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Mercado de trigo segue com baixa liquidez e vendas pontuais pressionam preços

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Negociações lentas e pressão de oferta no curto prazo

O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com ritmo lento de negociações e preços pressionados. A combinação de cautela dos moinhos, desafios logísticos e a necessidade de venda pontual de produtores resultou em baixa fluidez no comércio do grão. Apesar desse cenário de curto prazo, especialistas avaliam que o fundamento estrutural do mercado segue firme, sustentado pelas paridades de importação e pelo quadro internacional de oferta e demanda.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, a retração nas operações reflete a dificuldade no escoamento de farinha, as estratégias defensivas dos moinhos e as limitações de armazenagem com o avanço da safra de verão.

“Não são todos os produtores, mas há quem precise vender trigo para liberar espaço nos armazéns”, destacou Bento.

Essa movimentação ocorre em meio a uma demanda contida, com moinhos abastecidos ao menos até março, o que reduz a urgência por novas compras.

Paraná registra maior pressão de venda

No Paraná, a pressão de oferta foi mais evidente, especialmente pela necessidade de liberar espaço nos armazéns. No mercado à vista, os preços apresentaram variação, com cotações mais baixas para retirada imediata. Já os valores para entrega em março mostraram-se mais firmes, dependendo da região.

“Quando se fala em negócios mais curtos, esses preços podem ficar até R$ 100 por tonelada mais baixos”, explicou Bento.

Rio Grande do Sul opera com seletividade e foco na qualidade

No Rio Grande do Sul, o mercado manteve ritmo lento e seletivo, com negociações pontuais e ampla dispersão de preços. Os moinhos resistem a pagar os valores pedidos pelos vendedores, o que limita a realização de novos negócios.

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A exportação, que havia dado fôlego ao mercado anteriormente, perdeu tração.

“Os navios que estão sendo embarcados agora são de negócios antigos; a exportação não está gerando novas vendas”, afirmou o analista.

A qualidade do trigo segue como ponto central das discussões. Segundo Bento, há relatos de desempenho irregular tanto do cereal argentino quanto do gaúcho, o que dificulta decisões de compra mais agressivas. Esse quadro pode levar a ajustes nos padrões de classificação ou a um maior diferencial de preços entre farinhas premium e comuns.

Expectativa é de recuperação gradual nos preços

Mesmo após a perda de ritmo observada em fevereiro, o sentimento do mercado é que a pressão atual seja temporária. Durante o pico da colheita de soja e milho, o trigo tende a perder prioridade logística, mas a expectativa é de que os moinhos retomem as compras em breve para recompor estoques.

“Com o quadro de abastecimento mais apertado, os preços devem corrigir em direção às paridades de importação”, projeta Bento.

Exportações se concentram no Rio Grande do Sul

Os line-ups de exportação de trigo brasileiro para a safra 2025/26 totalizam 1,323 milhão de toneladas, segundo levantamento da Safras & Mercado. O Rio Grande do Sul responde por 98% do volume, com 1,29 milhão de toneladas embarcadas, enquanto o Paraná participa com 32,7 mil toneladas.

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Os embarques se concentram entre novembro e fevereiro, com destaque para dezembro (510,8 mil toneladas), seguido por janeiro (345,7 mil toneladas) e fevereiro (218,5 mil toneladas).

Entre os destinos, o Bangladesh lidera as importações com 418,3 mil toneladas (31,6%), seguido por Vietnã (279,8 mil toneladas / 21,1%). A cabotagem para o Nordeste soma 155,7 mil toneladas (11,8%), enquanto Indonésia (139,4 mil toneladas / 10,5%), Quênia (118,1 mil toneladas), Nigéria (54,5 mil toneladas), Equador (52,0 mil toneladas) e África do Sul (37,9 mil toneladas) completam a lista de principais destinos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Dependência de fertilizantes importados expõe vulnerabilidade do agronegócio brasileiro e pressiona custos no campo

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A elevada dependência de fertilizantes importados segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade estrutural do agronegócio brasileiro, mesmo diante da posição de destaque do país no comércio global de alimentos. O tema ganha ainda mais relevância em um cenário de forte oscilação geopolítica e volatilidade nos mercados internacionais de insumos.

A avaliação é de Nivio Domingues, da Samba Export Brazil, especialista no mercado de insumos agrícolas e seus impactos sobre o custo de produção e a formação de preços dos grãos.

Brasil bate recorde, mas segue altamente dependente de importações

Em 2025, o Brasil atingiu a marca de 49,11 milhões de toneladas de fertilizantes entregues ao mercado interno, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O volume representa um recorde histórico para o setor.

Apesar disso, a dependência externa permanece elevada: do total consumido, 43,32 milhões de toneladas foram importadas, o equivalente a 88,2% do mercado nacional.

A concentração é ainda mais crítica quando analisada por nutriente:

  • Potássio: 97% importado
  • Nitrogênio: 95% importado
  • Fósforo: 75% importado

Até fevereiro de 2026, a Rússia liderava como principal fornecedora individual de fertilizantes ao Brasil, respondendo por 22,1% das compras externas.

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Risco geopolítico afeta planejamento do agro brasileiro

A forte dependência externa expõe diretamente cadeias produtivas estratégicas do agronegócio, como soja, milho, café e proteínas animais, a decisões tomadas fora do país.

O impacto desse risco ficou evidente a partir de 2022, com o início da guerra na Ucrânia, que interrompeu parte do fornecimento de potássio oriundo da Rússia e da Bielorrússia. O episódio acendeu um alerta global sobre segurança de insumos e seu reflexo direto no plantio em importantes regiões produtoras do Brasil, como Mato Grosso e Paraná.

Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência até 2050

Diante desse cenário, entidades do setor produtivo como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a ANDA têm articulado o Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.

Entre os principais gargalos, está a baixa produção nacional de nutrientes estratégicos. Atualmente, a Petrobras é a única produtora de nitrogênio em escala industrial no país, enquanto novos projetos de fertilizantes NPK dependem de maior investimento privado e segurança regulatória para avançar.

Fertilizantes já influenciam preço dos grãos e margens do produtor

No comércio internacional, o custo dos fertilizantes já faz parte das negociações globais de grãos, influenciando diretamente a competitividade do Brasil no mercado externo.

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A volatilidade desses insumos se reflete nos preços finais da soja, do milho e do açúcar nos portos brasileiros, ampliando a exposição do produtor rural a fatores que não estão sob seu controle direto.

Segundo especialistas do setor, a dependência externa cria um efeito cascata sobre toda a cadeia produtiva, impactando desde a decisão de plantio até a margem final do produtor.

Potencial mineral ainda subaproveitado no Brasil

Para analistas do setor, o país ainda não explora plenamente seu potencial mineral estratégico. O exemplo mais citado é a reserva de potássio localizada em Sergipe, considerada uma das mais importantes do hemisfério ocidental.

“O Brasil não é potência agrícola apesar da dependência de fertilizante importado: é potência agrícola que ainda não converteu sua maior reserva de potássio em produção relevante”, avalia Domingues. Segundo ele, avançar nessa agenda teria impacto direto na competitividade das exportações brasileiras nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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