Agro News

Melancia ganha espaço no mercado brasileiro com foco em sabor, qualidade e maior vida útil pós-colheita

Publicado

A busca crescente do consumidor brasileiro por frutas mais doces, visualmente atrativas e com maior durabilidade pós-colheita está transformando o mercado da melancia no país. Em diferentes polos produtores, agricultores vêm apostando em cultivares capazes de unir produtividade no campo, qualidade interna e melhor desempenho comercial.

Características como coloração intensa da polpa, teor elevado de açúcar, firmeza, crocância e conservação passaram a exercer influência direta sobre as decisões de plantio, especialmente diante das exigências cada vez maiores do varejo e do consumidor final.

Nesse cenário, produtores de estados como Rio Grande do Sul e Tocantins ampliam investimentos em variedades que entregam diferenciação no mercado e maior valor agregado.

Qualidade da fruta impulsiona vendas e fidelização

Entre os materiais que vêm se destacando no setor está a melancia Rochedo F1, cultivar que reúne atributos valorizados tanto pelos produtores quanto pelos consumidores.

Segundo o especialista em Cucurbitáceas da Topseed Premium, Rafael Zamboni, o material se diferencia pela combinação entre desempenho agronômico e qualidade interna do fruto.

De acordo com ele, a coloração vermelha intensa da polpa aumenta a atratividade nas gôndolas, principalmente na comercialização de melancia fatiada. Além disso, a cultivar apresenta sementes menores, cavidade interna reduzida, melhor aproveitamento da polpa e excelente conservação pós-colheita.

A firmeza e a textura crocante também aparecem entre os principais diferenciais observados no mercado.

Tradição e tecnologia fortalecem produção no Rio Grande do Sul

No município de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, a melancia tem forte tradição familiar e segue ganhando espaço com foco em qualidade e fidelização dos consumidores.

Leia mais:  Açúcar despenca nas bolsas internacionais com aumento da oferta e tensões comerciais entre EUA e China

Na localidade de Passo da Taquara, o produtor Otomar Rodrigues mantém uma trajetória de mais de três décadas na cultura, dando continuidade a uma atividade iniciada ainda por seu avô.

Segundo ele, a adoção da cultivar Rochedo há cerca de seis anos trouxe ganhos consistentes em produtividade e padrão comercial.

O produtor destaca que a fruta apresenta bom peso, excelente fechamento interno e desempenho satisfatório nas lavouras, fatores que contribuíram para ampliar a aceitação do material na propriedade.

A nova geração da família também identifica na qualidade do fruto um dos principais pilares para o crescimento do negócio.

O produtor Gabriel Rodrigues afirma que o sabor se tornou decisivo nas vendas diretas ao consumidor. Segundo ele, a coloração intensa, o alto teor de açúcar e a experiência positiva de consumo fortalecem a recompra e ajudam a consolidar a cultivar no mercado regional.

A maior demanda pela fruta já impulsiona, inclusive, a expansão gradual da área plantada na região.

Sanidade e produtividade reforçam competitividade no campo

Além da aceitação comercial, o desempenho agronômico da cultivar também vem chamando atenção dos produtores.

Em áreas do Rio Grande do Sul, a melancia Rochedo apresenta boa sanidade mesmo próxima à colheita, realizada em torno de 75 dias após o transplante.

Segundo especialistas, a cultivar demonstra uniformidade, ótimo pegamento de frutos, vigor vegetativo e tolerância a doenças, características que favorecem a produtividade e reduzem riscos ao produtor.

Leia mais:  UE decide aplicar o acordo provisoriamente. Veja como está a ratificação por aqui

Já nas primeiras colheitas, é possível obter frutos acima de 14 quilos, mantendo elevado padrão visual e qualidade interna.

Tocantins amplia produção com foco em adaptabilidade e mercado

O avanço da cultivar também se intensifica em regiões produtoras do Tocantins, especialmente durante as janelas de plantio entre setembro e março, período marcado por maior volume de chuvas.

Segundo o coordenador comercial da Topseed Premium, Ronaldo Lima, a Rochedo vem apresentando excelente adaptação às condições climáticas da região, mantendo bom pegamento de frutos e sanidade das plantas mesmo em condições mais desafiadoras.

Entre os atributos mais valorizados pelos produtores tocantinenses estão a produtividade, precocidade, elevado teor de brix, coloração vermelha intensa e textura diferenciada da polpa.

Além disso, a facilidade de comercialização junto ao consumidor final reforça o potencial da cultivar em diferentes mercados.

Mercado valoriza frutas com padrão superior

O movimento observado em diferentes regiões produtoras reflete uma tendência cada vez mais forte no agronegócio brasileiro: a valorização de frutas com padrão superior de qualidade.

A combinação entre sabor, aparência, conservação e experiência de consumo passou a ser determinante para ampliar espaço em supermercados, feiras e canais de venda direta.

Com isso, produtores que investem em tecnologia, genética e manejo voltado à qualidade conseguem aumentar competitividade, agregar valor ao produto e fortalecer a fidelização dos consumidores no mercado nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Safra 2026/27 da cana-de-açúcar enfrenta pressão de custos, clima e mercado no Centro-Sul

Publicado

A abertura da safra 2026/27 da cana-de-açúcar, promovida pela Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), destacou um cenário de maior pressão econômica, climática e operacional para o setor sucroenergético no Centro-Sul.

Realizado em Sertãozinho (SP), o encontro reuniu produtores, consultores e representantes da cadeia produtiva para debater temas como custos de produção, revisão do Consecana-SP, sustentabilidade e impactos do cenário geopolítico internacional sobre o mercado de açúcar e etanol.

Setor sucroenergético inicia ciclo com maior incerteza econômica

Durante o evento, o presidente da Canaoeste, Fernando dos Reis Filho, destacou que o ambiente atual exige maior organização e suporte técnico aos produtores diante da volatilidade dos mercados.

Segundo ele, a entidade segue comprometida em oferecer informação e ferramentas de gestão para auxiliar a tomada de decisão no campo, especialmente em um cenário de custos elevados e margens mais apertadas.

O diretor executivo da associação, Almir Torcato, reforçou que o início da safra ocorre sob forte pressão financeira e operacional, com necessidade de decisões mais rápidas e eficientes dentro das propriedades.

Projeções indicam safra robusta, mas com riscos climáticos e geopolíticos

As projeções apresentadas por Luiz Carlos Corrêa Carvalho indicam moagem entre 631,4 milhões e 639,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul na safra 2026/27.

A produtividade média deve ficar próxima de 77 toneladas por hectare, enquanto a produção de açúcar é estimada em cerca de 40 milhões de toneladas.

Apesar dos números expressivos, o consultor alertou para um conjunto de riscos que pode influenciar o desempenho do setor, incluindo:

  • Oscilações climáticas e possíveis impactos sobre a produtividade
  • Juros elevados e custo de capital
  • Instabilidade geopolítica internacional
  • Volatilidade nos mercados de energia, petróleo e alimentos
  • Pressão sobre fertilizantes e logística global
Leia mais:  Santa Gertrudis se destaca no RS pela rusticidade e resistência ao carrapato

Também foi destacado o risco de irregularidades climáticas no Centro-Sul, com possíveis impactos como florescimento, isoporização e atraso no desenvolvimento da cultura.

Custos de produção elevam exigência por eficiência no campo

Na análise econômica, o consultor João Rosa (Botão) apontou que a rentabilidade do produtor está cada vez mais ligada à eficiência produtiva e operacional.

Segundo ele, o custo médio de produção do ATR varia entre R$ 1,00 e R$ 1,05 por quilo, enquanto o investimento para formação do canavial pode chegar a R$ 13 mil a R$ 22 mil por hectare, dependendo da tecnologia e do ambiente produtivo.

O consultor também destacou que ganhos de produtividade têm impacto direto na redução de custos. Ele estima que:

  • Aumento de 5% no TCH pode reduzir custos em cerca de 4%
  • Ganhos equivalentes no ATR podem reduzir custos em aproximadamente 4,5%

As projeções indicam ainda maior dependência do mix alcooleiro e influência direta do petróleo na formação de preços do açúcar e do etanol.

Integração entre indústria e produtores ganha importância

O diretor da Fenasucro & Agrocana e integrante do conselho da Canaoeste, Paulo Montabone, destacou a necessidade de maior integração entre produtores e indústria diante das transformações do mercado global de bioenergia.

Segundo ele, a cadeia sucroenergética brasileira precisará atuar de forma mais coordenada para manter competitividade internacional e ampliar o protagonismo na transição energética.

Montabone também ressaltou que a edição 2026 da Fenasucro & Agrocana deve contar com presença de representantes de mais de 60 países, reforçando o caráter global do evento e a busca por soluções tecnológicas para o setor.

Sustentabilidade e certificação avançam no campo

A agenda de sustentabilidade também teve destaque na abertura da safra, com apresentação de programas como o SEMEIA e os avanços da certificação Bonsucro entre produtores associados.

Leia mais:  Abiove projeta safra recorde em 2025, mas enfrenta oscilações no mercado

O gestor operacional de sustentabilidade da Canaoeste, Fábio de Camargo Soldera, afirmou que o programa atua na adequação ambiental, social e de governança das propriedades rurais, com foco em gestão e eficiência.

Segundo ele, o trabalho inclui regularização ambiental, apoio trabalhista e implantação de ferramentas de controle de custos e indicadores produtivos.

Atualmente, a Canaoeste contabiliza 13 produtores certificados, totalizando cerca de 22 mil hectares e produção aproximada de 1,5 milhão de toneladas de cana.

O analista de sustentabilidade Gabriel Roque Perticarrari reforçou que a iniciativa busca adequar os produtores às exigências de mercado e às práticas ESG, ampliando acesso a novas oportunidades comerciais.

Já a gerente Brasil da Bonsucro, Lívia Ignácio, destacou que, além dos ganhos comerciais diretos, a certificação traz benefícios operacionais, como redução de desperdícios e melhoria da gestão.

Consecana-SP segue em debate e passa por fase de ajustes

O modelo de remuneração da cana também esteve no centro das discussões. O CEO da ORPLANA, José Guilherme Nogueira, afirmou que o Consecana-SP entra em fase final de implementação, mantendo o fator adicional de 4,5% na remuneração dos produtores.

Segundo ele, os ajustes referentes às safras 2024/25 e 2025/26 devem ser concluídos até julho, preservando o modelo de negociação entre fornecedores e usinas.

O diretor executivo da Canaoeste, Almir Torcato, destacou que, apesar dos desafios relacionados à volatilidade de preços e diferenças contratuais regionais, o setor busca avanços para garantir maior previsibilidade e equilíbrio no sistema de remuneração da cana-de-açúcar.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana