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Novos membros do CONAPE tomam posse em Brasília

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Nesta terça-feira (9/12), foi realizada a posse dos novos membros do Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca (CONAPE), órgão consultivo do Ministério da Pesca e Aquicultura e principal instância de participação da pasta. Os novos conselheiros assumirão a gestão no biênio 2025/2027 e serão responsáveis pela discussão de propostas de políticas públicas para os setores pesqueiro e aquícola.  

A posse ocorreu durante a 46ª reunião ordinária do conselho, que foi retomado em 2023, com a recriação do MPA, após 13 anos de paralisação das atividades. A abertura, realizada em Brasília, contou com a presença do ministro André de Paula, do secretário-executivo Edipo Araujo, outros integrantes do Ministério, além de representantes da sociedade civil.   

Durante sua fala, André de Paula ressaltou a relevância do CONAPE para a pesca e aquicultura. “Nós queríamos fazer com que o ministério fosse percebido como algo que não era apenas fruto da prioridade dada pelo presidente Lula ao nosso setor. Mas é também fruto da visão que ele tinha da importância estratégica que nós temos, tanto para a economia do país quanto para a questão social. Porque ao longo desse território enorme que o Brasil tem, nós temos milhões de brasileiros que direta ou indiretamente tiram da pesca e da aquicultura o seu sustento. E isso precisava ser demonstrado na prática”, declarou.  

Edipo Araujo agradeceu o trabalho realizado pelos membros do biênio anterior. “É o momento da gente parabenizar e agradecer o trabalho dos conselheiros desde 2023. É um trabalho voluntário, todos estão aqui porque entendem a importância de discutirmos e implementarmos políticas públicas para o setor. Desejo sucesso aos novos membros e que vocês possam dar continuidade ao bom trabalho que tem sido feito”.  

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Ao longo da reunião, realizada nos dias 9 e 10/12, foram apresentadas conquistas importantes do MPA nos últimos anos, como os avanços no Plano Safra e no Desenrola Rural, a cartilha dos Terminais Pesqueiros Públicos e as atualizações sobre o Registro Geral do Pescador e Pescadora Profissional (RGP). Também foi falado sobre o lançamento da Estratégia Nacional Oceano Sem Plástico (ENOP) e as ações realizadas pelo CONAPE e pelas secretarias do MPA.  Além disso, os membros anteciparam a realização da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, prevista para o primeiro semestre de 2026.

Participação social  

Nos dois dias de evento, os participantes destacaram a importância da adoção da participação social como política de estado e como instrumento democrático. Para o representante da área acadêmica e de pesquisa no CONAPE, Marco Aurélio Bailon (Associação Brasileira de Oceanografia – Aoceano), a participação social permanente, aliada ao conhecimento técnico-científico, fortalecem o setor de pesca e aquicultura. “Precisamos tornar o Ministério da Pesca e Aquicultura uma política perene para que ele se mantenha e possa dar continuidade ao trabalho já desenvolvido.”, acrescentou. 

A representante dos movimentos sociais, Rochelle Cruz (Centro de Desenvolvimento de Pesca Sustentável do Brasil – Cedepesca), também falou sobre a relevância da colaboração dos diferentes segmentos representados no CONAPE. “É uma grande alegria compor um conselho tão importante para o nosso setor. Representar aqui 18 instituições. Quero que a gente possa juntos formular políticas públicas para melhorar a pesca e aquicultura”, completou.  

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A representante da área industrial, Lais Belsito (Associação Brasileira das Indústrias do Pescado (Abipesca), também destacou a necessidade de integração entre os setores. “A gente precisa de diversos segmentos. Um avanço puxa o outro e é assim que a gente desenvolve o setor. Ficamos muito felizes em representar a indústria nacional do pescado”.  

Ainda sobre o tema, o diretor da Secretaria Nacional de Participação da Secretaria-geral da Presidência da República, Paulo Oliveira, afirmou que o CONAPE é um exemplo da participação social dentro do governo federal. “O Conape está inserido no projeto de reconstrução da participação social neste governo. É a representação da própria reconstrução da democracia brasileira; significa a constrição de políticas públicas de forma participativa”.  

André de Paula também reforçou o caráter participativo do CONAPE. “Quem participa de um governo democrático como o do presidente Lula, sabe que uma das questões que são mais caras a ele, não apenas pela sua visão de mundo, mas pela sua prática política, é a participação social. O envolvimento de todos nas questões que dizem respeito a todos”, concluiu.  

Sobre o CONAPE – é um órgão colegiado que funciona como a principal instância de participação social do MPA. É composto por 61 entidades, sendo 32 da sociedade civil, além de representantes do governo. Os membros são escolhidos por meio de votação, após chamamento público. Ele tem a responsabilidade de apoiar a formulação de políticas públicas, promovendo a articulação e o debate entre diferentes níveis de governo e a sociedade civil organizada. 

 

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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