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Operação Shadowgun combate rede de fabricação de armas 3D

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Rio de Janeiro, 13/3/2026 – Autoridades apresentaram, na quinta-feira (12), o balanço da Operação Shadowgun, durante reunião na sede do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Participaram representantes do MPRJ, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e da Polícia Civil.

A operação prendeu cinco pessoas suspeitas de envolvimento na fabricação e na comercialização de armas fantasmas e cumpriu 36 mandados de busca e apreensão em 11 estados.

Durante as diligências, as equipes apreenderam equipamentos usados na produção das peças, como impressoras 3D, além de armas produzidas de forma artesanal, munições e acessórios. Parte do material estava em endereços comerciais utilizados para a produção ilegal de armamentos e componentes.

Em São Paulo (SP), foram presos Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido como Zé Carioca, Jean Guilherme Pinto e Gianluca Bianchi. Outros dois suspeitos foram detidos em flagrante com material ilegal. Dois denunciados seguem foragidos: Luigi Barbin da Costa e Vinicius Soriano Hernandes.

O diretor de Operações Integradas e Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Anchieta Nery Neto, afirmou que a investigação começou após relatório técnico produzido pelo Ciberlab, estrutura do MJSP voltada à análise de crimes no ambiente digital. O documento foi elaborado a partir de informações compartilhadas pela Homeland Security Investigations (HSI), agência federal de investigação criminal dos Estados Unidos, com apoio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

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Segundo ele, a atuação integrada entre órgãos federais e estaduais permitiu identificar os investigados, apresentar a denúncia e realizar a operação de forma simultânea em diferentes estados.

O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, destacou a importância da cooperação entre instituições para enfrentar crimes no ambiente digital. Ele mencionou a criação do Cybergaeco/MPRJ, estrutura especializada dentro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado dedicada a investigações de crimes cibernéticos.

A coordenadora do Cybergaeco/MPRJ, Letícia Emile, informou que as investigações identificaram a venda de peças e acessórios de armas por meio de plataformas digitais de comércio eletrônico. Após a identificação das vendas ilegais, algumas contas foram bloqueadas, e parte da atividade migrou para ambientes mais restritos da internet, como a deep web.

Ela alertou que o acesso facilitado a esse tipo de material preocupa as autoridades. Segundo a coordenadora, alguns compradores já tinham antecedentes criminais, incluindo envolvimento com tráfico de drogas, milícias e homicídios.

“Há uma preocupação especial com o possível acesso de adolescentes e de pessoas sem qualquer controle estatal sobre a circulação de armas”, afirmou.

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Também participaram da apresentação do balanço o secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, e o delegado da 32ª DP (Taquara), Marcos Buss.

Histórico da operação

A Operação Shadowgun foi conduzida de forma integrada por órgãos de segurança pública e desarticulou uma organização criminosa dedicada ao desenvolvimento, à produção e à comercialização de armas de fogo e acessórios fabricados por impressão 3D.

As investigações identificaram uma rede que utilizava a internet para desenvolver, divulgar e vender projetos digitais de armamentos produzidos por impressão 3D, além de acessórios de alto poder destrutivo, como carregadores de grande capacidade.

Essas armas, conhecidas internacionalmente como ghost guns, não possuem numeração de série e podem ser produzidas com equipamentos disponíveis no mercado. A ausência de identificação dificulta o rastreamento e representa risco relevante à segurança pública.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Política Nacional de Proteção de Dados avança com participação social

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Brasília, 15/6/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), realizou, na sexta-feira (12), audiência pública para discutir a construção da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e Privacidade (PNPD).

O evento ocorreu em formato híbrido, no Palácio da Justiça, com transmissão ao vivo pelo YouTube, e reuniu representantes do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade (CNPD), da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), da sociedade civil, da academia e do setor privado.

O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes, ressaltou o caráter estratégico da primeira audiência pública após dois mandatos do CNPD.

“A construção da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e Privacidade representa um passo fundamental. Trata-se de um instrumento que orientará a atuação do Estado brasileiro, fortalecerá os mecanismos de cooperação e ampliará o diálogo interinstitucional em torno dos direitos digitais, promovendo maior coerência, efetividade e participação na formulação de políticas públicas.”

Fernandes também destacou a centralidade do tema para a cidadania digital. “O direito à proteção de dados pessoais e à privacidade é hoje um dos pilares da cidadania digital. Em um contexto de transformação tecnológica acelerada, assegurar esses direitos significa garantir autonomia, dignidade e confiança nas interações digitais.”

A audiência integrou um processo mais amplo de elaboração participativa da política, que tem como referência os subsídios elaborados pelos seis Grupos de Trabalho Temáticos (GTTs) do CNPD, além das diretrizes encaminhadas pela ANPD ao MJSP. Ao todo, foram registradas 22 inscrições de fala da sociedade civil, além das contribuições dos coordenadores dos GTTs.

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Eixos e propostas

Os grupos de trabalho apresentaram recomendações organizadas em seis eixos estruturantes: educação e capacitação em proteção de dados (GTT 1); mecanismos e práticas de conformidade (GTT 2); governança de dados no setor privado (GTT 3) e no setor público (GTT 4); dados pessoais para o desenvolvimento econômico, tecnológico e a inovação (GTT 5); e harmonização entre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a Lei de Acesso à Informação (LAI) (GTT 6).

Entre as propostas apresentadas pelos coordenadores dos GTTs, destacaram-se a criação de uma Escola Nacional de Proteção de Dados, a institucionalização de uma Semana da Privacidade no calendário nacional, o estabelecimento de parcerias com o Ministério da Educação para integrar a temática aos currículos escolares e o desenvolvimento de ferramentas de autoavaliação para órgãos públicos. O GTT 5 propôs 36 subsídios voltados ao equilíbrio entre proteção de direitos e geração de valor econômico a partir do tratamento responsável de dados pessoais.

Representantes da sociedade civil apresentaram contribuições sobre temas como a necessidade de indicadores de monitoramento da política, a harmonização entre a LGPD e o direito de acesso à informação, a regulação do uso de tecnologias de reconhecimento facial e dados biométricos, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e a inclusão de diretrizes específicas para a segurança pública.

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Organizações como o Instituto Alana, a Transparência Brasil, a Open Knowledge Brasil, a Fiquem Sabendo, o Idec, o iFood e o Instituto Sigilo, entre outras, também participaram da audiência.

A diretora da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Miriam Wimmer, que participou ao lado do também diretor Iagê Miola, enfatizou a importância de compreender os diferentes anseios e perspectivas da sociedade.

“O CNPD trabalhou diligentemente, constituindo diferentes grupos de trabalho dedicados à abordagem dos diversos temas relacionados à política nacional. Tive a oportunidade de participar de vários desses encontros, nos quais pudemos trocar impressões, compartilhar experiências e acompanhar um trabalho muito sério e competente de construção dessas diretrizes”, disse.

O MJSP informou que as contribuições recebidas durante a audiência, bem como as manifestações escritas que poderão ser encaminhadas posteriormente, serão analisadas e incorporadas ao processo de elaboração da política. A expectativa, reforçada por múltiplos participantes, é que o decreto seja publicado ainda em 2026 — mais de oito anos após a aprovação da LGPD.

“Essa diversidade de perspectivas é fundamental para qualificar a escuta do Governo Federal e contribuir para a elaboração de uma política pública consistente, legítima e representativa”, concluiu Victor Fernandes.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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