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“Ninguém está a salvo dos efeitos da mudança do clima”, alerta Lula em evento na ONU

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na última quarta-feira (24/9), em Nova York, a urgência de ação coletiva diante da crise climática e convocou os países a assumirem suas responsabilidades antes da COP30, que será realizada em Belém (PA), em novembro. O líder brasileiro co-presidiu, ao lado do secretário-geral da ONU, António Guterres, a abertura do Evento Especial sobre Clima para Chefes de Estado e de Governo, realizado durante as atividades da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

“É momento de questionar se o mundo chegará a Belém com a lição de casa feita. O Acordo de Paris deu aos países a liberdade de formular metas de redução de emissões condizentes com suas realidades e capacidades. Mas a apresentação de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) não é uma opção. Como deixou claro a Corte Internacional de Justiça, é uma obrigação”, afirmou Lula.

>> Discurso do presidente Lula durante a abertura do Evento Especial sobre Clima para Chefes de Estado e de Governo

O presidente destacou que é possível deter o aquecimento global com mobilização coletiva, assim como foi feito para proteger a camada de ozônio. “As Contribuições Nacionalmente Determinadas são o mapa do caminho que guia cada país nessa mudança. Elas não são meros números ou percentuais. São uma oportunidade para repensar modelos e reorientar políticas e investimentos rumo a um novo paradigma econômico”, enfatizou o presidente.

O líder brasileiro destacou que o Brasil foi o segundo país a apresentar sua nova NDC, com a meta de reduzir as emissões de todos os gases de efeito estufa entre 59% e 67%. “Nossa meta de zerar o desmatamento até 2030 contribuirá para concretizar esse objetivo”, completou.

CRISE AMBIENTAL – Lula alertou para os riscos do negacionismo climático e do unilateralismo, lembrando que nenhum país está imune aos efeitos da crise ambiental. “O negacionismo que enfrentamos não é apenas climático. É multilateral. Ninguém está a salvo dos efeitos da mudança do clima. Muros nas fronteiras não vão conter secas nem tempestades. A natureza não se curva a bombas, nem a navios de guerra. Nenhum país está acima do outro. O risco do unilateralismo é a reação em cadeia que ele provoca”.

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COP30 – O presidente ressaltou, ainda, que ao realizar a COP30 na Amazônia, o Brasil irá mostrar ao mundo que conservar a natureza também é cuidar das pessoas. Como exemplo de participação social, Lula citou o Balanço Ético Global (BEG), uma das principais maneiras pelas quais a sociedade pode se engajar com a COP30. Foram realizados seis diálogos regionais que incluíram representantes da sociedade civil, do setor privado, de povos indígenas e comunidades tradicionais, cientistas, artistas, líderes religiosos e autoridades locais.

“A voz das pessoas precisa chegar aos chefes de Estado e de governo. Queremos promover uma Cúpula de Líderes que propicie um diálogo franco e direto, à altura da missão que nossas sociedades nos confiaram. Temos a chance de reparar injustiças e construir um futuro próspero e sustentável para todos”, ressaltou.

PLANOS DE AÇÃO CLIMÁTICA – Mais de 120 nações participaram do evento, entre chefes de Estado e de governo, ministras e ministros de Estado, organizações da sociedade civil, juventudes e empresas. A iniciativa insere-se no Marco de Cooperação para a Ação Climática entre o presidente Lula e o secretário-geral António Guterres.

ASSEMBLEIA GERAL – Na terça-feira (23/9), Lula discursou na abertura da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O presidente frisou que a soberania do Brasil é inegociável e posicionou-se na defesa dos valores democráticos, da importância do multilateralismo, dos preceitos que regem o desenvolvimento sustentável e pelo combate à mudança do clima. Ele destacou ainda a necessidade de o mundo se unir em prol da paz e do combate à pobreza.

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FUNDO DE FLORESTAS TROPICAIS – Também na terça, o presidente anunciou, durante a Sessão de Abertura da Reunião sobre o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) que o Brasil vai investir US$ 1 bilhão na iniciativa. O Fundo, que propõe um modelo inovador de financiamento para a conservação das florestas tropicais, será oficialmente lançado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima, a COP30, agendada para novembro, em Belém (PA).

PALESTINA – A agenda de Lula em Nova York teve início na segunda-feira (22/9), quando o presidente participou da segunda sessão da Conferência Internacional de Alto Nível para a Resolução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, convocada por França e Arábia Saudita. O Governo do Brasil defende que o único caminho para a paz e a estabilidade no Oriente Médio passa pela implementação da solução de dois Estados, com um Estado da Palestina independente e viável, coexistindo lado a lado com Israel, em paz e segurança, dentro das fronteiras de 1967, incluindo a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, com Jerusalém Oriental como capital. “Tanto Israel, quanto a Palestina têm o direito de existir”, afirmou o presidente brasileiro.

(Com informações da Assessoria de Comunicação do Palácio do Planalto)

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Dependência de fertilizantes importados expõe vulnerabilidade do agronegócio brasileiro e pressiona custos no campo

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A elevada dependência de fertilizantes importados segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade estrutural do agronegócio brasileiro, mesmo diante da posição de destaque do país no comércio global de alimentos. O tema ganha ainda mais relevância em um cenário de forte oscilação geopolítica e volatilidade nos mercados internacionais de insumos.

A avaliação é de Nivio Domingues, da Samba Export Brazil, especialista no mercado de insumos agrícolas e seus impactos sobre o custo de produção e a formação de preços dos grãos.

Brasil bate recorde, mas segue altamente dependente de importações

Em 2025, o Brasil atingiu a marca de 49,11 milhões de toneladas de fertilizantes entregues ao mercado interno, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O volume representa um recorde histórico para o setor.

Apesar disso, a dependência externa permanece elevada: do total consumido, 43,32 milhões de toneladas foram importadas, o equivalente a 88,2% do mercado nacional.

A concentração é ainda mais crítica quando analisada por nutriente:

  • Potássio: 97% importado
  • Nitrogênio: 95% importado
  • Fósforo: 75% importado

Até fevereiro de 2026, a Rússia liderava como principal fornecedora individual de fertilizantes ao Brasil, respondendo por 22,1% das compras externas.

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Risco geopolítico afeta planejamento do agro brasileiro

A forte dependência externa expõe diretamente cadeias produtivas estratégicas do agronegócio, como soja, milho, café e proteínas animais, a decisões tomadas fora do país.

O impacto desse risco ficou evidente a partir de 2022, com o início da guerra na Ucrânia, que interrompeu parte do fornecimento de potássio oriundo da Rússia e da Bielorrússia. O episódio acendeu um alerta global sobre segurança de insumos e seu reflexo direto no plantio em importantes regiões produtoras do Brasil, como Mato Grosso e Paraná.

Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência até 2050

Diante desse cenário, entidades do setor produtivo como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a ANDA têm articulado o Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.

Entre os principais gargalos, está a baixa produção nacional de nutrientes estratégicos. Atualmente, a Petrobras é a única produtora de nitrogênio em escala industrial no país, enquanto novos projetos de fertilizantes NPK dependem de maior investimento privado e segurança regulatória para avançar.

Fertilizantes já influenciam preço dos grãos e margens do produtor

No comércio internacional, o custo dos fertilizantes já faz parte das negociações globais de grãos, influenciando diretamente a competitividade do Brasil no mercado externo.

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A volatilidade desses insumos se reflete nos preços finais da soja, do milho e do açúcar nos portos brasileiros, ampliando a exposição do produtor rural a fatores que não estão sob seu controle direto.

Segundo especialistas do setor, a dependência externa cria um efeito cascata sobre toda a cadeia produtiva, impactando desde a decisão de plantio até a margem final do produtor.

Potencial mineral ainda subaproveitado no Brasil

Para analistas do setor, o país ainda não explora plenamente seu potencial mineral estratégico. O exemplo mais citado é a reserva de potássio localizada em Sergipe, considerada uma das mais importantes do hemisfério ocidental.

“O Brasil não é potência agrícola apesar da dependência de fertilizante importado: é potência agrícola que ainda não converteu sua maior reserva de potássio em produção relevante”, avalia Domingues. Segundo ele, avançar nessa agenda teria impacto direto na competitividade das exportações brasileiras nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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