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Milho brasileiro se mantém firme apesar de pressões internacionais e amplia exportações

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Cenário internacional pressiona preços

O mercado global do milho segue desafiador, pressionando produtores brasileiros. Segundo Enilson Nogueira, analista da Céleres Consultoria, a combinação de uma super safra nos Estados Unidos e estoques elevados mantém os preços internacionais em níveis apertados.

Dados do USDA indicam produtividade média de 188,8 bushels por acre e colheita total de 16,742 bilhões de bushels (aproximadamente 425,3 milhões de toneladas). Os estoques finais americanos devem atingir 53,8 milhões de toneladas, reforçando a pressão sobre os preços globais.

“Para 2026, o produtor precisará focar na eficiência e na gestão de margens. Produzir mais com menos e ter estratégia de compra e comercialização será fundamental”, destaca Nogueira.

Custos, câmbio e eficiência operacional

Além da pressão externa, fatores domésticos também impactam o setor. O aumento dos juros no Brasil encarece o crédito rural, exigindo cautela em financiamentos e investimentos. Ao mesmo tempo, o câmbio, ainda na faixa de R$ 5,40 a R$ 5,50 por dólar, mantém a competitividade das exportações, mas sua valorização poderia comprometer margens.

Segundo Nogueira, a eficiência operacional será a chave para atravessar períodos de margens apertadas. “É essencial utilizar tecnologias, otimizar a produtividade e planejar a safra de forma estratégica para manter resultados positivos”, conclui.

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Colheita da safrinha e preços internos

No Brasil, a colheita da safrinha no Centro-Sul está praticamente concluída, com 94% da área colhida até meados de agosto. Ao mesmo tempo, o plantio da nova safra de verão já avança, liderado pelo Rio Grande do Sul.

Os preços internos apresentam estabilidade, com médias de R$ 62,37/saca no RS e variação de R$ 44,00 a R$ 58,00/saca em outras regiões, segundo a CEEMA. No mercado futuro da B3, os contratos indicam expectativa de valorização: setembro/25 a R$ 65,25/saca e janeiro/26 a R$ 70,65/saca.

Exportações surpreendem e fortalecem o mercado

O grande destaque vem das exportações brasileiras. Nos primeiros 11 dias úteis de agosto, o país embarcou 3,1 milhões de toneladas de milho, mais da metade do volume exportado em agosto de 2024. Com esse ritmo, a projeção anual foi revisada para cima, podendo superar 40 milhões de toneladas, reforçando o papel do Brasil como exportador global relevante, especialmente frente ao crescimento da área semeada na Argentina, estimada em 7,8 milhões de hectares (+9,6%).

Mercado futuro e desempenho na B3

Na B3, o milho encerrou a quinta-feira em alta, impulsionado pelo desempenho da bolsa de Chicago e valorização do dólar. O contrato de setembro/25 subiu para R$ 66,36 (+R$ 0,99 no dia), novembro/25 fechou a R$ 69,40 (+R$ 1,20) e janeiro/26 a R$ 71,60 (+R$ 0,86).

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Em Chicago, os contratos também avançaram: setembro subiu 1,97%, a US$ 387,50/bushel, e dezembro, 1,92%, a US$ 411,75/bushel. O movimento foi sustentado por vendas de 2,86 milhões de toneladas reportadas pelo USDA, acima do esperado, especialmente para exportação e biocombustíveis.

Apesar da valorização, os preços internacionais permanecem pressionados pelas boas produtividades nos estados de Iowa e Illinois, e pela projeção recorde de produção mundial, estimada pelo Conselho Internacional de Grãos em 1,299 bilhão de toneladas, com destaque para os EUA (423,5 milhões de toneladas).

Perspectivas para produtores brasileiros

O cenário mostra oportunidades, mas exige cautela. A combinação de exportações aquecidas, câmbio favorável e preços futuros firmes dá fôlego ao produtor. Entretanto, a pressão da safra americana e os custos internos elevados reforçam a necessidade de planejamento estratégico e eficiência operacional para garantir rentabilidade nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

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A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

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A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

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Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

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