Agro News

Mercado da Soja: Clima, Logística e Expectativas do USDA Movimentam o Setor em Meio ao Cenário Econômico Brasileiro

Publicado

Clima e Logística Moldam o Desempenho da Soja no Brasil

O mercado da soja no Brasil apresenta fortes contrastes regionais, com o clima e a infraestrutura de transporte desempenhando papéis determinantes nas cotações e na rentabilidade do produtor.

No Rio Grande do Sul, as chuvas recentes trouxeram alívio parcial às lavouras mais tardias, reduzindo parte das perdas causadas pela estiagem e pelas altas temperaturas do início de fevereiro. Ainda assim, a Emater/RS indica cortes na produtividade média, especialmente nas áreas em fase de enchimento de grãos. No porto de Rio Grande, a saca é cotada a R$ 130,82, com leve recuo, enquanto no interior os preços variam entre R$ 118,10 em Passo Fundo e R$ 128,79 em Ijuí.

Em Santa Catarina, a demanda aquecida da indústria de carnes sustenta a comercialização, com o porto de São Francisco do Sul registrando R$ 130,50 por saca, uma alta de quase 2%. No Oeste do estado, os valores oscilam entre R$ 117,00 e R$ 123,00, dependendo das condições de pagamento.

No Paraná, o DERAL aponta avanço da colheita, que já atinge 20% da área total (cerca de 347 mil hectares). O aumento do fluxo de caminhões tem provocado filas e pressão sobre o Porto de Paranaguá, onde as cotações variam de R$ 126,20 a R$ 129,38 por saca.

Em estados do Centro-Oeste, a logística e a armazenagem se tornam grandes desafios. No Mato Grosso do Sul, o déficit de silos força vendas imediatas, derrubando os preços. Já no Mato Grosso, com 51% da área colhida, segundo o IMEA, os altos custos de frete — que ultrapassam R$ 490 por tonelada — comprimem margens e reduzem a competitividade. Os preços oscilam entre R$ 101,00 no Norte e R$ 108,20 em Rondonópolis.

Leia mais:  Mapa e FPA trocam farpas por causa da paralisação de recursos do Plano Safra
Cotações em Chicago: Expectativa pelos Dados do USDA

No mercado internacional, os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram a quinta-feira (19) com altas moderadas, refletindo a expectativa pelo início do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos Outlook Forum, que traz as primeiras projeções da safra 2026/27 nos Estados Unidos.

Os contratos de março e maio registravam ganhos entre 2,25 e 2,75 pontos, com o março cotado a US$ 11,36 e o maio a US$ 11,51 por bushel. O óleo de soja manteve estabilidade após fortes altas na sessão anterior, enquanto o farelo apresentava leve recuperação.

A cautela domina o mercado, já que as projeções sobre área plantada nos EUA ainda variam e podem surpreender. Analistas destacam que as decisões dos produtores norte-americanos têm sido influenciadas por fatores além dos preços, como custos de insumos e condições climáticas regionais.

Derivados Sustentam o Complexo: Óleo de Soja Ganha Força

Na quarta-feira (18), o mercado em Chicago encerrou o pregão com desempenho misto. O contrato de soja para março teve leve queda de 0,04%, enquanto o de maio subiu 0,02%. Entre os derivados, o farelo recuou 0,62%, e o óleo de soja avançou 2,27%, consolidando-se como principal fator de suporte ao complexo.

A alta do óleo foi impulsionada por informações da Reuters, que apontam que a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos deve encaminhar à Casa Branca, ainda nesta semana, recomendações para as cotas de mistura de biocombustíveis de 2026. A expectativa é que o volume total de biodiesel nas misturas obrigatórias fique entre 5,2 e 5,6 bilhões de galões, acima da meta anterior.

Com isso, o contrato de óleo de soja para março encerrou o dia cotado a US$ 1.291,66 por tonelada, acumulando valorização de 20,65% no ano — reflexo direto do aumento da demanda por biocombustíveis.

Leia mais:  MMA reforça compromisso com a transição agroecológica no 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia
Banco Central Mantém Selic em 15% e Mercado Reduz Previsão de Inflação

O cenário macroeconômico brasileiro segue influenciando o comportamento das commodities agrícolas, incluindo a soja. Segundo o Banco Central do Brasil, a taxa Selic foi mantida em 15% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária, o nível mais alto desde 2006. A decisão visa conter a inflação, mas mantém o crédito agrícola em patamares elevados.

O mercado financeiro reduziu as projeções para o IPCA de 2026, agora estimado em 3,95%, dentro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional. Já o crescimento do PIB deve ficar entre 1,8% e 2,3%, impulsionado parcialmente pelo bom desempenho do agronegócio, segundo estimativas privadas.

A combinação de juros altos e inflação controlada cria um ambiente de estabilidade para o câmbio, mas também limita investimentos em infraestrutura e armazenagem — fatores essenciais para o escoamento eficiente da safra de grãos.

Perspectivas: Equilíbrio Entre Clima, Mercado e Política Econômica

O mercado da soja entra em 2026 cercado por incertezas e oportunidades.

A retomada das chuvas no Sul melhora o potencial produtivo, mas o clima segue imprevisível. A logística, especialmente no Centro-Oeste, continua a representar um gargalo, enquanto os custos de frete e armazenagem pressionam margens de lucro.

No cenário internacional, as decisões do USDA e o avanço da política de biocombustíveis nos EUA devem definir os próximos movimentos das cotações. Já no Brasil, a manutenção da Selic e o controle gradual da inflação pelo Banco Central criam um ambiente de estabilidade, embora desafiador para o produtor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Centro de inovação mira avanço da produção brasileira de azeite de oliva

Publicado

O Rio Grande do Sul, responsável por mais de 80% da produção brasileira de azeite de oliva, começou a estruturar um novo movimento para fortalecer tecnicamente a olivicultura nacional. A criação de um Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura pretende ampliar estudos sobre adaptação climática, produtividade e qualidade dos azeites produzidos no estado, em uma tentativa de reduzir a instabilidade causada pelas variações do clima e consolidar a cadeia produtiva no país.

A iniciativa reúne universidades, governo estadual e produtores rurais em uma parceria articulada pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura. O protocolo foi assinado durante a Abertura Oficial da Colheita da Oliva, realizada em Triunfo, e envolve a participação da Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, além de secretarias estaduais ligadas à inovação e agricultura.

O projeto surge em um momento de expansão da olivicultura brasileira, mas também de crescente preocupação com os efeitos climáticos sobre a produção. O Rio Grande do Sul concentra praticamente toda a produção comercial de azeite extravirgem do país, porém enfrenta oscilações frequentes de safra provocadas por estiagens, excesso de chuva, geadas e variações térmicas durante períodos críticos do desenvolvimento das oliveiras.

Leia mais:  Mapa e FPA trocam farpas por causa da paralisação de recursos do Plano Safra

Nos últimos anos, o estado ganhou reconhecimento internacional pela qualidade dos azeites produzidos localmente. Marcas gaúchas acumulam premiações em concursos internacionais, especialmente pela qualidade sensorial dos azeites extravirgens produzidos em regiões da Campanha, Serra do Sudeste e fronteira oeste gaúcha. Apesar disso, o setor ainda busca estabilidade produtiva para consolidar escala comercial.

A proposta do novo centro é justamente aproximar ciência e produção rural. A estrutura deverá atuar em pesquisas voltadas à adaptação de cultivares ao clima gaúcho, manejo de olivais, controle fitossanitário, qualidade industrial, certificação de origem e desenvolvimento de tecnologias capazes de aumentar produtividade e reduzir perdas.

Segundo lideranças do setor, um dos principais gargalos da olivicultura brasileira ainda está dentro da porteira. A produção nacional de azeite continua pequena frente ao consumo interno, que depende majoritariamente de importações vindas de países como Portugal, Espanha e Argentina. O Brasil consome mais de 100 milhões de litros de azeite por ano, enquanto a produção nacional representa apenas uma fração desse volume.

Leia mais:  Paraná estabelece novas regras para prevenção e controle do greening nos pomares de citros

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana