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Mercado de soja inicia 2026 com contrastes: óleo em alta e farelo pressionado, aponta relatório do Itaú BBA

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Início de 2026 mostra direções opostas entre óleo e farelo de soja

O relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, apresentou um cenário contrastante para o complexo soja no início de 2026. Enquanto o farelo de soja segue pressionado no mercado interno e externo, o óleo de soja registra forte valorização internacional, impulsionado pela demanda firme e por mudanças esperadas nas políticas de biocombustíveis nos Estados Unidos.

De acordo com o levantamento, janeiro foi mais um mês de queda nas cotações do farelo na Chicago Board of Trade, recuando 2,5% frente a dezembro, com média de US$ 294 por tonelada. Já fevereiro começou com leve recuperação, sustentada pelo clima mais seco na Argentina e pela valorização do grão, que acabou favorecendo todo o complexo da soja.

No mercado interno brasileiro, os preços também caíram. Em Rondonópolis (MT), o valor do farelo registrou baixa de 1,1% em fevereiro, alcançando R$ 1.476 por tonelada.

Óleo de soja avança com demanda firme e influência do biodiesel americano

O óleo de soja apresentou trajetória oposta. Em janeiro, houve alta de 4% em Chicago, com o preço atingindo US¢ 51,6 por libra-peso, e em fevereiro a valorização acumulava 7%, chegando a US¢ 55,2/lb.

A elevação é explicada por uma demanda internacional aquecida e pela expectativa de alterações no programa de biocombustíveis dos EUA, o que reforça o uso do óleo de soja no setor energético.

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No Brasil, o movimento foi inverso: os preços recuaram 3% em janeiro e 2,3% em fevereiro, com a tonelada cotada a R$ 5.900 em Mato Grosso. A queda é atribuída ao avanço da colheita, que aumenta a oferta e pressiona as cotações, além de um consumo doméstico mais lento.

Esmagamento recorde nos Estados Unidos sustenta margens positivas

O relatório do Itaú BBA também destacou o ritmo recorde do esmagamento de soja nos EUA. Em dezembro, o país atingiu 6,12 milhões de toneladas, o maior volume já registrado para o mês e o segundo maior da série histórica, atrás apenas de outubro de 2025.

No acumulado da safra 2025/26 (outubro a dezembro), o total esmagado chegou a 18,2 milhões de toneladas, um crescimento de 11% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo a análise, esse desempenho mantém margens de esmagamento favoráveis, impulsionadas pelo baixo custo do grão e pela forte demanda por óleo, embora o aumento da oferta interna deva limitar novas altas de preços no curto prazo.

USDA revisa projeções e eleva estimativas para o Brasil

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em seu relatório de fevereiro, trouxe poucas alterações significativas, mas revisou para cima a estimativa de esmagamento do Brasil na safra 2025/26, de 60 para 61 milhões de toneladas — número alinhado com as projeções da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

Com isso, a produção global de farelo deve alcançar 289 milhões de toneladas, 2% acima da safra anterior, enquanto os estoques mundiais subiram para 19,5 milhões de toneladas, alta de 4%.

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Margens industriais seguem atrativas nas principais origens

As margens de processamento permanecem positivas nos principais polos produtores — Brasil, Estados Unidos e Argentina — e começam a dar sinais de recuperação na China. Esse desempenho é sustentado por custos menores da matéria-prima e pela valorização do óleo de soja, além da leve recuperação do farelo após as mínimas do segundo semestre de 2025.

Mesmo com a expectativa de pressão sobre os preços em função da maior oferta, a safra recorde deve manter o grão em patamares mais baixos, contribuindo para margens industriais saudáveis no curto prazo.

Setor de biodiesel dos EUA impulsiona perspectivas para o óleo

As perspectivas para o óleo de soja seguem positivas, especialmente com o avanço do setor de biodiesel nos Estados Unidos. No início de fevereiro, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos atualizou as regras sobre os créditos fiscais conhecidos como 45Z, restringindo o benefício aos biocombustíveis produzidos com matérias-primas de origem norte-americana — abrangendo EUA, Canadá e México.

Essa mudança tende a reduzir as importações de óleo usado de cozinha e sebo e a estimular o consumo de óleo de soja produzido domesticamente, fortalecendo o mercado e dando suporte às cotações internacionais ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra 2026/27: moagem de cana desacelera, açúcar recua e etanol ganha espaço no Centro-Sul

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A safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil segue marcada por uma mudança significativa no perfil de produção das usinas. Enquanto a moagem apresentou desaceleração na segunda quinzena de maio e a fabricação de açúcar registrou forte retração, a produção de etanol continua avançando, impulsionada pela elevada competitividade do biocombustível e pela estratégia das usinas de direcionar uma parcela maior da matéria-prima para o setor energético.

Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que as unidades produtoras da região processaram 41,55 milhões de toneladas de cana na segunda metade de maio, volume 13,08% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior, quando a moagem alcançou 47,80 milhões de toneladas.

Mesmo com o recuo recente, o acumulado da safra até 1º de junho soma 144,71 milhões de toneladas processadas, mantendo o ritmo operacional elevado em comparação aos ciclos anteriores.

Menor moagem reduz produção de açúcar

A desaceleração da colheita impactou diretamente a produção de açúcar. Na segunda quinzena de maio, as usinas do Centro-Sul produziram 2,20 milhões de toneladas do adoçante, uma queda expressiva de 25,62% frente ao mesmo período da safra 2025/26.

No acumulado da temporada, a fabricação de açúcar totaliza 6,84 milhões de toneladas.

Apesar da redução do volume produzido, a qualidade da matéria-prima apresentou melhora. O índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) atingiu 125,87 quilos por tonelada de cana na segunda metade de maio, avanço de 1,09% sobre o mesmo período do ciclo anterior. No acumulado da safra, o ATR alcança 119,73 kg por tonelada, crescimento de 2,35%.

Etanol segue em expansão

Em direção oposta ao açúcar, o etanol mantém trajetória de crescimento. A produção do biocombustível alcançou 2,13 bilhões de litros na segunda quinzena de maio, sendo 1,33 bilhão de litros de etanol hidratado e 796 milhões de litros de etanol anidro.

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Desde o início da safra, a produção acumulada soma 7,54 bilhões de litros, alta de 31,55% em relação ao mesmo período do ciclo passado. O destaque continua sendo o etanol hidratado, cuja fabricação cresceu 29%, atingindo 4,96 bilhões de litros.

O avanço do setor também é sustentado pelo aumento da produção de etanol de milho. Somente na segunda quinzena de maio foram produzidos 413,2 milhões de litros a partir do cereal, crescimento de 12,38% na comparação anual. No acumulado da safra, a produção já alcança 1,57 bilhão de litros.

Usinas priorizam biocombustível

Os dados operacionais indicam uma mudança estratégica das unidades produtoras. Ainda em abril, cerca de 59,66% da cana processada foi destinada à fabricação de etanol, percentual superior aos 54,31% observados no mesmo período da safra anterior.

No acumulado do ciclo, o mix destinado ao biocombustível alcançou 61,84%, reforçando a preferência das usinas pelo mercado energético diante das condições mais favoráveis de rentabilidade.

Essa estratégia tem contribuído para a expansão da oferta de etanol e para a redução relativa da produção de açúcar, cenário que vem sendo acompanhado de perto pelos agentes do mercado.

Consumo de etanol cresce no Brasil

A demanda pelo biocombustível também continua aquecida. Em abril, as vendas de etanol pelas unidades do Centro-Sul alcançaram 2,74 bilhões de litros, sendo 1,76 bilhão de litros de hidratado e 985,68 milhões de litros de anidro.

No mercado doméstico, o volume comercializado cresceu mais de 15% em relação ao mês anterior.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o consumo de etanol hidratado atingiu 1,83 bilhão de litros em abril, elevando a participação do combustível renovável para 24,6% do consumo total da frota leve brasileira.

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No Estado de São Paulo, principal mercado consumidor do país, a participação chegou a 44%, o maior nível desde fevereiro de 2025.

Segundo a Unica, o principal fator por trás desse crescimento é a vantagem econômica do etanol frente à gasolina. Em diversos estados produtores, o biocombustível segue abaixo da paridade técnica considerada vantajosa para o consumidor, fortalecendo as perspectivas de aumento do consumo ao longo dos próximos meses.

Mercado de CBios reforça agenda de descarbonização

Outro indicador positivo para o setor é o desempenho do mercado de Créditos de Descarbonização (CBios). Dados da B3 apontam a emissão de 16,93 milhões de créditos em 2026 pelos produtores de biocombustíveis.

Atualmente, o mercado conta com 26,79 milhões de CBios disponíveis para negociação. Somando os créditos já aposentados para cumprimento das metas do programa RenovaBio, cerca de 66% dos títulos necessários para atender integralmente as exigências de 2026 já foram disponibilizados pelo setor.

Perspectivas para a safra

A safra 2026/27 avança com um cenário de menor produção de açúcar e forte expansão do etanol. A combinação entre demanda aquecida pelo biocombustível, maior competitividade frente à gasolina e crescimento do etanol de milho deve continuar influenciando as decisões das usinas ao longo dos próximos meses.

Ao mesmo tempo, o comportamento climático e a evolução da moagem serão fatores decisivos para determinar o equilíbrio entre açúcar e etanol no restante da temporada, em um momento em que o mercado global acompanha atentamente a oferta brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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