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Mercado de milho no Brasil mantém baixa liquidez com pressão de preços no final do ano

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O mercado de milho brasileiro segue com ritmo lento e liquidez restrita em diversas regiões, refletindo diferenças entre preços pedidos pelos produtores e ofertas das indústrias. Ao mesmo tempo, os contratos futuros internacionais apresentam pequenas variações, com poucos negócios antes do período de festas de final de ano.

Baixa liquidez marca o mercado de milho nos estados

No Rio Grande do Sul, segundo informações da TF Agroeconômica, os preços do milho seguem com ampla variação, oscilando entre R$ 58,00 e R$ 72,00 por saca. O preço médio estadual avançou para R$ 62,61/saca, registrando alta semanal de 0,71%, resultado de ajustes localizados em um mercado ainda restrito.

Em Santa Catarina, a distância entre preços pedidos e ofertas impede avanços nas negociações. Produtores indicam valores próximos de R$ 80,00/saca, enquanto indústrias operam em torno de R$ 70,00/saca. No Planalto Norte, os negócios registrados variam entre R$ 71,00 e R$ 75,00/saca, mas a falta de convergência mantém a liquidez limitada.

No Paraná, o cenário é semelhante: produtores pedem cerca de R$ 75,00/saca, enquanto indústrias oferecem R$ 70,00/saca CIF. Segundo a TF Agroeconômica, o impasse limita a movimentação no mercado spot, com negociações pontuais e sem força para alterar o quadro atual.

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Já no Mato Grosso do Sul, o mercado apresenta liquidez reduzida, mas mantém viés firme em algumas regiões. As cotações variam entre R$ 52,00 e R$ 57,00/saca, com Chapadão do Sul registrando as maiores altas, enquanto Sidrolândia e Campo Grande permanecem estáveis, evidenciando um cenário regional desigual.

Preços internacionais do milho apresentam leve queda antes do Natal

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de milho iniciaram a sexta-feira (19) com quedas moderadas. Por volta das 08h29 (horário de Brasília), o milho com vencimento em março/26 era cotado a US$ 4,43 por bushel, com recuo de 1,25 ponto. O maio/26 valia US$ 4,51 (-1,25 ponto), o julho/26 estava em US$ 4,57 (-1 ponto) e o setembro/26 a US$ 4,50 (-0,50 ponto).

Segundo o site internacional Successful Farming, o volume de negociações é baixo, típico da semana do Natal, e os preços permanecem estáveis diante das negociações diplomáticas entre EUA e Rússia para encerrar o conflito entre Rússia e Ucrânia. “Os preços dos grãos negociados em ambos os lados permaneceram inalterados em meio às discussões em Berlim e novas reuniões programadas para Miami no fim de semana”, aponta Tony Dreibus, analista do site.

Mercado brasileiro de milho recua na B3 com menor movimentação

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No mercado interno, os contratos futuros de milho na B3 encerraram a quarta-feira em baixa, refletindo realização de lucros e ritmo lento de negócios típico do final do ano. O contrato com vencimento em janeiro/26 fechou a R$ 71,17, recuo diário de R$ 0,73 e queda semanal de R$ 1,10. O vencimento março/26 terminou em R$ 75,58, baixa diária de R$ 0,33, mas alta semanal de R$ 0,43, enquanto o contrato de maio/26 fechou a R$ 74,83, perda diária de R$ 0,28 e avanço semanal de R$ 0,47.

Segundo a TF Agroeconômica, o mercado brasileiro enfrenta menor interesse de compradores e vendedores, gerando ambiente fraco para os preços. Em contrapartida, o mercado internacional apresenta suporte devido a exportações firmes e desempenho recorde do setor de etanol nos EUA, que consome cerca de 40% do milho produzido internamente.

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros reagiram positivamente à demanda consistente e ao setor de etanol, com o vencimento março/26 subindo 0,91%, a US$ 4,44, e o maio/26 avançando 1,01%, a US$ 4,52. O milho norte-americano se mostra competitivo no mercado asiático diante da menor oferta do Brasil e da Ucrânia.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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