Saúde

Ministério da Saúde lança campanha para prevenção de amputações causadas pelo diabetes no país

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Para reforçar a importância do cuidado permanente com os riscos do diabetes, o Ministério da Saúde promove a ‘Campanha Lava-Pés: cuidado com os pés diabéticos’, lançada nesta quarta-feira (1º), em Recife (PE), e que segue até 9 de abril em todo o Brasil. Durante a ação, pessoas com diabetes mellitus passam por avaliação e recebem orientações sobre alimentação saudável, uso de medicamentos, práticas de autocuidado, além de aferição da pressão arterial. A iniciativa busca alertar, de forma especial, para a prevenção de complicações como feridas, infecções e amputações.

O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, destacou a importância da campanha, como um passo fundamental para fortalecer e ampliar o cuidado com a população. “Essa iniciativa, que nasceu em Pernambuco, reúne profissionais, instituições e serviços de saúde com um objetivo muito claro: prevenir e cuidar do pé diabético. Sabemos que atitudes simples fazem grande diferença, como realizar avaliações periódicas e identificar precocemente possíveis complicações. E, acima de tudo, melhora a qualidade de vida das pessoas”.

Para o secretário, a campanha vai além do cuidado clínico e traz outras dimensões igualmente importantes para o nosso sistema de saúde. “A ação fortalece a formação de profissionais, envolvendo estudantes e residentes em um processo contínuo de aprendizado e prática no SUS. Além disso, resgata o simbolismo do “lava pés”, que nos lembra da importância da humildade, da escuta e da empatia no atendimento. Precisamos de profissionais capazes de se aproximar das pessoas, compreender suas realidades e acolher suas necessidades”, explicou Proenço.

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De acordo com o relatório Vigitel Brasil 2006-2024, cerca de 12,9% da população brasileira vive com diabetes. O estudo, divulgado há dois anos, apontou um crescimento de 134% no número de pessoas vivendo com a doença no país em relação a 2006. O diabetes é a principal causa de amputações de membros inferiores no Brasil. Essas amputações estão associadas a hospitalizações prolongadas, reabilitação complexa, perda de autonomia e aumento da demanda por cuidados domiciliares e apoio social.

Promoção da saúde no Morro da Conceição

Uma das pessoas atendidas na ação foi a professora aposentada Helena Lopes de Almeida, de 80 anos, moradora do Morro da Conceição em Recife, que apontou a relevância de aprender formas de evitar o diabetes, doença recorrente em sua família e vizinhança. “É muito lindo ver toda essa movimentação que se traduz em amor, cuidado e esperança para a nossa gente”.

A ação reuniu profissionais e estudantes da saúde, representantes de instituições religiosas e educacionais, além de lideranças comunitárias. A programação incluiu rodas de conversa, mutirões de cuidado e o gesto simbólico do lava-pés. Iniciada em 2014, no município de Caruaru (PE), com a participação de instituições de ensino e saúde da região, a ‘Campanha Lava-Pés’ será expandida, nos próximos dias, para diversas cidades brasileiras, contando com o apoio das secretarias municipais e estaduais de saúde.

Para garantir a continuidade do cuidado às pessoas com diabetes no âmbito das redes de atenção à saúde, é necessária a implantação e qualificação das linhas de cuidado. Nesse sentido é fundamental a organização do atendimento de forma contínua e coordenada, especialmente na Atenção Primária à Saúde.

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A ação contou com a participação de vários profissionais da saúde, entre eles o médico de família Helckson Feitosa, que atua na UBS do Morro da Conceição. Para ele, ações como o ‘Lava-Pés’ fortalecem a prevenção e a promoção na saúde de doenças crônicas não transmissíveis como hipertensão arterial e diabetes mellitus. “Esse cuidado de avaliar os pés, checar a pressão, a glicose, possibilita detectar precocemente alterações clínicas que podem evitar complicações no futuro”, observou.

Ações voltadas à população

O tratamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS) tem recurso estimado em R$ 586 milhões ao ano, com parte desse valor voltado ao atendimento de pacientes com úlceras infectadas. O Ministério da Saúde vem ampliando e fortalecendo as ações de enfrentamento ao diabetes na rede pública. O tratamento integral conta com insulinas humanas (NPH e regular), insulinas análogas de ação rápida e prolongada, medicamentos orais e injetáveis.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) recomendou em 2024 a ampliação do uso de insulinas análogas também para pacientes com diabetes tipo 2. Outra importante ação foi a incorporação do dapagliflozina na lista de medicamentos gratuitos do Farmácia Popular. O fármaco é utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 em pacientes com risco cardiovascular.

 Saiba mais sobre a Campanha Lava-Pés: Cuidados com os Pés Diabético

Victor Almeida
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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Saúde

Ministério da Saúde participa de fórum internacional que debate produção de medicamentos e tecnologias na América Latina

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Garantir que medicamentos, vacinas e tecnologias de saúde estejam disponíveis de forma segura, sustentável e a preços acessíveis é um dos principais desafios para os sistemas de saúde da América Latina e do Caribe. Para discutir alternativas para ampliar a produção e o acesso a esses produtos, o Ministério da Saúde, em conjunto com representantes de governos, organismos internacionais, indústria, instituições de pesquisa, agências reguladoras, financiadores e sociedade civil se reuniram em Brasília no Fórum de Engajamento da Indústria (Industry Engagement Forum – IEF), realizado nos dias 20 e 21 de agosto.

Durante a abertura, a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, falou sobre a estratégia brasileira de apoio à produção e à tecnologia. “Temos políticas consolidadas de apoio à produção. Acreditamos que isso é uma condição necessária, mas também precisamos desenvolver competências para inovar, impulsionar a produção tecnológica local e fomentar a geração de conhecimento”, destacou De Negri.

O fórum foi planejado em parceria com o Ministério da Saúde do Brasil, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo, a United States Pharmacopeia (USP) e a Unitaid, organização internacional sediada na Organização Mundial da Saúde, que financia iniciativas voltadas à inovação e ampliação do acesso a produtos de saúde em países de baixa e média renda.

O diretor de Gestão e Programas da Unitaid, Robert Matiru, destacou a atuação da organização para apoiar o desenvolvimento das capacidades industriais, regulatórias e de compras. Segundo ele, entre os desafios estão a regulação, a definição da demanda, as compras antecipadas, o capital de giro e a fragmentação dos mercados.

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“É preciso enfrentar esses gargalos. O fórum busca identificar esses obstáculos e ajuda a definir em quais áreas os investimentos da Unitaid podem contribuir, especialmente em situações que governos e empresas não conseguem enfrentar sozinhos”, ressaltou.

Produção, inovação e acesso

Ao longo de dois dias de evento, os participantes acompanharam painéis organizados em oito eixos. As discussões trataram de produção, acesso, desenvolvimento de mercados, políticas públicas, regulação e desafios enfrentados pelos países da América Latina e do Caribe. O objetivo é que a integração contribua para ampliar mercados, dê maior previsibilidade às compras e permita o compartilhamento de capacidades produtivas e tecnológicas.

Também foi discutido o papel do Estado no desenvolvimento da produção e na garantia do acesso, além da importância de regras de propriedade intelectual e de políticas que estimulem a participação do setor produtivo.  Para o diretor do Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde da SCTIE/MS, Igor Bueno, três fatores são necessários para ampliar a capacidade de inovação e produção: infraestrutura, condições econômicas e formação de profissionais.

“No Brasil, investimentos do Novo PAC Saúde e o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde buscam ampliar a capacidade de produção de vacinas, medicamentos, diagnósticos e dispositivos médicos. A estratégia também inclui o fortalecimento da pesquisa e da formação de profissionais”, afirmou.

Segundo o diretor, a cooperação entre os países pode permitir o compartilhamento de estruturas, conhecimentos e capacidades, evitando a duplicação de esforços. Ele também citou iniciativas brasileiras, como as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), o Programa Nacional de Pesquisa Clínica (PPClin), o Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL) e as encomendas tecnológicas, que aproximam o poder público de empresas, universidades e instituições de pesquisa.

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“A ideia é dar previsibilidade aos investimentos, tratar as demandas de longo prazo com segurança, ao mesmo tempo, em que são desenvolvidas soluções de acordo com as necessidades da população”, exemplificou. 

As iniciativas brasileiras também foram destacadas pelo representante da Associação Latino-Americana de Indústrias Farmacêuticas (Alifar), Walker Lahmann. “Por meio da Nova Indústria Brasil, o Ministério da Saúde estimula investimentos, parcerias e inovação, contribuindo para ampliar a capacidade produtiva nacional e a oferta de tecnologias de saúde”, ressaltou Walker.

Coalizão Global

A Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo atua em conjunto com o Fórum de Engajamento da Indústria (Industry Engagement Forum – IEF) na organização de encontros estratégicos, a exemplo do fórum realizado em Brasília. Criada no contexto da presidência brasileira do G20, a Coalizão Global foi formalizada com a assinatura da Carta de Genebra, em maio de 2025. O Brasil participa por meio do Ministério da Saúde que, atualmente, está na presidência da Coalizão e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que ocupa o a secretaria executiva.

“A Coalizão Global tem atuado para aproximar diferentes atores e unir esforços na busca de soluções para desafios comuns aos países latino-americanos. Essa articulação entre governos, indústria, organismos internacionais e sociedade civil contribui para discutir caminhos para a produção, a inovação e o acesso a produtos e tecnologias de saúde”, ressaltou a secretária-executiva adjunta da Coalizão, Priscila Ferraz.

Janine Russczyk
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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