição, o diagnóstico manteve participação próxima à universalidade, com resposta ao questionário de 97% das redes municipais e 100% das redes estaduais. O resultado está ligado ao primeiro biênio de execução da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), em regime de colaboração interfederativa.
Do ponto de vista institucional, por exemplo, houve um aumento no percentual de redes de ensino com áreas específicas para fazer a gestão de ações de equidade racial. Entre 2024 e 2026, o número saiu de 15% para 42% entre os municípios, e alcançou 100% em 2026 entre as redes estaduais. Além disso, a presença de normativa local relacionada à promoção da educação para as relações étnico-raciais (Erer) passou de 43% para 55% entre municípios e de 74% para 93% entre as redes estaduais.
Os dados também mostram crescimento percentual de redes municipais que realizam campanhas de declaração racial, ação para promover o reconhecimento e a valorização das identidades étnico-raciais, bem como para permitir análises educacionais racializadas cada vez mais precisas. O levantamento revela que este crescimento foi de 66% para 86% em dois anos nas redes municipais, e de 63% para 93% nas redes estaduais.
Houve também uma redução do percentual de estudantes sem declaração racial no Censo Escolar entre 2023 e 2025, representando uma queda de 24% para 10%, sendo que o indicador vinha se mantendo constante em torno de 26%, nos anos anteriores.
Os novos dados apresentam um crescimento da maturidade de organização das redes em diferentes frentes e que a temática da equidade racial entrou no centro da agenda da política pública, demonstrando as ações da Pneerq e de mecanismos indutores, tais como o Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva e a complementação-VAAR Fundeb da União.
O Diagnóstico Equidade 2026 tem o objetivo de identificar diferentes aspectos da implementação de políticas equitativas no país, particularmente aquelas ligadas à promoção da educação para as relações étnico-raciais, em cumprimento à Lei 10.639/03, modificada pela Lei 11.645/08, e ao fortalecimento da educação escolar quilombola.
Equidade racial no planejamento educacional – No indicador de incorporação da equidade racial como objetivo presente no Plano de Ações Articuladas (PAR), as redes municipais passaram de 30% para 67%. Nas redes estaduais, o avanço foi de 56% para 93%. Esse panorama revela a preocupação crescente das redes de ensino em planejar e buscar apoio técnico e financeiro para estratégias de enfrentamento das desigualdades.
Formação em relações étnico-raciais – Outro indicador que apresentou avanço foi o percentual de redes municipais de ensino que ofereceram formações, seminários, oficinas e palestras sobre equidade racial, passou de 48%, no ano de 2024, para 69%, em 2026. Todas as redes estaduais declararam realizar essa oferta. Esse resultado demonstra que o tema da equidade racial também foi inserido no planejamento formativo das secretarias, ação crucial para trabalhar a difusão de práticas pedagógicas antirracistas entre os professores da rede pública.
Monitoramento das Leis de Erer – O diagnóstico permitiu identificar o acompanhamento da implementação das leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. O indicador passou de 18% para 34% para as redes municipais, e de 30% para 59% para as redes estaduais. O monitoramento permite às redes identificarem escolas onde há maior dificuldade de execução de práticas pedagógicas de educação para as relações étnico-raciais e gargalos operacionais, e assim planejar de forma mais efetiva as estratégias para cumprimento das leis.
Identificação e resposta ao racismo e injúria racial – Cresceu também a adoção de protocolos para casos de racismo ou injúria racial nas redes estaduais, de 59% para 93% (mais de 30 pontos percentuais). Nas redes municipais, o percentual saiu de 36% para 53%. Nesse contexto, o Ministério da Educação publicou, em 2026, uma série de protocolos nacionais, os quais podem servir de referência para o trabalho das escolas públicas.
Práticas de gestão – O conjunto de perguntas com menor avanço no período foi o relacionado à dimensão das práticas de gestão das redes de ensino em relação a suas escolas. Acerca da evolução das respostas sobre protocolos de resposta ao racismo e de campanhas de declaração racial, que fazem parte desta dimensão, o Diagnóstico de Equidade 2026 permitiu identificar que alguns indicadores cruciais ainda não avançaram como o esperado.
Os pontos de atenção para o próximo ciclo estão na implementação de estratégias de incentivos às escolas e aos professores para a implementação da educação para as relações étnico-raciais, bem como a consideração de conhecimentos sobre Erer nos processos seletivos de professores e diretores escolares. No período, passou de 44% para 74% o percentual de redes estaduais que incluíram a avaliação de conhecimentos sobre relações étnico-raciais nos processos de escolha da gestão escolar.
Metodologia – O levantamento contou com 44 perguntas dirigidas às Secretarias de Educação de estados, municípios e do Distrito Federal. Foram realizadas 32 questões sobre Educação para as Relações Étnico-Raciais (Erer) e 12 sobre Educação Escolar Quilombola (EEQ).
Para acompanhar os resultados, as informações foram organizadas em indicadores que avaliaram áreas como gestão, formação de profissionais, materiais didáticos, financiamento, avaliação e monitoramento. Os índices recebem notas de 0 a 100.
As respostas foram declaradas pelos responsáveis pelas secretarias de educação ou, no caso dos municípios, pela prefeitura, o que contribui para a confiabilidade das informações. O questionário e os indicadores foram construídos com a participação de especialistas, pesquisadores e profissionais com experiência em políticas de equidade racial e combate ao racismo.
Resultados do Diagnóstico de Equidade 2026
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secadi
Fonte: Ministério da Educação
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