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Mercado de trigo registra retração de preços e nova safra avança no Brasil

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O mercado brasileiro de trigo encerrou agosto em tendência de baixa, pressionado por fundamentos internos e externos. A proximidade da nova safra, a ampla oferta global e a paridade de importação desfavorável ao produto nacional limitaram a valorização, em um cenário de baixa liquidez e concorrência internacional elevada, segundo o relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA.

No Paraná, o preço médio ao produtor fechou o mês em R$ 75,80 por saca de 60 kg, recuo de 2% em relação a julho. No mercado internacional, o contrato futuro de Chicago atingiu mínima de USDc 498/lb em 19/08 e encerrou agosto a USDc 518/lb, acumulando queda média de 6% no mês.

A pressão baixista foi reforçada pela competitividade do trigo argentino, responsável por 94,4% das importações brasileiras em agosto, totalizando 493 mil toneladas. A valorização do real frente ao dólar também tornou o produto estrangeiro mais atrativo, limitando ganhos para o trigo nacional.

Estoques elevados e baixa demanda por derivados contribuem para retração

No mercado físico, os negócios foram pontuais e concentrados em regiões com menor oferta imediata. Os estoques de passagem elevados e a competitividade do trigo argentino mantêm o mercado doméstico abastecido.

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A demanda por derivados, como farinha e farelo, também enfraqueceu. Moinhos bem estocados negociaram a valores menores para liberar espaço para a entrada da nova safra, mantendo o comportamento defensivo dos compradores.

USDA revisa produção global e destaca recuperação na UE e Índia

O USDA ajustou a produção global de trigo para 807 milhões de toneladas, representando alta de 1% em relação ao ciclo 2024/25. A recuperação se concentra na União Europeia (+12%) e na Índia (+4%).

Outros produtores seguem em bom desempenho: a Argentina concluiu o plantio com 84,8% da área em boas condições hídricas, projetando colheita superior a 20 milhões de toneladas pela segunda safra consecutiva. Na Rússia, chuvas intensas atrasaram a colheita e afetaram a qualidade inicial dos lotes, mas a consultoria SovEcon revisou para cima as estimativas de produção e exportação. Nos EUA, o trigo de inverno foi colhido, enquanto o de primavera apresenta qualidade mista devido à irregularidade climática.

Safra 2025/26 no Brasil avança com atenção à chuva e doenças

No Brasil, o plantio da safra 2025/26 foi finalizado, com 9,1% da área colhida até agosto, de acordo com a Conab. A área cultivada caiu 17,9% frente ao ciclo anterior, totalizando 2,5 milhões de hectares, e a produção esperada recuou 13%, para 7,6 milhões de toneladas.

  • Paraná: Lavoures mais tardias apresentam incidência de oídio.
  • São Paulo: Áreas em maturação já foram dessecadas.
  • Rio Grande do Sul: Maior produtor nacional mantém desenvolvimento vegetativo dentro da normalidade.
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A previsão de chuvas em setembro preocupa produtores do Sudeste e Sul, onde o pico da colheita pode coincidir com acumulados significativos, elevando o risco de perdas na qualidade dos grãos. A transição para La Niña pode favorecer as fases finais da colheita, mas exige monitoramento constante.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço do leite sobe no RS e projeção do Conseleite aponta R$ 2,5333 em abril

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O mercado de leite no Rio Grande do Sul dá sinais consistentes de recuperação em 2026. O valor de referência projetado para o litro em abril foi fixado em R$ 2,5333, conforme divulgação do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS). O número representa uma alta de 10,47% em relação à projeção de março, que havia sido de R$ 2,2932.

A definição ocorreu durante reunião realizada na sede da Farsul, reunindo representantes de toda a cadeia produtiva, entre produtores, indústrias e lideranças do setor.

Além da projeção para abril, o Conseleite também confirmou o valor consolidado de março de 2026 em R$ 2,3721 por litro, o que representa avanço de 11,67% frente ao resultado final de fevereiro, quando o leite foi cotado a R$ 2,1243.

Os indicadores são calculados pela Universidade de Passo Fundo (UPF), com base em dados fornecidos pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias de cada mês.

Recuperação ganha força no mercado lácteo

Os números mais recentes reforçam uma retomada gradual do setor leiteiro gaúcho após um período prolongado de margens pressionadas tanto no campo quanto na indústria. A alta, que vinha sendo observada de forma moderada no início do ano, ganha consistência com os dados divulgados em abril.

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Representantes do Conseleite destacam que o momento atual valida a metodologia utilizada pelo colegiado, que busca refletir com precisão as condições reais de mercado. A avaliação é de que os indicadores estão alinhados com a tendência observada em outras regiões do país.

Sustentação dos preços depende de consumo e mercado interno

Apesar do cenário positivo, o setor ainda enfrenta desafios relevantes. A manutenção dos preços em patamares mais elevados dependerá, principalmente, do fortalecimento do consumo interno e da capacidade de escoamento da produção.

O atual nível de endividamento das famílias brasileiras e o baixo poder de compra seguem como fatores limitantes. Por outro lado, a expectativa de maior circulação de recursos na economia ao longo do ano, impulsionada por medidas como antecipação de benefícios e liberação de recursos, pode favorecer a demanda.

Produção e importações entram no radar do setor

Outro ponto de atenção é a tendência de recuperação da produção no campo nos próximos meses, o que pode pressionar os preços caso não haja crescimento proporcional da demanda.

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Além disso, o avanço das importações, especialmente de leite proveniente da Argentina, preocupa o setor produtivo. Durante a reunião, o Conseleite deliberou pelo envio de ofícios ao governo federal, alertando para os impactos do aumento das compras externas sobre o mercado interno.

A orientação é manter o tema em evidência junto aos ministérios responsáveis, buscando medidas que garantam maior equilíbrio competitivo para o produtor nacional.

Perspectiva para o setor

O cenário atual aponta para um momento mais favorável ao produtor de leite, com recuperação de preços e melhora gradual nas condições de mercado. No entanto, a sustentabilidade desse movimento dependerá do equilíbrio entre oferta, demanda e política comercial, especialmente no que diz respeito às importações.

O setor segue atento aos desdobramentos econômicos e às políticas públicas que possam influenciar diretamente a rentabilidade da atividade nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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