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Pecuária brasileira reforça produtividade, inclusão e rastreabilidade para atender novas exigências do mercado global

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Pecuária brasileira busca eficiência e sustentabilidade diante de novas exigências globais

A pecuária brasileira vive um momento de transformação impulsionado por mudanças no consumo global de carne bovina, novas exigências ambientais e regras comerciais mais rigorosas. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos relacionados a emissões de gases de efeito estufa e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar um processo de transição baseado em tecnologia, eficiência produtiva e melhor uso das áreas já abertas.

Nesse cenário, estratégias voltadas à recuperação de pastagens, maior integração dos produtores à cadeia formal e avanço da rastreabilidade ganham força como instrumentos para preservar a competitividade da carne brasileira no mercado nacional e internacional.

Recuperação de pastagens é pilar da intensificação sustentável

Um dos principais eixos dessa transformação é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como elemento central da proposta chamada Caminho Verde, defendida pela Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável como política pública voltada à intensificação sustentável da atividade.

A iniciativa parte do diagnóstico de que o Brasil possui um grande volume de áreas com baixa produtividade que podem ser recuperadas com manejo adequado, melhoria da qualidade do solo, adoção de tecnologias e integração de sistemas produtivos.

Segundo a presidente da entidade, Ana Doralina Menezes, a requalificação dessas áreas permite ampliar a produção sem necessidade de abertura de novas áreas.

“Ao recuperar pastagens degradadas, é possível elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar o uso dos recursos disponíveis”, explica.

Para a dirigente, o programa representa uma solução prática e alinhada às demandas do mercado internacional. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens significa aumentar a eficiência, melhorar a renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

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Formalização de produtores fortalece o setor

Outro desafio relevante para o avanço da pecuária brasileira está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal de produção.

A informalidade limita o acesso a crédito rural, assistência técnica e mercados que exigem comprovação socioambiental, além de prejudicar a imagem do setor como um todo. Nesse contexto, o alinhamento às regras do Código Florestal e à legislação ambiental torna-se essencial.

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão produtiva é fundamental para que a transição do setor seja efetiva.

“Quando o produtor está regularizado, ele consegue acessar financiamento, investir em tecnologia e atender às exigências do mercado. A formalização precisa ser vista como um instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como uma obrigação”, destaca.

Rastreabilidade ganha importância para acesso a mercados

A ampliação da rastreabilidade da cadeia produtiva também aparece como elemento estratégico para o futuro da pecuária brasileira.

Com consumidores e compradores internacionais cada vez mais atentos à origem dos produtos e à conformidade ambiental da produção, sistemas eficientes de monitoramento tornam-se determinantes para garantir acesso e expansão em mercados exigentes.

De acordo com a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, a transparência na cadeia produtiva fortalece a credibilidade do setor.

“Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia produtiva”, afirma Lisandro Inakake de Souza.

Estratégia integra produtividade, responsabilidade ambiental e competitividade

Ao combinar recuperação de pastagens, inclusão produtiva e ampliação da rastreabilidade, a instituição busca incentivar uma postura propositiva do setor diante das mudanças regulatórias e comerciais em andamento.

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Segundo Ana Doralina Menezes, a estratégia não se limita a responder pressões externas, mas pretende demonstrar que produtividade e responsabilidade socioambiental podem avançar juntas.

“A proposta é mostrar que eficiência produtiva, compromisso ambiental e competitividade podem evoluir de forma integrada, colocando o produtor como parte central da solução”, ressalta.

Webinars levam informação técnica ao produtor rural

Para apoiar os pecuaristas na adaptação às novas demandas do mercado, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma série de webinars técnicos voltados à qualificação do setor.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado ao tema da reinserção de produtores na cadeia formal. Já no dia 26 de fevereiro, o debate abordou a rastreabilidade, discutindo desafios e caminhos para ampliar a transparência e a conformidade da produção.

Um terceiro webinar sobre reinserção de produtores está previsto para maio, dando continuidade às discussões e ampliando o diálogo com o setor.

Conteúdos ficam disponíveis para produtores e técnicos

Os encontros promovidos pela instituição estão disponíveis no canal oficial da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável no YouTube, permitindo que produtores, técnicos e demais elos da cadeia tenham acesso às orientações e discussões técnicas.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Ao promover debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, oferecemos instrumentos para que o produtor tome decisões mais seguras e amplie sua competitividade”, conclui Ana Doralina Menezes.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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