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Ministro Barroso Filho, do Superior Tribunal Militar, grava programa na Escola da Magistratura

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O ministro José Barroso Filho, do Superior Tribunal Militar (STM), é o entrevistado do 35º programa Explicando Direito, da Escola Superior da Magistratura (Esmagis) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
 
No bate-papo conduzido pelo juiz coordenador das atividades pedagógicas da Esmagis-MT, Antônio Veloso Peleja Júnior, foram abordados assuntos relativos à carreira da magistratura, à história de vida do convidado, sua visão de mundo e ponto de vista sobre diferentes assuntos atuais.
 
O ministro é professor doutor em educação, arte e história da cultura e defende os pilares da educação como a principal forma de mudar o mundo. Ele veio a Cuiabá para ministrar uma palestra sobre “Direito à segurança alimentar na primeira infância: a sua importância para o neurodesenvolvimento cognitivo”
 
Foi juiz de direito em Pernambuco e na Paraíba, tendo atuado na Infância e Juventude, também foi promotor de Justiça na Bahia, foi vice-presidente e corregedor da justiça militar da união, diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados da Justiça Militar da União (ENAJUM), ministro ouvidor do STM e é membro titular da Academia Brasileira de Direito.
 
“Estar em Mato Grosso é estar em casa. O que me fez retornar é essa proposta de Mato Grosso que vai muito ao encontro do que eu penso de valorização da primeira infância. Mato Grosso está avançado nesta área, na preocupação com a primeira infância, e é importante a atuação do tribunal e da magistratura para capacitar, qualificar cada vez mais os magistrados de atuação, não só quem está no juizado da infância, mas que essa noção de cuidado possa se espraiar. O magistrado tem que ter vocação e é necessário ele ter uma formação, uma estrutura que o ampare, então é muito importante a atuação da Escola dando meios e possibilidades de atuação para que ele faça o melhor que ele possa ser”, salientou.
 
Ao longo da entrevista, o magistrado falou sobre a importância de se ter uma visão humanista na magistratura, buscando técnicas que tragam encaminhamentos para questões humanas.
 
A entrevista será divulgada no canal do YouTube do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagem: foto horizontal colorida do ministro José Barroso Filho e do juiz Antônio Peleja no estúdio da Esmagis. Ambos estão sentados em cadeiras de madeira, na diagonal, conversando. O ministro está à esquerda, com as pernas cruzadas, veste terno e calça cinza, está com as mãos cruzadas, tem cabelos grisalhos e usa óculos. À direita está o juiz da Esmagis com as mãos entrelaçadas, veste terno e calça azul marinho e olha para o entrevistado, de lado. Ele tem cabelos e barba grisalhos. Entre eles há um pequeno móvel de metal e vidro, livros, uma estátua da deusa Themis, acima uma TV onde é projetada a imagem da Esmagis, um letreiro escrito Esmagis e no chão um tapete.
 
Mylena Petrucelli
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Quando um filho chama

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Foto vertical que mostra o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, sentado em seu posto no plenário do tribunal, olhando para o lado. Ele é um senhor branco, de cabelo e barba brancos, usando toga e óculos de grau.Há um instante pequeno, quase invisível, em que a paternidade se revela: um filho chama, e o pai decide se continua o que estava fazendo ou olha para ele e o escuta. É uma cena comum, dessas que os adultos deixam passar. A criança pode guardá-la por muito tempo.

No Dia dos Pais, é natural celebrar afeto, cuidado e dedicação. A data também deixa uma pergunta incômoda: quando nossos filhos pensarem em nós anos depois, do que se lembrarão? Talvez esqueçam o que lhes demos. Dificilmente esquecerão como se sentiram ao nosso lado.

Quem trabalha na Justiça conhece as consequências de vínculos que se romperam ou nunca chegaram a se formar. Processos de reconhecimento de paternidade, pensão alimentícia e convivência familiar trazem histórias marcadas por espera, conflito e ausência. A lei pode reconhecer o vínculo, exigir sustento e proteger direitos. Nenhuma decisão judicial, porém, consegue fazer um pai parar e ouvir o filho com interesse.

Nos processos de família, os autos registram as versões dos adultos, mas a infância continua enquanto o caso é analisado. A rapidez importa. O tempo de uma criança não espera o andamento do processo. Um ano de demora pode atravessar uma etapa inteira de sua formação e transformar distância em costume.

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Nenhum pai sabe tudo, embora muitos sintam que deveriam ter respostas para tudo. O filho precisa se aproximar sem achar que está incomodando quando o pai trabalha, usa o telefone ou está cansado. É preciso ouvi-lo antes de responder, perceber quando o silêncio esconde alguma coisa e reconhecer os próprios erros. Uma tarde comum pode ficar na memória por décadas porque o pai interrompeu o que fazia e permaneceu ali.

Muitos homens receberam pouco dos próprios pais e acabam repetindo a única forma de convivência que conheceram: disciplina sem ternura e afastamento. Esse passado ajuda a explicar a dificuldade, mas não precisa determinar o próximo gesto. Um pai pode pedir perdão, aproximar-se sem discurso e aprender, mesmo tarde, a demonstrar afeto.

Nenhum filho convive com um pai perfeito. Convive com um homem que trabalha, se cansa, erra e às vezes chega tarde à conversa necessária. Um pai pode morar longe e continuar presente. Há homens que não geraram uma criança, mas assumiram seu cuidado. Ao reconhecer a falha, o pai pode reconstruir a relação. A indiferença repetida ensina o filho a não esperar.

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Toda criança tem direito a sustento, proteção e convivência. Há uma necessidade que nenhum processo consegue medir: saber que sua existência importa para alguém. Quando encontra essa certeza no pai, o filho ganha segurança para enfrentar a vida e tem condições de não repetir com os próprios filhos as ausências com que cresceu.

Muitos filhos esquecerão o presente dado ao pai neste domingo. Anos depois, uma conversa na cozinha ou a tarde em que o pai percebeu que havia algo errado poderá voltar à memória com nitidez inesperada. Ninguém planeja essas lembranças. Elas surgem enquanto a vida comum acontece: o telefone deixado sobre a mesa e uma conversa sem pressa.

José Zuquim Nogueira

Presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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