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Mercado do arroz inicia 2026 com preços contidos e alta oferta global limita recuperação

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Preços do arroz têm leve alta, mas seguem pressionados por estoques elevados

O Agro Mensal, relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA, apresentou uma análise detalhada sobre o mercado do arroz, apontando que os preços registraram apenas uma leve alta em janeiro de 2026. O movimento foi sustentado principalmente pela demanda da indústria, que buscou recompor estoques, mas limitado pelo varejo enfraquecido e pela grande disponibilidade de produto no mercado.

As cotações encerraram janeiro em R$ 53,39 por saca, um aumento de 0,5% em relação a dezembro de 2025, mantendo tendência positiva até 10 de fevereiro, quando atingiram R$ 54,44/sc. Mesmo com essa leve valorização, os preços seguem em níveis historicamente baixos devido aos estoques elevados, estimados em 2,4 milhões de toneladas pela Conab.

Estoques e câmbio afetam ritmo das exportações

O relatório destaca que o ritmo de comercialização permanece lento, especialmente com a proximidade da colheita, que deve se intensificar em março. As exportações, embora tenham contribuído parcialmente para a sustentação do mercado, caíram 8,8% em janeiro frente a dezembro, totalizando 229 mil toneladas (base casca). Mesmo com o recuo, o volume foi o maior dos últimos cinco anos.

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O dólar mais fraco em relação ao real reduziu a competitividade do arroz brasileiro no exterior, favorecendo concorrentes internacionais. Esse cenário reforçou o comportamento de estabilidade dos preços internos, sem espaço para altas expressivas.

Pressão internacional: Índia amplia influência no mercado global

No cenário global, o mercado do arroz segue pressionado pela ampla oferta, principalmente da Índia, que registra produção recorde. O acordo entre Estados Unidos e Índia, que reduz tarifas de 50% para 18% sobre o arroz indiano, deve aumentar a competitividade do produto no mercado norte-americano.

Por outro lado, o acordo entre a União Europeia e a Índia não incluiu o cereal, mantendo as condições atuais de importação para o bloco europeu. A combinação desses fatores mantém o viés baixista nas cotações internacionais.

Safra 2025/26 avança bem, mas pressão sobre preços deve continuar

No Brasil, a safra 2025/26 apresenta bom desenvolvimento, beneficiada por condições climáticas favoráveis. No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, as lavouras estão em excelente estado, com baixa nebulosidade e boa umidade do solo, o que favorece o florescimento das plantas.

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Em Santa Catarina, há registros pontuais de pragas e doenças devido à umidade e às altas temperaturas, mas o quadro geral é positivo. Cerca de 8% da colheita catarinense já foi iniciada até 7 de fevereiro, segundo a Conab.

Apesar do bom desempenho das lavouras, o volume de estoques e a entrada da nova safra devem manter pressão sobre os preços. A produção nacional estimada é 13% menor que a de 2024/25, mas a oferta ainda é alta por conta dos estoques remanescentes e da lenta comercialização.

Oferta global segue em alta e limita recuperação de preços

O relatório também ressalta que o mercado internacional permanece em sobreoferta, com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisando positivamente as estimativas de produção. A Ásia continua sendo o principal polo de pressão, com a Índia liderando a produção e as exportações globais, o que restringe movimentos de recuperação mais consistentes nos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Protocolo Verde dos Grãos atinge 95% de conformidade e volume auditado de soja no Pará cresce mais de 600%

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O terceiro ciclo de auditorias do Protocolo Verde dos Grãos (PVG) confirma o avanço da governança socioambiental na cadeia da soja no Pará. Os resultados, divulgados pelo Ministério Público Federal (MPF) em parceria com o Imaflora, apontam que o volume de grãos rastreados alcançou 9,7 milhões de toneladas, representando crescimento superior a 600% em relação à primeira edição do programa.

O volume auditado refere-se às safras 2022/2023 e 2023/2024 e totaliza 9.770.450,56 toneladas, equivalente a 108% da produção estadual — percentual que supera 100% por incluir operações de revenda. O número consolida o PVG como uma das principais iniciativas de monitoramento da cadeia produtiva de grãos no país.

Crescimento contínuo e consolidação do programa

Desde sua criação, o Protocolo Verde dos Grãos apresenta expansão consistente. No primeiro ciclo de auditorias (safra 2017/2018), foram analisadas 1,5 milhão de toneladas. Já no segundo ciclo (safras 2018/2019 e 2019/2020), o volume subiu para 3,2 milhões de toneladas, evidenciando a rápida evolução da iniciativa.

O avanço reforça a eficácia dos acordos setoriais conduzidos pelo MPF, inspirados em modelos como o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne Legal, que também atua na promoção de boas práticas produtivas na Amazônia.

Conformidade socioambiental se mantém em nível elevado

Além do crescimento no volume auditado, o terceiro ciclo confirmou alto nível de conformidade socioambiental. Segundo o relatório, 95,39% das operações analisadas atenderam integralmente aos critérios do protocolo, enquanto apenas 4,61% apresentaram inconformidades.

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Os dados indicam amadurecimento da cadeia produtiva. No primeiro ciclo, a taxa de conformidade era de 80,36%, evoluindo para 96% no segundo ciclo e mantendo-se acima de nove em cada dez operações regulares desde então.

Esse desempenho demonstra o papel do PVG como indutor de boas práticas, contribuindo para alinhar a expansão agrícola à preservação ambiental e à proteção dos recursos naturais na Amazônia.

Adesão de empresas cresce e fortalece competitividade

O aumento da credibilidade do protocolo também se reflete na adesão das empresas. No terceiro ciclo, foram entregues 36 relatórios de auditoria, abrangendo 47% das 77 empresas signatárias ativas no período analisado.

O número representa o triplo das empresas auditadas no primeiro ciclo (12) e quase o dobro da segunda rodada (19 relatórios). Atualmente, o PVG reúne 95 empresas signatárias ativas, consolidando-se como referência para o setor.

O engajamento crescente indica que a certificação no protocolo deixou de ser apenas uma exigência de conformidade para se tornar um diferencial competitivo no mercado, especialmente em cadeias que demandam rastreabilidade e sustentabilidade.

Metodologia garante transparência ao mercado

A robustez da metodologia adotada também fortalece a confiabilidade dos resultados. Neste ciclo, a auditoria avaliou uma amostra equivalente a 35% do volume comercializado, totalizando 3.444.405,92 toneladas.

Desse total, 3.285.547,18 toneladas foram consideradas regulares, atendendo aos critérios ambientais e sociais estabelecidos pelo protocolo.

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A transparência do processo contribui para ampliar a segurança dos compradores e reforça a credibilidade da soja produzida no Pará nos mercados nacional e internacional.

Evento reúne setor para debater avanços e desafios

A apresentação dos resultados ocorreu em Belém (PA), durante evento que reuniu representantes do setor produtivo, organizações da sociedade civil e instituições públicas.

A programação incluiu exposição técnica dos dados das auditorias e debates sobre os desafios e perspectivas para o monitoramento da cadeia da soja. Participaram entidades como Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, ABIOVE, ANEC, Unigrãos e Instituto Centro de Vida.

Responsável pela análise técnica e condução das auditorias, o Imaflora também organizou o encontro em parceria com o MPF, reforçando seu papel na promoção da transparência e no aprimoramento contínuo das práticas socioambientais no agronegócio.

Perspectivas para a cadeia da soja

Os resultados do terceiro ciclo indicam que o Protocolo Verde dos Grãos se consolida como um instrumento estratégico para o desenvolvimento sustentável da produção de soja na Amazônia.

Com alta adesão, níveis elevados de conformidade e expansão contínua da rastreabilidade, a iniciativa fortalece a imagem do agronegócio brasileiro e amplia sua competitividade em mercados que exigem cada vez mais responsabilidade socioambiental.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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